quarta-feira, 19 de março de 2014

Portugal Deve Sair Imediatamente da NATO




"Não sei como será a Terceira Guerra Mundial, mas posso-vos dizer como será a Quarta: com paus e pedras..." - Albert Einstein (1879 - 1955)

Imagine-se o seguinte cenário hipotético: A actual "Guerra Fresca" entre a Rússia e o Ocidente (UE e NATO) passa a "Guerra Quente". Em poucos minutos, os arsenais nucleares da Federação Russa reduzem os Estados Unidos e a Europa Ocidental a um mar de cinzas radioactivas e vice-versa. Nada, nem ninguém, nos poderá salvar de tal destino e apesar de o mesmo ser altamente improvável, todos sabemos que na história o impossível por vezes acontece...

Que os portugueses não duvidem disto por um momento, se existir uma guerra nuclear entre a Rússia e a NATO, nós, como país membro, estamos na mira do Kremlin que tem os seus mísseis apontados a toda a Europa Ocidental desde há várias décadas (ou pensavam mesmo que o fim da Guerra Fria tinha mudado alguma coisa neste âmbito?).

Basta uma pequena ogiva de urânio ou plutónio para reduzir Lisboa a um incandescente inferno radioactivo. Para se ir mais longe e riscar literalmente Portugal do mapa, não seriam necessárias mais do que meia-dúzia de ogivas nucleares com uma potência equivalente às bombas de Hiroshima e Nagasaki. Podem ter a certeza que os "artilheiros" russos ao comando dos mísseis intercontinentais, em caso de guerra total, não se iriam esquecer do nosso País que é membro da NATO e até hospeda oficialmente desde 1948 uma base militar americana numa das suas ilhas...

Claro que, para os Estados Unidos da América a hipótese de nós sermos reduzidos a um deserto radioactivo é apenas um mero "dano colateral" que sem sombra de dúvida os estrategas do Pentágono consideram como sendo aceitável. Mas, para nós portugueses, a hipótese de ver Portugal (se ainda estivermos vivos para isso...) ser reduzido a um deserto radioactivo não é nenhum mero "dano colateral", mas sim um risco muito grave e sério que a nossa classe política não está a avaliar com o devido cuidado. Pois se estivesse, nós já estaríamos fora da NATO há muito tempo...

O que se passa é muito simples. A geopolítica mudou e com ela os nossos interesses. A ameaça comunista representada pelo Pacto de Varsóvia durante a Guerra Fria era uma ameaça real e perigossísima. Basta ter-se em conta que os soviéticos tinham cerca de 150 divisões militares preparadas para tomar de assalto a Europa Ocidental, a acrescentar a isto o armamento nuclear que fazia pender constantemente sobre a nossa cabeça uma espada de dâmocles.

Ora, uma vez findada a Guerra Fria, no início da década de 1990 e derrubada a Cortina de Ferro, as divisões militares soviéticas deixaram de constituir uma ameaça, mas os arsenais nucleares, apesar de reduzidos, continuam apontados a nós e tanto os Estados Unidos, como a Rússia têm poder nuclear suficiente para provocar um Apocalipse a nível mundial se assim o desejarem.

A Guerra Fria entretanto deu lugar a uma "Guerra Fresca" entre os Estados Unidos e a Rússia de Putin. A actual crise na Ucrânia deixa bem claro que a Rússia não está para brincadeiras e qualquer loucura pode descambar na Terceira Guerra Mundial, disso também não duvidem.

Recentemente, no dia 16 de Março de 2014, o homem escolhido por Putin para liderar um dos canais de televisão ao serviço do Kremlin, Dmitry Kiselyov, veio afirmar alto e bom som na televisão, com uma gigantesca nuvem de cogumelo radioactiva a fazer de fundo, que "a Rússia é o único país no mundo com capacidade para realmente transformar os Estados Unidos em cinzas radioactivas". Para mim, isto basta como sinal e aviso, não é necessário mais.


Dmitry Kiselyov ameaça reduzir os Estados Unidos a "cinzas radioactivas".


A NATO actualmente deixou de servir os nossos interesses e acarreta-nos um risco mortal de guerra nuclear ao qual nós não temos necessidade nenhuma de estar ligados.

Portugal foi até um dos membros fundadores da NATO a 4 de Abril de 1949 e na fase inicial usufruimos das largas vantagens desta adesão. A melhoria das infra-estruturas militares, tácticas, doutrina e armamento, para além de uma garantia de defesa contra o nêmesis soviético, foram tudo áreas onde Portugal beneficiou com a sua adesão à NATO. Porém, a NATO não nos ajudou quando a União Indiana nos atacou sem provocação em 1961, numa clara violação do Direito Internacional. A NATO também não nos ajudou quando nesse mesmo ano a Guerra do Ultramar teve início. Bem pelo contrário, os Estados Unidos ainda ajudaram a financiar os nossos inimigos e o Presidente Kennedy não hesitou em espetar-nos uma faca nas costas.

Com a excepção da protecção da ameaça soviética e as melhorias de infra-estrutras, tácticas, doutrina e equipamento. A NATO não trouxe a Portugal mais benefício nenhum e actualmente a única coisa que faz é colocar-nos debaixo da mira dos "artilheiros" nucleares do Kremlin, posição esta em que nenhum português de boa saúde mental pode desejar estar.

Hoje, é mais do que óbvio que o principal beneficiário da NATO são os Estados Unidos e são estes também quem mais contribui para a NATO em todos os aspectos. Portugal tem um papel pequeno na NATO, porém, em troca deste pequeno papel, somos obrigados a arcar com o permanente risco de um ataque nuclear a qualquer momento por parte da Rússia. Sendo assim, os ganhos não compensam os riscos e é por esse mesmo motivo que defendo a saída imediata da NATO por parte de Portugal.

A classe política portuguesa só tem de ter em conta que os desastres podem acontecer e que tal como em 1914 fomos arrastados para uma guerra que não nos interessava, resultante de um erro histórico de proporções épicas, também hoje, em 2014, os erros de proporções épicas podem acontecer e ao contrário de há cem anos atrás, hoje existem armas nucleares com capacidade para reduzir uma Nação inteira a "cinzas radioactivas" em poucos minutos...



 
João José Horta Nobre
Março de 2014



Publicado no "Diário de Notícias" a 17 de Abril de 2014. 

Link: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/jornalismocidadao.aspx?content_id=3818780&page=-1





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