sábado, 24 de maio de 2014

O Martírio da Ucrânia

A estátua da Deusa-Mãe eslava Berehynia no centro da praça Maidan em Kiev.



«A Ucrânia — a palavra em ucraniano quer dizer ‘Terra de Fronteira’ — é um país na charneira da Europa Central com a Rússia. Recuperou a sua independência no desfazer da União Soviética e, nessa ocasião, trocou o azul e encarnado com a estrela, a foice e o martelo, de bandeira da República Socialista da URSS, pela bandeira azul e amarela.
 
O azul significa o céu, o amarelo o trigo das estepes, símbolo da terra fértil que faz da Ucrânia o celeiro do Império russo.» - Jaime Nogueira Pinto in "Holodomor - O Genocídio da Ucrânia"

Contava-me há dias uma amiga ucraniana - natural de Ivano-Frankivsk - a trágica história da sua família às mãos do Imperialismo Alemão e Russo. O Holodomor, a invasão e consequente ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial e a continuação do terror estalinista já no pós-guerra. Mesmo depois da morte de Estaline a tortura continuou, a constante negação do Holodomor, a humilhação da Ucrânia espézinhada pelo colosso soviético do qual nunca quis fazer parte, mas ao qual mesmo assim foi compulsivamente obrigada a pertencer.

As lojas vazias, um verdadeiro símbolo da total ineficiência do modo de produção socialista. A Guerra no Afeganistão para onde muitos ucranianos foram arrastados para a morte, num conflito onde não pertenciam, mas onde mesmo assim foram obrigados a combater. Por fim, o desastre nuclear de Chernobyl e as psicadélicas mentiras do regime soviético que continuou a negar a gravidade do mesmo durante semanas a fio e nunca compensou adequadamente nem as famílias das vítimas, nem os afectados que ficaram com sequelas para o resto da vida.

Não resisti a perguntar-lhe quem tinha sido pior: se os russos ou os alemães?

"Os russos!" - respondeu-me sem hesitar.

"A minha avó dizia que os alemães sempre nos davam alguma comida, mas os russos não nos davam nada. Queriam-nos ver todos mortos!..."

Sendo uma parte da sua família de origem polaca, disse-me que já tentou encontrar familiares na Polónia, mas não conseguiu encontrar nada.

"Queimaram tudo." - foi a sua explicação.

Presumo que terá sido durante a Segunda Guerra Mundial que os registos foram queimados acidental ou propositadamente. Também é possível que tenham sido destruídos já no pós-guerra por ordens de Estaline. Não se sabe e provavelmente nunca se irá saber.

O que se sabe é que esta destruição da memória genética em larga escala tem efeitos devastadores e traumatizantes para qualquer povo. Estamos a falar de famílias inteiras que passaram por massacres, limpezas étnicas, genocídios, fomes artificiais e mais de setenta anos de engenharia social à moda soviética.

O relato da minha amiga ucraniana deixou-me estarrecido e francamente triste pela sua crueza, mas simultâneamente é um exemplo do martírio pelo qual a Ucrânia e o povo ucraniano têm passado ao longo de séculos.

Após toda esta loucura, quando finalmente pensavam que íam ter alguma paz e prosperidade, o passado voltou a amedrontá-los, mas desta vez metamorfoseado. O "camarada" Estaline passou a ser o Presidente Putin e este já não usa o uniforme cinzento tão típico dos líderes do Mundo socialista, mas um fato e uma gravata. Agora as patifarias do Imperialismo russo já não são feitas em nome da construção utópica dos "amanhãs que cantam", mas sim em nome da "Grande Rússia" e da União Eurasiática com que Putin continua a delirar há anos sem fim. 

Para complicar ainda mais toda esta real bagunça, temos a moribunda e apática União Europeia que "condena" todos os dias, várias vezes por dia, a intervenção russa na Ucrânia e ameaça com toda a espécie de sanções, mas que na realidade não tem força para nada e os eurocratas de Bruxelas também sabem que já ninguém os leva a sério em parte alguma do Mundo. Ainda assim e apesar de tudo isto, o circo e a fantochada prosseguem e vão continuar a prosseguir até os povos da Europa se fartarem de vez (algo para o qual já não deve faltar muito pelo actual andar da carruagem...).

Os yankees também entram na "festa" (como não podia deixar de ser...) e continuam a fazer de conta que são "amigos" do povo ucraniano. Mas na realidade, os escroques e especuladores da alta finança que controlam o governo estado-unidense (assim como a esmagadora maioria dos governos mundiais...), apenas vêem na Ucrânia mais uma espectacular oportunidade de negócio que desejam aproveitar ao máximo, independentmente do custo social e humano que isso possa acarretar para o povo ucraniano.

