quinta-feira, 25 de junho de 2015

O Que Pretendem os Neoliberais?



"O plutocrata age no meio económico e no meio político sempre pelo mesmo processo — corrompendo. Porque estes indivíduos, a quem alguns também chamam grandes homens de negócios, vivem precisamente de três condições dos nossos dias: a instabilidade das condições económicas; a falta de organização da economia nacional; a corrupção política." - António de Oliveira Salazar, «Problemas da organização corporativa.» Conferência no S. P. N., em 13 de Janeiro de 1934, Discursos, Vol. 1, pp. 292-294

É comum ouvir falar-se nos dias de hoje de forma depreciativa sobre o neoliberalismo e os proponentes deste nem se devem de queixar de tal facto, pois os resultados obtidos por esta ideologia económica têm sido um verdadeiro desastre em todo e qualquer lugar onde foram aplicados.

Porém, o mais perigoso no neoliberalismo não é o facto de este ser um desastre do ponto de vista económico para a maioria da população, mas sim, o facto de ser um estrangeirismo importado, indiferente às características sócio-económicas das nações onde é implantado e por isso mesmo contrário ao interesse das mesmas. Quando ouço por aí na nossa praça pública economistas a defender o mantra neoliberal, ocorre-me apenas fazer-lhes uma pergunta e só uma pergunta: afinal os senhores são neoliberais ou são portugueses?

A batalha contra as ideologias importadas, sejam elas de esquerda ou de direita, é não apenas um dever moral, mas uma obrigação que incube a todo e qualquer patriota que se preze.

Por norma, estas ideologias infiltram-se na alma nacional de cada nação, da mesma forma que algumas células cancerosas se começam a desenvolver num órgão saudável. Posteriormente, a infiltração ideológica vai-se acentuando e tem sempre como alvos prioritários os meios académicos, as Forças Armadas e os meios ligados à política. A infiltração ideológica vai-se agudizando, tal como um cancro se espalha e vai destruíndo um órgão que de outra forma estaria perfeitamente saudável. Todos sabemos que se o cancro não for tratado atempadamente, o resultado inevitável será a morte do doente, da mesma forma que as infiltrações ideológicas que não são combatidas a tempo, acabam normalmente por resultar em graves desastres nacionais.

Temos um bom exemplo disto na tentativa fracassada de implantação do Liberalismo em Portugal durante o século XIX. O País acabou vítima da intoxicação ideológica sofrida pelas suas elites estrangeiradas em consequência das invasões francesas, que foram absolutamente devastadoras e nunca foram do nosso interesse, apesar da maçonaria (outro estrangeirismo importado...) hoje e já nessa altura mentir e afirmar o contrário.

A República foi outra invenção estrangeira que alguns "iluminados" nos impuseram. Nos últimos anos tem-se assistido nos meios académicos, políticos, sociais e culturais a um autêntico movimento de branqueamento da Primeira República, com inúmeras conferências e palestras a serem proferidas, mas com nenhuma a conseguir responder satisfatoriamente a uma pergunta: se a Primeira República foi tão boa como apregoam, porque é que esta apenas durou dezasseis anos e o seu derrube foi celebrado por praticamente todo o povo que estava farto de tanta balbúrdia?

Se o Liberalismo e a República foram um fracasso como já seria de esperar, pois não tinham nada a ver com a tradição política portuguesa ou com a nossa matriz nacional. As ideias marxistas que começaram a chegar à nossa costa em maior força a partir de 1917, acabaram por resultar no maior desastre nacional desde Álcacer-Quibir e com consequências que ainda hoje estamos e vamos continuar a pagar por inúmeras gerações.

O marxismo infectou a nossa elite de tal forma, que hoje é impossível compreender o Portugal contemporâneo sem compreender simultâneamente o modo de pensar e fazer política associado às forças marxistas.

Mas há uma outra ideologia, uma ideologia sui generis, que começou a ganhar terreno na nossa Pátria na década de 1980 e que desde então não deixou de se alastrar, tendo neste momento já infectado uma parte considerável das elites académicas que não se revêem no marxismo e uma parte substancial da classe política. Esta ideologia chama-se neoliberalismo e é basicamente uma antítese do marxismo.

Antes de avançar mais, vale a pena perguntar também se no meio de tantos marxismos, repúblicas, constitucionalismos, socialismos, neoliberalismos, anarquismos, nazismos e demais demências ideológicas, haverá tempo para a elite pensar em Portugal?

Aparentemente, parece que não...

À ânsia estatizante do marxismo, a seita neoliberal contrapropõe uma ânsia privatizadora que na minha opinião é tão ameaçadora para a Nação quanto a ameaça representada pelo marxismo.

Os portugueses devem de colocar mais uma questão que poucos têm a coragem de fazer: a quem servem todas estas ideologias apátridas? 

Ou de outra forma: quem beneficia com todos estes estrangeirismos ideológicos que por aí pululam intoxicando o melhor sangue da Nação?

É mais do que óbvio que as forças que mais têm a ganhar com tudo isto são as forças do alto capital. O alto capital, precisamente por ser apátrida e por isso mesmo contrário às nações, é a sinistra entidade que beneficia sempre com toda esta loucura ideológica.

Repare-se que as ideologias são instrumentos perfeitos para dividirem as nações em facções. Colocar estas facções em conflito perpétuo é a melhor forma de garantir a ingovernabilidade e consequente falência das nações. Para o alto capital, a situação será ainda melhor se estas facções entrarem em guerra civil. Como a guerra e a reconstrução no pós-guerra são negócios extremamente lucrativos, não há nada melhor para o alto capital do que colocar nações em guerra, seja esta contra si própria ou contra outra Nação ou conjunto de nações.

