segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Já Perderam a Vergonha

Aili Jürgenson, uma estudante estoniana de apenas 15 anos que em 1946 foi colocada num vagão de gado e deportada para um gulag soviético por alegadamente ter participado na destruição de um monumento soviético de madeira em Tallinn. Só da Estónia terão sido deportadas cerca de 200,000 pessoas para gulags na União Sovética.


"O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós. 

O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é de civilização e de cultura —, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem."
- Fernando Pessoa
in 'Ideias Filosóficas'

Num texto publicado recentemente no blog Aventar intitulado Em louvor e glória dos egrégios avós[1], da autoria de um comunistazinho chamado João José Cardoso, pude recentemente ler aquilo que considero ser o texto mais anti-patriótico que me passou pelos olhos em toda a minha vida. O texto é um verdadeiro escarro em termos morais e intelectuais e para além de estar pejado de mentiras descaradas, constitui também um perfeito exemplo da hipocrisia da extrema-esquerda.

Vou-me abster de tecer mais comentários ao texto em causa por uma questão de higiene mental, mas fica o link acima para que os leitores possam consultar o mesmo e fazer o julgamento que acharem mais apropriado.

Quero apenas referir antes de dar por terminada esta breve nótula que é preciso ser-se mesmo muito hipócrita para que alguém que passou toda a vida a defender ditaduras comunistas que cometeram as maiores barbaridades possíveis e imaginárias, venha agora dar lições de civilidade seja a quem for. Repare-se que não estamos a falar de regimes que estratégicamente assassinavam alguns opositores políticos de forma a preservar o poder como o fizeram as ditaduras militares na América Latina a título de exemplo. Estamos, isso sim, a falar de regimes que cometeram genocídio em larga escala e na ordem dos milhões, utilizaram a escravatura, torturaram, separaram e assassinaram famílias inteiras, levaram nações à ruína, enfim, a lista de crimes seria demasiado longa para se enumerar aqui.

Há alguns anos recordo-me de ler um processo sobre uma jovem rapariga soviética chamada Nika que por ter cometido o "crime horrendo" de roubar um simples pepino (sim, leram bem, um pepino...) de uma quinta colectiva, foi presa e deportada para um campo de trabalhos forçados algures na Sibéria. Se a pobre rapariga conseguiu resistir muito tempo no terrível campo siberiano é coisa que eu não sei, o que sei é que houve muitas mais Nikas a terem o mesmo destino em nome dos dementes "amanhãs que cantam" e por esta mesma razão, sabendo-se o que se sabe hoje sobre o que se passou por detrás da cortina de ferro, é preciso ser-se mesmo um grandessíssimo filho da puta para continuar a defender este sistema de terror em massa.

Já perderam a vergonha e dúvido que à comunalha lhes reste perder mais alguma coisa!

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Notas:
[1] CARDOSO, João José - Em louvor e glória dos egrégios avós. Aventar, 10 de Novembro de 2014. Link: http://aventar.eu/2014/11/10/em-louvor-e-gloria-dos-egregios-avos/

João José Horta Nobre
Novembro de 2014






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