quarta-feira, 2 de abril de 2014

Quem Tem Medo dos Nacionalistas?

Uma capa da revista "Time" de Agosto de 2009 onde já se faz alusão à reemergência do Nacionalismo na Europa.


"Quem semeia ventos, colhe tempestades." - Provérbio Popular

Um espectro ronda a Europa - o espectro do Nacionalismo. Esta será talvez a maior preocupação da actual esquerda europeia e de muitos partidos da direita politicamente correcta. Habituados durante décadas a dominarem por completo a cena política europeia, os actuais donos do poder andam assustados com o fenómeno do ressurgimento do Nacionalismo que não foram capazes de prever devido aos dogmas que sempre lhes rechearam a cabeça e os impedem de ver politicamente mais além. Samuel Huntington já tinha previsto tudo o que agora está a acontecer no seu famosíssimo Choque de Civilizações, livro esse, aliás, que desde há muito forma a própria pedra angular do meu pensamento quando faço qualquer análise político-estratégica e que nunca deixa de estar presente quando diariamente consulto os jornais e vejo as asneiradas que se estão actualmente a cometer na Europa pela mão da esquerda e da direita politicamente correctas.

O que se passa é muito simples e de simples explicação. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, o Nacionalismo teve uma temporária morte político-ideológica em consequência da derrota do nazi-fascismo. Nem os Estados Unidos, nem a União Soviética desejavam ver de novo nacionalistas a marchar na Europa e tudo fizeram nesse sentido. Na Europa que ficou refém da Cortina de Ferro, os soviéticos tentaram a todo o custo criar um "homem novo", internacionalista e capaz de exportar o Socialismo para todo o Mundo. Esta experiência científica, nunca antes tentada na história da humanidade, foi um rotundo fracasso e o sonho soviético acabou por implodir deixando atrás de si um mar de povos traumatizados, humilhados e sedentos de vingança por todas as décadas de crimes e horrores contra si praticados pelos seus carcereiros comunistas.

Na Europa Ocidental, pró-americana e capitalista. A Guerra Fria foi passada sob o sonho da eterna prosperidade demo-liberal. O demo-liberalismo foi apresentado aos europeus como sendo algo que iria durar eternamente e a prosperidade trazida pelos Trinta Gloriosos ajudou a cimentar essa crença. A implosão do Mundo Socialista no início da década de 1990 embriagou literalmente o Ocidente e fê-lo perder por completo a noção da realidade. Um certo Fukuyama até anunciou aos sete ventos o "fim da história" e tornou-se de um dia para o outro uma espécie de profeta do demo-liberalismo. Tudo parecia correr de vento em popa até o primeiro desastre acontecer na antiga Jugoslávia...

A guerra na antiga Jugoslávia deveria de ter servido de aviso a todas as elites europeias para o que aí vinha. Mas a história demonstra que, por norma, as elites têm uma visão curta e têm uma certa tendência para perderem a noção da realidade ao fim de algumas décadas no poder. Recusando-se a encarar a realidade, as elites cederam às exigências da turba esquerdista do politicamente correcto e como cãezinhos obedientes, foram implantando passo a passo toda uma série de exigências da esquerda que já não pretende fazer a revolução pelas armas, mas através da cultura. Este Marxismo Cultural, insidioso e corruptor, chegou ao ponto de se infiltrar até nos partidos mais conservadores da Europa que hoje se vergam cobardemente perante as exigências dos marxistas, receando que se não o fizerem poderão ser rotulados de "extremistas", "racistas", "fascistas", "homofóbicos", etc... é a lengalenga do costume.

Entretanto, os nacionalistas foram os únicos que contra tudo e contra todos lutaram praticamente sozinhos durante anos contra esta ofensiva marxista. Abandonados pelos conservadores e traídos pelos liberais, os nacionalistas continuaram entrincheirados nas suas posições pacientemente à espera do dia D.

E que dia D é este a que se referem os nacionalistas?

Básicamente, os movimentos nacionalistas sabiam e sabem três coisas que aprenderam estudando as tácticas dos próprios movimentos marxistas:

1º - Se esperarem o tempo suficiente e não se vergarem perante nenhuma exigência do establishment, isso irá acabar por transformá-los em mártires e funcionará a seu favor, nem que tal leve 100 anos para produzir os resultados desejados.

