sexta-feira, 1 de março de 2013

Quando a Itália Tinha Orgulho em Ser Fascista

Mussolini condecora alguns Camisas Negras pertencentes aos "Batalhões M" durante a Segunda Guerra Mundial.


“Mais vale viver um dia como um leão do que cem anos como uma ovelha.” – Benito Mussolini (1883 – 1945)

No dia 24 de Julho de 1943, o Grande Conselho do Fascismo em conluio com o Conde Dino Grandi, votaram de forma esmagadora pelo afastamento imediato de Benito Mussolini. O Rei Victor Emmanuel III já há algum tempo que procurava uma forma de afastar Mussolini do poder devido ao desastre militar para onde este havia conduzido a Itália ao seguir Hitler nas suas aventuras bélicas. A oportunidade era por isso demasiado boa para poder ser desperdiçada, Victor Emmanuel III tomou o assunto em mãos, convocou Mussolini ao seu palácio no dia seguinte e informou-o de que este já não era o primeiro-ministro de Itália. De seguida Victor Emmanuel III deu ordem para que Mussolini fosse imediatamente detido.

Muitos poderão não o compreender, mas o que se passou nos dias 24 e 25 de Julho de 1943 foi um ponto de viragem radical para a Itália. 

Tem sido largamente disseminada a ideia (por alguns historiadores com agendas próprias…) de que o Fascismo apenas recebeu apoio popular em massa até ao início da década de 1930 e que após isso o regime fascista se conseguiu manter de pé em Itália graças à propaganda agressiva e à repressão. Ora, tal não podia estar mais longe da verdade.

Mussolini sofreu pesadíssimos desastres militares na Líbia, Grécia e nas águas do Mediterrâneo. O exército italiano possuía homens suficientes para defender eficazmente todos estes territórios de qualquer agressão estrangeira, porém, não possuía nem o treino, nem o equipamento e nem a liderança militar à altura de tal tarefa. Os generais italianos eram medíocres no seu melhor e utilizavam tácticas de combate da Primeira Guerra Mundial. Em resumo, a Itália não possuía quaisquer meios ou condições que lhe pudessem garantir uma vitória na Segunda Guerra Mundial. O desastre era assim inevitável…

No entanto, o povo Italiano manteve-se fiel em massa ao regime fascista até 1943. 

O regime fascista manteve-se firme apesar dos bombardeamentos anglo-americanos às cidades italianas. Nem a carestia, nem a penúria trazidas pelo controlo imposto pelos alemães fizeram com que o povo italiano se erguesse em revolta contra o fascismo. Nem mesmo quando a poderosa Força Aérea Estado-Unidense bombardeou Roma para mostrar ao povo italiano que Mussolini já não o conseguia proteger das bombas e que o fascismo estava acabado, esse mesmo povo se levantou contra Mussolini. Pelo contrário, Mussolini ainda saiu tranquilamente à rua para inspecionar os estragos provocados pelas bombas e continuou como se nada de especial se passasse. 

Tudo isto veio a mudar de forma radical nos dias 24 e 25 de Julho de 1943. A célere deposição do Duce pelo Rei provocou uma autêntica histeria colectiva em toda a Itália. Em Roma muitos foram aqueles que saíram à rua empunhando fotos do Rei e considerando-o um libertador, mas que apenas dias antes diziam-se grandes apoiantes do Duce.

Uma das frases mais repetidas no dia a seguir à queda do Duce era: “como sabes, eu nunca fui fascista.” Era mentira. Até então, praticamente toda a Itália em peso havia sido fascista.

O rio Tibre corria para o Mediterrâneo arrastando na sua corrente uma prodigiosa quantidade de camisas negras apressadamente despidas pelos até então fiéis elementos do regime fascista. Muitos foram aqueles que nas horas e dias seguintes à queda do Duce queimaram documentos, uniformes, insígnias e outros acessórios que poderiam denunciar as suas ligações com o regime fascista italiano.

O fascismo havia seduzido o povo italiano como nenhum outro movimento político o tinha conseguido fazer em toda a história da península itálica. Desde o simples operário da linha de montagem da Fiat até às elites académicas, o fascismo tinha seduzido toda a Itália com pouquíssimas excepções. O povo italiano tinha orgulho em ser fascista e considerava-se o fundador de um movimento político avant-garde nunca antes visto na história da humanidade - basta consultar os jornais e a restante documentação da época para se perceber isto.

Mesmo após ser preso e posteriormente liberto pelos alemães, Mussolini continuou a ser admirado por muitos italianos em segredo no sul da Itália já ocupada pelos aliados e no Norte ocupado pelo exército alemão. A prova disto foi o ruidoso banho de multidão que Mussolini recebeu em Milão, poucos dias antes do seu assassinato (algo ainda muito mal explicado, pois não convém o contrário…).

O fim da Segunda Guerra Mundial colocou fim ao movimento fascista como um fenómeno internacional organizado. Porém, a “justiça” dos vencedores da guerra esteve longe de ser algo que se possa considerar como tendo sido decente.

Os aliados nunca foram obrigados a responder pelo bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki (isto para não falar de Dresden…). No entanto, os derrotados na guerra foram expostos em inúmeros tribunais internacionais e acusados de toda a espécie de crimes contra a humanidade. Ninguém nota aqui a hipocrisia?

Os mesmos aliados que derrotaram Mussolini e lhe chamaram um criminoso de guerra por se ter aliado a Hitler, foram os mesmos que deram a mão a Estaline e traíram o povo polaco permitindo que a Polónia ficasse sob o jugo soviético até ao fim da Guerra Fria. Mas sobre isto os livros de história “politicamente correctos” não falam e duvido que alguma vez venham a falar…

João José Horta Nobre
Março de 2013

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