domingo, 23 de março de 2014

O Judeu na Poesia Anti-Semita de António Sardinha



Anti-semita assumido e inimigo declarado da Nação de Israel, António Sardinha nunca escondeu os seus verdadeiros sentimentos pelo povo judeu que considerava como sendo um inimigo declarado de Portugal e de toda a Cristandade. Os seguintes poemas bastam para dar ao leitor uma ideia da verdadeira natureza do anti-semitismo de António Sardinha, elevado a uma forma de arte. Porém, é necessário que se tenha também em conta que esta literatura e este discurso abertamente anti-semita fizeram parte do espírito da época em questão e por isso não é justo julgar António Sardinha de acordo com os padrões éticos e morais actualmente em voga no Ocidente.

Nas décadas de 1920-1930 o anti-semitismo era ainda um dos "pratos fortes" da Europa cristã, em parte devido a uma "questão judaica" que nunca foi convenientemente resolvida a tempo e horas. Estes breves poemas são o reflexo do espírito dessa época que já foi:


AUTO DE FÉ
 
A um poeta

Não és da Cruz, não és do nosso rito.
São de outro sangue os mortos que tu contas.
Quem te vestisse a ti o sambenito
e te impusesse a estrela de seis pontas.

Teu verbo foi de morte! Foi maldito!
É verbo de Israel, bramindo afrontas.
De tudo o que deixaste um dia escrito
perante Deus um dia darás contas!

Iago, Saltamontes e Veneno,
por grande que ele seja, é bem pequeno
Meu ódio de cristão, de português!

Deitem-lhe os livros todos à fogueira.
E enquanto a chama os lambe justiceira,
Ponham-lhe os santos óleos de outra vez!"

(SARDINHA, António - Pequena Casa Lusitana. Livraria Civilização, Porto, 1937, pp. 181-182.)



Dos VERSOS A DONA SOL
 
Fosse eu familiar do Santo Ofício,
levava-te à prisão sem grande pena!
Neta de moiro, herdaste o malefício
Da tua raça morena!

(...)

Se houvesse Inquisição — que desengano!
terias sido já queimada viva!

Tição de varonias de Castela,
o povo hebreu deixou vestígio em todas.
Se és nódoa escura da linhagem dela,
não temos de estranhar as tuas bodas!

(...)

Que airosa não ficavas, que elegante,
de sambenito, algemas e carocha!
Houvesse Inquisição!... E assim ligeira,
em modos de possessa que estrebucha,
terias já bailado na fogueira,
oh filha dum cigano e dum bruxa!

(...)

eu próprio te levava ao Santo Ofício,
oh Dona Sol de túnica amarela,
que me puseste um dia malefício!..."

(SARDINHA, António - Quando as Nascentes Despertam.... Livraria Ferin, Lisboa, 1921, pp. 185-192.)


 



 MADRE INQUISIÇÃO
 
Temos a África nas nossas veias.
O mais do nosso sangue é sangue preto.
Assim, carregadinhos de cadeias,
onde é que irá ficar-nos o esqueleto?

E eles mandam como as alcateias!
Há tantos, que debalde os acometo.
Logo ressurgem com as caras feias,
— não sei por que feitiço ou amuleto!

São moiros e ciganos quem governa.
Nunca será bastante a pena eterna
pr`a quem desfez a raça com torpeza!

Oh Santa Inquisição, acende as chamas!
E no fulgor terrível que derramas,
Vem acudir à Pátria Portuguesa!"

(SARDINHA, António - Pequena Casa Lusitana. Livraria Civilização, Porto, 1937, pp. 121-122.)

João José Horta Nobre
Março de 2013

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Caro Lucas, julgo que não, mas a Hemeroteca tem imenso material interessante digitalizado, algum dele bastante semelhante, é uma questão de procurar:

      http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/

      Eliminar
  2. Material racista e xenófobo
    Nojento

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O Anónimo tem de ter em conta o contexto da época em que António Sardinha escreveu estes textos.

      Mas já que o incomoda tanto este racismo "xenófobo" e "nojento", o que é que o Anónimo tem a dizer disto:

      https://www.youtube.com/watch?v=dPxv4Aff3IA

      Será que o que aparece nesse video já não é uma coisa "racista" e "xenófoba"?...

      Nojento!

      Eliminar

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