A Ucrânia está portanto entregue a um martírio lento às mãos de três carrascos (Rússia, UE e EUA) que parece não ter fim à vista. As causas deste martírio poderão ser melhor entendidas se analisarmos os interesses económicos que estão em jogo desde o início da Euromaidan e que têm raízes históricas muito mais profundas do que poderá parecer à primeira vista.

A Ucrânia tem sido historicamente considerada como sendo o "celeiro da Rússia" e/ou "o celeiro da Europa", devido à sua importância estratégico-económica que Moscovo e Bruxelas (ou seja, a Alemanha e os EUA) consideram como sendo vital para os seus próprios interesses. Na antiga União Soviética a Ucrânia era já a segunda república com mais poder económico. Terá sido este facto que fez com que Estaline não se importasse de assassinar milhões de ucranianos à fome durante o Holodomor, numa vã tentativa para aniquilar definitivamente toda a resistência nacional ucraniana que ele sabia poder vir a ressurgir com toda a força a qualquer momento.




O projecto genocida de Estaline falhou redondamente na Ucrânia, pois nem o povo ucraniano desapareceu como entidade étnica, nem a resistência nacional ucraniana foi aniquilada, mas as feridas provocadas no tecido social ucraniano permanecem por sarar décadas após o Holodomor. Vale a pena relembrar também que enquanto decorreu o Holodomor, a esmagadora maioria dos partidos marxistas na Europa fechou os olhos ao massacre do povo ucraniano às mãos de Estaline.

Muitos governos do Ocidente capitalista também não tiveram problemas em fazer negócios com a União Soviética de Estaline e importaram milhões de toneladas de grãos de cereais confiscados aos ucranianos que estavam então a ser mortos pela fome. Durante os anos do Holodomor (1932-1933), as exportações de grãos da Ucrânia atingiram o nível máximo de toda a década de 1930. É impossível que os governos ocidentais não tivessem conhecimento sobre o horror que se estava então a passar na Ucrânia, mas mesmo assim nada impediu estes de continuarem a celebrar negócios com Estaline como se nada se passasse...

Os media ocidentais da época publicaram diversas reportagens em jornais onde informavam detalhadamente sobre o carácter e a escala do genocídio então a ser praticado na Ucrânia. O jornal Chicago Herald and Examiner foi um dos que mais agressivamente denunciou o Holodomor. Se a imprensa estado-unidense sabia do que se estava a passar na Ucrânia, o governo estado-unidense com certeza que também tinha conhecimento da situação, assim como a esmagadora maioria dos governos ocidentais. 


Uma reportagem do "Chicago Herald and Examiner" datada de 1933. A imprensa estado-unidense, à semelhança da imprensa de praticamente todos os países ocidentais, sabia do que se estava a passar na Ucrânia. Infelizmente, tal não impediu os governos ocidentais de darem a mão a Estaline e terem relações económicas com a União Soviética durante todo o Holodomor como se nada se passasse.


Infelizmente o lucro falou mais alto (tal como continua a suceder hoje...) e o Ocidente capitalista não teve problemas em fazer "vista grossa" ao Holodomor e continuar a praticar business as usual com a União Soviética enquanto os ucranianos eram implacavelmente exterminados à frente de todo o Mundo.

O Holodomor é um exemplo perfeito de como nem o Ocidente capitalista (desde sempre dominado pela alta finança...), nem a Rússia (na época a União Soviética), alguma vez se preocuparam minimamente com o destino do povo ucraniano (nem com mais povo nenhum diga-se de passagem...) e apenas o desejam manipular a seu belo prazer de forma a atingirem o mesmo velho objectivo de sempre: lucro e conquista/manutenção de interesses estratégicos.

Isto que sirva de lição e advertência às restantes pequenas e médias nações da Europa e do Mundo sobre o tratamento que lhes pode estar reservado para um futuro não muito distante às mãos das grandes potências...

A Ucrânia após a implosão da União Soviética em 1991, caiu num processo de declínio económico maior que o da própria Rússia durante os terríveis anos sob a liderança de Boris Yeltsin. A economia ucraniana sofria de toda uma série de desequilíbrios estruturais que herdou do antigo sistema soviético e que a corrupção política galopante no País apenas veio agravar. Os métodos de produção eram obsoletos, a indústria sofria de pouco autonomia, pois é necessário não esquecer que no antigo modelo económico socialista a iniciativa privada era rotundamente proibida e toda a economia estava dependente das directrizes emanadas do governo central. A Ucrânia também carecia de quadros bem preparados para funcionar numa economia de mercado capitalista.

