sexta-feira, 3 de julho de 2015

A decapitação de Sophie Scholl também é uma "invenção filo-sionista"?

Sophie Scholl (1921-1943)


"Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem." - Jesus Cristo, «Lucas 23, 34»

Seguem por aí no Mundo real e no Mundo virtual uns "inteligentes" que insistem em continuar a defender o indefensável e insultam e atacam qualquer um que discorde da sua "cassete".

Falo-vos neste caso daqueles que persistentemente insistem em negar os crimes verdadeiramente horripilantes e contrários a toda e qualquer ética ou moral, cometidos pelo regime nacional-socialista alemão durante os doze anos do seu reinado de terror (1933-1945).

Quem me conhece pessoalmente sabe que eu nunca alinhei no mantra do politicamente correcto e sempre disse e repito que há determinados problemas que só se conseguem resolver à paulada e ao tiro. Não sou por este mesmo motivo um pacifista no sentido convencional do termo. Acredito e defendo a paz e a ordem, mas também acredito, que para que uma dada sociedade possa manter as mesmas, por vezes é necessário recorrer a métodos que implicam a utilização da violência.

O emprego da violência tem por isso justificação em determinadas situações, mas não há nada neste Mundo que possa justificar o nível de violência e agressão extrema que foi regularmente utilizado pelo regime nazi para silenciar opositores, perseguir judeus e outras minorias étnicas e atacar e saquear meia Europa sem qualquer justificação credível.

Infelizmente, os últimos anos de grave crise económica e social na Europa têm levado a um crescimento incontestado do número e tamanho de grupos neonazis ou para-nazis, dos quais o mais famoso e poderoso de todos é sem sombra de dúvida a temida Aurora Dourada grega.

O crescimento destes grupos que se auto-rotulam de "nacionalistas", mas que na realidade pouco ou nada sabem sobre as teses e raízes do verdadeiro Nacionalismo clássico nascido da Revolução Francesa de 1789, são hoje os maiores proponentes do negacionismo do holocausto e outros crimes cometidos pelo regime nazi.

As alegadas "provas" desta gente para afirmar que o holocausto nunca existiu, não passam de teses mal construídas e desprovidas de sustentação científica. Claro que estes neonazis ficam muito chateados quando lhes jogamos isto em cara e não tardam a passar ao ataque e à ofensa, nomeadamente, rotulando toda e qualquer alma que discorde deles de "filo-sionistas" e "lacaios do sionismo e da judiaria", entre muitos outros "elogios" com que eu já fui premiado ao longo dos anos, tanto por parte da extrema-direita neonazi, como por parte da extrema-esquerda marxista.

O objectivo destes grupos neonazis, é o de como já se disse, defender o indefensável, ou seja, "humanizar" o regime nacional-socialista alemão e colocá-lo na posição de vítima inocente de uma alegada "grande" conspiração sionista para dominar o Mundo. De facto, isto é a prova de que o ridículo não mata...

Já que o regime nacional-socialista era tão "humano", então eu gostava que esta gente me explicasse onde é que estava essa tal "humanidade" quando em 1943 decapitaram na guilhotina uma jovem estudante anti-nazi e activista cristã de apenas 21 anos, chamada Sophie Scholl?[1]

Será que cortar a cabeça a uma rapariga de 21 anos, apenas porque esta distribuiu alguns panfletos contra o regime nazi, será que isto também é uma "invenção filo-sionista"?

Para quem não saiba, Sophie Scholl foi uma estudante alemã da Universidade de Munique que pertenceu ao grupo de resistência anti-nazi Rosa Branca[2], um movimento de inspiração cristã, não-violento e cujas únicas actividades anti-regime eram basicamente a distribuição de panfletos e a elaboração de alguns grafitis.  

Em Fevereiro de 1943, Sophie Scholl foi presa pela Gestapo, acusada de traição à Pátria e condenada à morte pelo fanático juiz nazi Roland Freisler. Menos de vinte e quatro horas depois de ser sentenciada, foi  decapitada na guilhotina instalada na prisão de Stadelheim. O seu único "crime", havia sido o de distribuir alguns panfletos que apelavam à resistência do povo alemão contra o regime nazi e que denunciavam as atrocidades cometidas pelo mesmo. 

Sophie não foi a única vítima do regime nazi a ser executada por resistir contra a injustiça. Como Sophie, houve muitos e muitas mais em todos os países por onde a demência nacional-socialista passou. Na Polónia, França, Grécia, Holanda, Bélgica, União Soviética e demais países vítimas do assassino e selvagem saque nazi, não faltaram patriotas que também distribuíram panfletos, atacaram tropas alemãs, sabotaram caminhos de ferro e resistiram e defenderam a sua honra e a dos seus como puderam e conseguiram contra o assalto da barbárie. Alguns destes ainda estão hoje vivos para contar as suas memórias de guerra aos seus netos, mas houve muitos outros que não tiveram tanta sorte e foram decapitados como Sophie ou selvaticamente torturados até à morte pelos facínoras da Gestapo e das SS.

Que nós portugueses nunca nos esqueçamos que também podíamos ter sido nós a cair vítimas da total falta de escrúpulos do nacional-socialismo alemão, e que foi apenas uma mistura de muita sorte e muita habilidade diplomática por parte do professor Salazar, que permitiram que nos tivéssemos livrado deste terror sem limites.

Ver hoje pessoas a defender um regime que cometeu este tipo crimes sem paralelo na história da humanidade, pessoas que dizem ser "nacionalistas" (só se a Nação deles for o Reino de Satanás...) e que chamam "filo-sionista" e "lacaio do sionismo e da judiaria" a qualquer um que coloque estes factos em evidência, não só me revolta o estômago, como me deixa seriamente enojado com a profunda falta de respeito que isto representa para com as vítimas e as famílias das vítimas.

Ou são ignorantes, ou são maldosos, não há outra explicação possível.

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Notas:
[1] WIKIPEDIA - Sophie Scholl. Link: https://en.wikipedia.org/wiki/Sophie_Scholl
[2] WIKIPEDIA - White Rose. Link: https://en.wikipedia.org/wiki/White_Rose


João José Horta Nobre
Julho de 2015

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