2º - As políticas de engenharia social promovidas pela esquerda na Europa - especialmente a emigração em massa - são uma receita para o desastre, pois vão provocar graves crises de conflito étnico na Europa e vão criar ódio nos povos da Europa contra a esquerda e a direita politicamente correctas que acabarão por ser responsabilizadas por terem criado esses problemas.

3º - As políticas neoliberais actualmente a serem praticadas na Europa, vão criar mais pobres do que ricos e vão enraivecer os povos da Europa contra a direita politicamente correcta.

Esgotada assim a esquerda e a direita tradicionais, quem vai restar para colocar a casa em ordem? A resposta é mais do que óbvia...

Não sou partidário da explicação propagada em muitos meios que responsabiliza única e exclusivamente a actual crise do Capitalismo pela reemergência do Nacionalismo na Europa. Na realidade, esta reemergência do Nacionalismo tem raízes muito mais profundas e está ligada a um certo orgulho ferido que muitos europeus neste momento sentem. Não restam dúvidas de que muitos europeus sentem-se hoje humilhados e ultrapassados pelo Mundo e têm nostalgia da sua velha glória imperial, da qual abdicaram em troca da prosperidade e do bem-estar demo-liberal. O problema é que esta prosperidade e este bem-estar oferecido durante décadas pelo demo-liberalismo, está começando a escassear e o sistema político tal como é hoje não está a conseguir sair (nem vai conseguir sair...) do atoleiro em que se encontra. Se associarmos a estes factos os problemas etno-culturais criados pela imigração em massa na Europa durante as últimas décadas, então temos aqui a receita perfeita para um desastre que pode acabar de forma muito sangrenta...

Deixemo-nos de conversa fiada e de fugir à realidade. Factos são factos e o facto é que a esmagadora maioria dos europeus são racistas e/ou preconceituosos. E a maioria dos imigrantes também são racistas e/ou preconceituosos. Estes imigrantes em muitos casos não se integram, não se querem integrar e muitos europeus também não querem que eles se integrem, pois vêem-nos como invasores. Por mais incómoda que seja, esta é a realidade social da Europa e não é empurrando à força o assim-chamado "multiculturalismo" para cima dos povos da Europa que se vai resolver o problema, bem pelo contrário, esta política que tem sido praticada pelos “engenheiros sociais” que têm estado ao comando da Europa, pode abrir o caminho para uma balcanização da mesma, que eventualmente pode até acabar em genocídios e guerras civis à moda da Jugoslávia...

Ora, a esquerda quer a todo o custo que os europeus aceitem de braços abertos toda a alma que lhes vem bater à porta e ofende e persegue nos media qualquer um que não alinhe na sua "missa cantada". Com o passar do tempo está-se assim a criar uma autêntica “panela de pressão” na Europa que pode rebentar a qualquer momento, aliás, já há quem diga que a França é hoje uma “bomba-relógio” devido aos inúmeros choques etno-culturais que já se fazem sentir no País. Esta é, sem dúvida, a fórmula perfeita para uma guerra étnica semelhante àquela a que já assistimos na Jugoslávia nos anos 1990, com esquadrões de morte e "ajustes de contas" à mistura. A direita politicamente correcta, na sua larga maioria, não tem a coragem necessária de fazer frente ao problema e eu sinceramente até acho que ela própria nem sabe o que há-de fazer, pois a situação já saiu fora de controlo...

Mais uma vez, os únicos que restam em toda esta tragédia para "tomar conta da coisa" são os nacionalistas. Pois eles são os únicos que têm estado afastados do poder desde a Segunda Guerra Mundial e não são eles quem tem sujeitado nações inteiras aos diktates do FMI e da União Europeia. Não foram os nacionalistas que transformaram a Europa na actual palhaçada política, sem rei, nem roque, com países à beira da bancarrota e massas de imigrantes socialmente excluídos a viver quase única e exclusivamente de subsídios em bairros degradados e onde por vezes até a polícia tem medo de entrar. Não foram os "pavorosos" e "fascistas" nacionalistas europeus que permitiram voos da CIA com presos para Guantánamo e outros locais onde eram posteriormente torturados. Não são os nacionalistas que espiam diariamente milhões de emails e chamadas telefónicas sem qualquer mandato judicial. Não foram os nacionalistas que criaram as tremendas dívidas que estão neste momento a asfixiar países como Portugal e a Grécia. Bem pelo contrário, tudo isto aconteceu nas tais "democracias humanistas" que foram durante muito tempo apresentadas como o sistema político perfeito para resolver todos os problemas.