O que pretendem então os neoliberais?

A mim parece-me que o neoliberalismo está activamente a trabalhar para construir um outro modelo de Estado muito diferente daquele que conhecemos até agora. O neoliberalismo não intenta destruir o Estado por completo, quer é reduzi-lo de forma a que este tenha o menor encargo possível para o alto capital financeiro, mas este mesmo alto capital precisa do Estado para o proteger de eventuais tentativas de desafio à sua hegemonia, da mesma forma que os cidadãos precisam da polícia para os proteger do crime organizado na medida do possível.

Foi, aliás, a própria intervenção do Estado na economia que deu historicamente origem aos tais "mercados" do qual hoje tanto se fala. Aliás, sem a preciosa protecção conferida pelo Estado aos tais "mercados", estes já há muito que teriam sido destruídos. A ideia difundida por alguns economistas de que os "mercados" surgiram espontâneamente logo na Idade da Pedra, após os homens começarem a efectuar trocas entre si, é um absurdo!

A título de exemplo, o Império Romano, à semelhança de outros impérios da época clássica, possuía uma ampla rede económica dedicada ao comércio, agricultura, pescas e trabalhos de oficina. Alguém alguma vez ouviu falar do Império Romano a entrar em crise porque os "mercados" exigiam isto ou aquilo!?

O Império Romano entrou em crise sim, mas foi devido a conflitos étnicos internos, invasões bárbaras e muita corrupção. Jamais se poderia conceber que uns tais "mercados" pudessem mandar um Império abaixo. Da mesma forma que hoje é inaceitável que os "mercados" possam ditar a política das nações como se estas fossem meras servas do mesmo.

Os "mercados" hoje existem e comportam-se como se comportam porque fazem parte de um determinado "sistema" que goza da protecção do Estado e sem a protecção deste, a sua sobrevivência não seria possível. As elites políticas movidas por ganância, cegueira, medo, chantagem e maldade, entretanto vão garantindo que este estado de coisas não muda.

A concentração do capital nas mãos de uma pequena minoria tem acentuado brutalmente este problema. Ora, como todos sabemos, dinheiro é sinónimo de poder e se a maioria do nosso dinheiro está concentrado nas mãos de uma pequena minoria, isto significa que essa pequena minoria tem um poder avassalador. A situação agrava-se se tivermos em conta que este poder avassalador na esmagadora maioria das vezes não é minimamente compatível com os interesses nacionais, antes pelo contrário...

É impossível não dar razão a Marx quando este defende o confisco e a nacionalização das grandes fortunas. As grandes fortunas perpetuam o problema da injusta distribuição do capital ao fomentarem a contínua manutenção da riqueza nas mãos de uns poucos em detrimento de uma larga maioria.

O neoliberalismo fomenta a desigualdade económica ao promover políticas de baixos salários que não são mais do que uma estratégia para concentrar o máxima de capital nas mãos de uma pequena minoria, ou seja, nas grandes fortunas.

De facto, não antevejo outra forma de efectivamente conseguir combater este problema a não ser o confisco das grandes fortunas. Como dinheiro é poder, é necessário retirar as grandes concentrações de capital das mãos da minoria, de forma a retirar a esta todo o poder que a mesma usa para controlar a política e a sociedade.

Como podem ver, o combate contra as grandes fortunas não é apenas um "delírio" marxista, ou de esquerda. Trata-se de algo essencial para a restauração da Nação e este deve ser uma prioridade na agenda de todo e qualquer patriota.

O que se passa hoje é que não é apenas a "democracia" que é controlada e está ao serviço das tais grandes fortunas. As próprias instituições e empresas nacionais estão a ser gradualmente "comidas" por este monstro privatizador que é uma consequência directa da disseminação da ideologia neoliberal na nossa Pátria.

O objectivo final de tudo isto é, como já se disse, a colocação do Estado ao serviço do alto capital financeiro, passando o Estado a gerir a Nação tendo em conta não os interesses desta, mas os interesses de uma pequena minoria de apátridas e estrangeirados.

A atomização da sociedade acaba por ser uma consequência directa de tudo isto e esta é simultâneamente favorável aos objectivos dos neoliberais.

O fim último de tudo isto é claramente a destruição das nações e a sua subjugação a um governo mundial que já está em preparação.

Com uma sociedade atomizada, o Estado reduzido a cacos e dirigido por traidores, a família nuclear destruída e um povo a viver na miséria, haverá Nação que resista a tamanha afronta?

Ao contrário dos marxistas que admitem abertamente ter um projecto internacionalista, a larga maioria dos neoliberais negam que tenham semelhante projecto, mas o facto é que tudo o que fazem aponta nesse sentido.

A única solução para toda esta barafunda é colocarmos aos comandos do nosso País, pessoas que realmente se comportem como sendo portuguesas e que não estejam contaminadas pela loucura dos "ismos". Tal política exige uma imediata saída do euro, da União Europeia e da NATO e a consequente redefinição de uma estratégia nacional a longo prazo. O problema maior está em que tudo isto é praticamente impossível de se fazer na assim-chamada "democracia" e a "armadilha" em que estamos metidos foi concebida precisamente para esse fim, para impedir qualquer mudança radical ou desafio ao status quo da Nova Ordem Mundial, pensem nisto...

João José Horta Nobre
Junho de 2015




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