Para agravar toda esta situação, em termos energéticos a Ucrânia estava e continua a estar largamente dependente da Rússia. As reformas de liberalização económica previstas na década de 1990 foram sendo sucessivamente adiadas e colocou-se em prática uma desastrosa política de intervencionismo monetário que fez disparar a inflação para níveis assustadores. 

Resumindo: A Ucrânia é o exemplo perfeito de tudo aquilo que um País não deve fazer quando tenta converter a sua economia de um modo de produção socialista para um modo de produção capitalista...

A Ucrânia é uma Nação rica em recursos minerais, tanto em quantidade, como em variedade. Possui as maiores minas de antracite do Mundo na grande região minero-industrial de Donbass, assim como importantes depósitos de hulha e ferro. As enormes reservas de carvão infelizmente encontram-se subaproveitas devido ao facto de se encontrarem em veios de difícil acesso. Existem também no território ucraniano jazidas de manganês, urânio, titânio, alunite, ozocerite, mercúrio, enxofre, sal, grafite e gesso.

Mas é o petróleo e o gás natural que mais polémica provocam. A Ucrânia possui algumas reservas de petróleo, mas estas não chegam sequer para abastecer a indústria pesada e o sector petroquímico, algo que leva a uma forte dependência em relação aos fornecimentos russos.

Para além da dependência ucraniana, existe e dependência da Europa que consome o gás e o petróleo que atravessam obrigatoriamente o território ucraniano. "A Rússia é fornecedora de cerca de 40% do gás e petróleo que a Europa consome. 80% deste gás e petróleo atravessam o território ucraniano."[1]

Há uma disputa pelos recursos naturais ucranianos por parte da UE e dos EUA de um lado e a Rússia do outro. A Chevron tem um acordo de 400 milhões de dólares com a Ucrânia para proceder à exploração de gás de xisto no território e a Exxon Mobil e a Royal Dutch Shell também já celebraram acordos com vista à exploração de gás de xisto.[2]

Muito recentemente foi também noticiado que Hunter Biden, o "filho mais novo do vice-Presidente dos EUA Joe Biden", entrou "para a administração da Burisma Holdings, a maior empresa privada de petróleo e gás da Ucrânia."[3]


Hunter Biden e Joe Biden lado a lado. O filho, tal como o pai, tem ar de escroque...

 
No campo agrícola e da indústria alimentar também existem interesses instalados e outros com desejo de se instalarem na Ucrânia. As famosas terras negras que caracterizam o centro do País, transformaram a agricultura num dos pilares fortes da economia ucraniana. Trabalham no sector florestal e agro-pecuário cerca de um quinto da população e a agricultura representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia.[4]

Não foi ao acaso que a Ucrânia passou a ser considerada como sendo "o celeiro da Rússia" e/ou "ou celeiro da Europa". Trata-se "apenas" do nono maior produtor mundial de trigo e o quinto maior produtor mundial de milho.[5] Para além do trigo e do milho, a Ucrânia também produz e exporta beterraba, batata, oleaginosas, forragens, linho, hortaliças, tabaco, frutas, bebidas espirituosas e até algum vinho. A criação em escala indústrial de gado vacum, porcino, ovino e caprino também está significativamente desenvolvida. A apicultura e a sericultura também registam um potencial relevante.

Um dos maiores problemas enfrentados pela agricultura ucraniana é essencialmente a baixa competitividade que se deve à insuficiente mecanização e modernização das explorações agrícolas, um problema herdado já do antigo modelo económico socialista. Outro problema também preocupante é a contaminação dos solos agrícolas provocado pelo desastre nuclear de Chernobyl em 1986. Cerca de 15% da área agrícola útil da Ucrânia teve de se deixar de cultivar devido à contaminação radioactiva dos solos.

Estas limitações não impedem contudo que a Ucrânia não possa melhorar imenso a sua infra-estrutura económica no campo agrícola a médio/longo prazo e aumentar consequentemente as suas exportações de forma bastante significativa. Só até ao fim do actual ano comercial de 2013-2014 espera-se que a Ucrânia exporte no mínimo 18.5 milhões de toneladas de milho.[6]

Muitos decerto pensarão que o actual conflito na Ucrânia nada ou muito pouco tem a ver com os interesses da indústria alimentar, mas na realidade a "mão invisível" dos gigantes mundiais da indústria alimentar está bem presente na Ucrânia.

