terça-feira, 27 de maio de 2014

Sobre as Europeias de 2014



"Em lugar de trazer paz e harmonia, a UE acabará por trazer insurreição e violência." - Nigel Farage, eurodeputado e líder do UK Independence Party

Há já um bom número de anos que ando a repetir que a União Europeia não passa de um desastre à espera de acontecer. Sou aberta, frontal e visceralmente contra a actual União Europeia e tudo o que a mesma representa. Por isso, também assumo sem rodeios que foi com imenso prazer que assisti à derrota dos partidos do "sistema" por toda a Europa sob o jugo de Bruxelas.

A União Europeia não passa hoje de uma entidade hiper-burocrática dominada pela alta finança e pelos ditos "mercados" financeiros. Inicialmente, o projecto europeu até pode ter tido boas intenções, algo do qual não duvido, mas com o passar do tempo este deixou-se corromper pelo alto capital e instalaram-se no seio do mesmo uma miríade de interesses obscuros que todos os dias influenciam a nossa vida e a nossa conta bancária, sem que a esmagadora maioria dos cidadãos tenha a mínima noção de tal.

Para agravar ainda mais a situação, a União Europeia embarcou naquilo a que eu chamo de "multiculturalismo sob esteróides", ou seja, as instituições europeias em nome de uma tal "diversidade" acharam que tinham de nos ensinar a conviver com outras culturas e que tínhamos de tolerar toda a espécie de abusos e ofensas por parte de quem chega à nossa casa comum e não se quer integrar. Quem não alinhasse nesta política era rotulado de "racista" e/ou "xenófobo", mesmo que tivesse argumentos e preocupações perfeitamente bem sustentadas e justificadas. Pois bem, o resultado desta autêntica política de "caça às bruxas" foi tão "bom" que acabou por dar a vitória à senhora Marine le Pen em França e estamos a falar apenas da França...

Tudo isto aconteceu porque os eurocratas que "sabem tudo" não se lembraram de estudar um pouco de história (alguns até julgam que a história é uma coisa que "não serve para nada"...) de forma a poderem perceber que a Europa sempre foi um caldeirão de culturas muito diverso e extremamente violento. A história da Europa está pejada de guerras, massacres, limpezas étnicas e genocídios. Os "valores" da Europa infelizmente foram estes durante milénios e não o folclore maçónico da "liberdade, igualdade e fraternidade" que sempre fica muito bem repetir, mas que nunca teve qualquer aplicação prática na Europa da realpolitik. Os europeus em geral têm dificuldade em entender-se entre eles próprios, imagine-se então o que será com as culturas extra-europeias que literalmente invadiram os países mais ricos da Europa nas últimas décadas por via da imigração em massa...

Será que estou a ver novos genocídios, limpezas étnicas e Jugoslávias no horizonte? Não sei. Talvez sim, talvez não. O que sei é que a Europa irá muito provavelmente transformar-se num local perigoso e violento nas próximas décadas em consequência dos conflitos étnicos que estão aí já ao virar da esquina (na Europa de leste já começaram...).

Samuel Huntington já tinha entendido perfeitamente para onde estávamos a caminhar e até escreveu um excelente livro sobre isso, mas em Bruxelas duvido que os "adiantados mentais" que por lá habitam lhe tenham dado muito crédito... 

Existem três cenários que me parecem ser os mais prováveis neste momento para o futuro da União Europeia:

1º - A União Europeia acaba por resistir ao avanço nacionalista e transforma-se num leviatão federal e anti-democrático onde as nações da Europa acabarão por ser progressivamente diluídas até à sua extinção.

2º - A União Europeia implode ao estilo da ex-Jugoslávia e deixa atrás de si um continente de povos em conflito e guerra civil.

3º - A União Europeia é minada de dentro para fora e é extinta pacificamente ou então acaba profundamente redesenhada em todas as suas estruturas e organismos.

Qualquer um destes cenários é possível, o futuro dirá em que ficamos...

Estamos hoje a viver na Era da tecnocracia, uma Era em que a cultura e as ciências sociais são relegadas para segundo plano e entregues nas mãos de falsificadores e vigaristas que espalham mentiras nas universidades de forma a tentarem envenenar o cérebro da juventude. As universidades deixaram de ser locais onde se pensava, para passarem a ser locais de doutrinação político-ideológica, nada mais. Deu-se nestes locais uma estranha e muito paradoxal aliança entre o subtil mas insidioso Marxismo Cultural da Escola de Frankfurt e o pensamento neoliberal que actualmente predomina no campo da economia. O resultado é o que está hoje à vista de todos - uma sociedade incapaz de pensar construtivamente por si própria e desprovida de quaisquer valores ou causas sérias.

Julgo que nem o Diabo na mais profunda das suas perversões alguma vez se lembraria de "casar" o pensamento marxista com o pensamento neoliberal, mas é precisamente isso que caracteriza a política e as academias na actual Europa.

A União Europeia do "politicamente correcto" converteu-se assim num triste circo no qual já praticamente ninguém minimamente realista pode ou deve acreditar. Trata-se apenas de mais um projecto megalómano de engenharia social que inevitavelmente acabará no caixote de lixo da história - possivelmente com consequências muito trágicas e sanguinárias - se nada entretanto for alterado. 

Não quero viver numa Europa dominada por lojas maçónicas, lobbies, "mãos invisíveis", bancos e mercados anárquicos. Hoje, a União Europeia não passa disso mesmo e enquanto assim continuar, eu também continuarei a fazer tudo ao meu alcance para colocar um fim a esta loucura.

João José Horta Nobre
Maio de 2014





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