Tudo isto aconteceu porque o tal sistema "democrático" tal como está construído, é um fracasso e hoje só não vê isso quem não quer ver. Foram os próprios "democratas" que destruíram a "democracia", portanto agora queixam-se do quê? A partidocracia, a corrupção, a plutocracia, o nepotismo, a decadência civilizacional, tudo isto são elementos que caracterizam e definem as actuais "democracias" europeias.

Os povos da Europa estão fartos disto e já estão a mostrar isso nas urnas de voto. Portanto, é mais do que óbvio que nos próximos anos vamos assistir a uma gradual mas segura reemergência do Nacionalismo como fenómeno político de relevo um pouco por toda a Europa. É ainda demasiado cedo para prever as consequências desta situação, porém, é inegável que o tempo em que os marxistas e demo-liberais dominavam em exclusivo a cena política europeia acabou. E nem adianta demonizarem os nacionalistas com epítetos chamando-lhes de "fascistas", "racistas", "extrema-direita", etc..., pois "o fruto proibido é o mais apetecido" e quanto mais os demonizarem, mais apoio popular eles vão acabar por ter.

Também é necessário não esquecer que o principal responsável por toda esta situação é a extrema-esquerda. Já há anos que ando a dizer que a extrema-esquerda é a melhor "amiga" dos nacionalistas, pois é ela que origina uma boa parte do fermento social que lhes dá força. A radicalização da esquerda na Europa durante os últimos 20 anos já foi tão longe com a censura do politicamente correcto e a "tolerância repressiva" de Marcuse, que hoje, qualquer pessoa que defenda o fim da imigração em massa arrisca-se a levar logo em cima com o epíteto de "extrema-direita". Esta radicalização da esquerda, naturalmente conduziu a uma radicalização dos nacionalistas, radicalização esta que só tem vindo a ganhar cada vez mais apoio graças às políticas da esquerda. É paradoxal de se dizer, mas hoje, mais do que nunca, a esquerda é e continuará a ser ainda durante alguns anos, a melhor "amiga" dos nacionalistas. A esquerda é a força política que recruta mais militantes para o campo nacionalista, pois muitos europeus sentem-se cada vez mais ultrajados com aquilo que consideram ser "o assalto da esquerdalha destruídora" contra a sua Pátria e reagem revoltados alistando-se ou dando apoio aos grupos, movimentos e partidos de cariz nacionalista que estão hoje a surgir como cogumelos um pouco por toda a Europa.

Entretanto, os políticos e os comentadores de serviço da nossa praça vão continuar perdidos e em busca de explicações "mágicas" que nunca vão encontrar, pois a larga maioria pertence a uma elite que vive entrincheirada em torres de marfim e que já há muito tempo perdeu por completo a noção da realidade. O seu desespero já é mais do que aparente e as recentes e retumbantes vitórias da Frente Nacional em França apenas vieram evidenciar isto ainda mais. Esta gente tem a cabeça contaminada pelo politicamente correcto e pelas fantasias do "fim da história" anunciadas por Fukuyama. Anestesiados pelas estórias da carochinha sobre a eternidade do demo-liberalismo, do globalismo e da pax eterna, esta gente já não dá conta de si e dela só podemos esperar incompetência e mentira.

Acima de tudo, o que está a deixar em estado de choque o establishment (o mesmo establishment que há apenas 10 anos atrás anunciava a morte do Nacionalismo...), é a resistência e a vontade de combater demonstrada pelos nacionalistas, que estão a marchar de vitória em vitória, imparáveis e dispostos a ir até ao fim e fazer o que for preciso fazer para acabar com aquilo que consideram ser a decadência em que as nações da Europa caíram. O que aí vem é impossível de prever com exactidão, mas de uma coisa podemos ter a certeza - a Europa caminha para uma nova ordem.

João José Horta Nobre
Abril de 2014






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