Só para a Rússia, a Ucrânia exporta 20% da sua produção agrícola (incluindo os produtos não-alimentares) e a União Europeia absorve 17% da mesma. A China (7%), a Turquia (6%) e os Estados Unidos (4%) são outros mercados-chave para onde a Ucrânia exporta anualmente os seus produtos agrícolas.[7] 

Uma das maiores multinacionais americanas da indústria alimentar - a Archer-Daniels-Midland - já foi acusada formalmente pela U.S. Security Exchange Commission (SEC) de violar o Foreign Corrupt Practices Act. Alegadamente e segundo a acusação do SEC, a multinacional em causa terá subornado membros do governo ucraniano desde 2002. Posteriormente, a Archer-Daniels-Midland acabou condenada a pagar um total de 54.3 milhões de dólares em multas.[8]




Depois temos os interesses asiáticos que têm tido um peso crescente na tabela das exportações agrícolas ucranianas. O bilionário Oleg Bakhmatyuk é o dono da empresa Avangardco, que por sua vez é "apenas" a segunda maior produtora mundial de... ovos![9]

Só em 2012 a Avangardco terá produzido 6.3 biliões de ovos e estes foram exportados maioritariamente para a Rússia, as ex-repúblicas soviéticas, o sudoeste asiático, o Médio Oriente e alguns países africanos.[10] 

Da Ucrânia para a China foram feitas exportações no valor de 270 milhões de dólares durante todo o ano de 2012. Em 2013, este valor subiu para mais de 380 milhões de dólares apenas nos primeiros seis meses desse ano.[11] Ambos os países também assinaram um acordo de "empréstimo-em-troca-de-milho" em 2012.[12] Estão assim em crescendo as relações económicas entre a China e a Ucrânia, não será por isso de estranhar a forma como a China se tem mantido silenciosa e reticente em apoiar abertamente qualquer uma das partes em conflito actualmente na Ucrânia. À China interessa-lhe acima de tudo assegurar os seus interesses económicos na Ucrânia, tudo o resto lhe é secundário e marginal. 

Não é portanto credível que a China esteja a apoiar a desestabilização da Ucrânia promovida por Putin, pois tal desestabilização pode prejudicar severamente os interesses chineses e Pequim sabe disso mesmo. Mas a Pequim também não lhe interessa uma Ucrânia dominada pela UE e os EUA, é por isso de crer que a China deseje que a situação na Ucrânia se resolva o mais depressa possível e de preferência sem colocar os seus interesses em causa. Talvez não fosse má ideia o novo regime em Kiev oferecer algumas garantias à China em troca de algum apoio diplomático por parte da grande potência asiática...

O martírio da Ucrânia não é fácil nem de explicar, nem de compreender. Essencialmente, ele advém de toda uma série de factores que estão intimamente ligados a interesses estratégico-económicos. Há demasiados interesses em jogo na Ucrânia e no fim, a maior vítima de todo o jogo sujo promovido pelas grandes potências e os grandes interesses económicos será indubitavelmente o povo ucraniano. 

No ano em que se comemora o centenário do deflagrar da Primeira Guerra Mundial, seria de esperar mais juízo e capacidade por parte da classe política ocidental, mas o que temos visto é a repetição dos mesmos erros que já foram cometidos no passado e o alastrar da incompetência e mediocridade, especialmente por parte da política externa da UE, que no fundo é hoje quase única e exclusivamente determinada pelos grandes interesses económicos que hoje controlam a Europa e a conduzirão de novo rumo ao desastre se nada entretanto for alterado.

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Notas:
[1] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/
[2] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/
[3] DUARTE, Pedro - Filho de Joe Biden Contratado Por Empresa de Gás Ucraniana. Económico, 15 de Maio de 2014. Link: http://economico.sapo.pt/noticias/filho-de-joe-biden-contratado-por-empresa-de-gas-ucraniana_193292.html
[4] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/  
[5] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/  
[6] POLANSEK, Tom - ADM, Bunge Say Ukraine Operations Normal; Monitoring Situation. Reuters, Chicago, 03 de Março de 2014. Link: http://www.reuters.com/article/2014/03/03/adm-bunge-ukraine-idUSL1N0M01JK20140303
[7] INVEST IN UKRAINE - Bread Basket of Europe. Link: http://www.investukraine.net/agriculture/bread-basket-of-europe/
[8] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/
[9] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/
[10] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/
[11] LOGAN, Nick - Who has economic interests in Ukraine? It's Not Just Russia. Global News, 03 de Março de 2014. Link: http://globalnews.ca/news/1185072/who-has-economic-interests-in-ukraine-its-not-just-russia/
[12] OLEARCHYK, Roman; BLAS, Javier - Ukraine Agrees $3bn Loan-For-Corn Deal. Financial Times, 19 de Setembro de 2014. Link: http://www.ft.com/intl/cms/s/0/79bc2174-0276-11e2-8cf8-00144feabdc0.html
 

João José Horta Nobre
Maio de 2014








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