quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O Que se Está a Passar Hoje na Europa é Uma Regressão Civilizacional



Um colega romeno que ainda viveu na ditadura comunista de Nicolae Ceausescu, disse-me em Setembro passado, que nunca conheceu na Roménia de Ceausescu uma miséria e exploração dos trabalhadores, como a que veio a conhecer em Portugal.

"Nunca fui tão explorado na minha vida, como fui em Portugal", disse-me a olhar nos olhos e claramente revoltado o romeno loiro de meia-idade.

"Vocês em Portugal estão a ser explorados por uma máfia. Isto é máfia pura. O Ceausescu dizem que foi ditador, mas na Roménia dele nunca vi um nível de abuso e exploração como o que tenho visto e vivido em Portugal. Ele não merecia morrer como morreu, aquilo foi tudo preparado pela CIA e pela máfia do Ocidente.", prosseguiu o romeno indignado.

"Na Roménia comunista o Estado dava-nos uma casa quase de graça, aqui no Capitalismo o que é que vos dão?  

Quinhentos euros de salário mínimo e mais umas migalhas que não dão para nada?

Vocês aqui no Ocidente não sabem o que foi o Comunismo na Roménia, o que ouvem é tudo propaganda dos capitalistas que não querem que as pessoas saibam a verdade. Eles têm medo que as pessoas abram os olhos e percebam que estão a ser exploradas."

O único defeito que me apontou sobre a Roménia comunista, foi a falta de alguns produtos básicos que ocasionalmente entravam em ruptura de stock, algo típico das economias planificadas, mas mesmo assim, garantiu-me que tinha uma vida muito mais confortável e estável na Roménia de Ceausescu, do que aquela que veio a encontrar no Portugal capitalista.

Sobre a "repressão comunista" disse-me que só a sentia quem andava metido na oposição ao regime, de resto fazia-se uma vida normal. 

O romeno tem razão em muito do que diz e longe de mim querer estar aqui a defender o Comunismo, mas o que se está a passar hoje na Europa é uma regressão civilizacional muito bem organizada por uma pequena minoria que pretende ter escravos ao seu dispor. Julgo que pelo andar da coisa, já não faltará muito para se regressar ao modo de produção esclavagista...  

Aliás, em parte já regressámos ao tempo da escravatura, pois de que outra forma se podem classificar os tais "estágios não-remunerados" que hoje abundam no nosso País, a não ser como trabalho escravo? Uma dada empresa mete uns estagiários a trabalhar de graça oito horas por dia (nem o almoço lhes oferecem...), estes estagiários dão o máximo na ilusão de que vão ficar na empresa, mas claro, é tudo mesmo uma ilusão, pois chegados ao fim do estágio, a empresa dá-lhes um chuto no rabo e mete uma nova fornada de estagiários a trabalhar de graça. As empresas têm hoje em Portugal um autêntico reservatório de mão-de-obra escrava, a maioria jovem e disposta a trabalhar a troco de nada. Isto devia de ser ilegal e só não o é porque Portugal é hoje uma Nação governada por ladroagem mais reles do que um bando de salteadores de estrada.

A direitinha do copinho de leite e os seus amigos neoliberais que a financiam e sustentam, deviam de pensar nisto e tentar perceber de uma vez por todas que são eles que dão todos os argumentos à esquerda e lhe fornecem a "pólvora social" necessária para que a mesma continue sequer a existir. A dita "extrema-direita" que os pimpões da "democracia" tanto diabolizam, é hoje a única força política que, de facto, compreende isto, por isso é que não pára de crescer, nem vai parar.

João José Horta Nobre
9 de Dezembro de 2015

6 comentários:

  1. O discurso: as empresas fascistas capitalistas dos fachos querem é escravos a trabalhar de graça para depois dar um chuto no traseiro.
    Já pensou pela sua cabeça que as empresas querem contratar pessoas para o quadro, mas como acontece nos casamentos, se quiser despedir e usar a legislação por exemplo dos países nórdicos, onde você pode trabalhar há 40 anos mas se a entidade patronal quiser despedir apenas paga 2 semanas de trabalho como indemnização.
    Aqui em Portugal se você contratar para o quadro da empresa e se depois essa pessoa o roubar, você para o despedir tem de indemnizar, dou-lhe o exemplo do bibi que foi despedido da casa pia por causa da pedofilia ainda antes do processo mediático e o tribunal obrigou a casa pia a integrar o pedófilo, casos na Tap que conheço de roubos de malas, foram despedidos e depois o tribunal obrigou a indemnizar, casos de trabalhadores com cerca de 60 anos tudo fazerem para serem despedidos com indeminização para assim irem para casa receberem 2 anos do fundo de desemprego, e assim estarem em casa 4-5 anos em casa sem trabalhar.
    Se a legislação do trabalho fosse a mesma dos países nórdicos, acabavam os estágios e todas as empresas contratavam.

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    1. "as empresas fascistas capitalistas dos fachos querem é escravos a trabalhar de graça para depois dar um chuto no traseiro."

      O Luís Barreiro está mal informado. O Fascismo é anti-liberal e corporativista, é portanto uma contradição falar em "empresas fascistas capitalistas dos fachos". Aliás, até lhe digo, os trabalhadores gozavam de mais direitos do trabalho no regime do professor Salazar, do que os que têm hoje.

      Em relação a despedimentos de trabalhadores, eu não falei em nada disso, falei foi em estagiários e trabalho escravo, algo completamente diferente. Não sei porque é que o Luís Barreiro levou as coisas nesse sentido.

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  2. Capitalismo e comunismo: dois lados da mesma moeda materialista. Dois modelos da economia baseados numa concepção do mundo que não enxergam outro fim ao ser humano que o puramente terreno: a felicidade aqui nesta vida, o que implica fartura material. Cada qual pensa chegar na fartura a um modo, mas no fim das contas concordam que é nela que o homem se realiza. Deus? Céu e inferno? Salvação da alma? Nada mais que fantasias infantis da humanidade pré-iluminista...

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  3. "Quinhentos euros de salário mínimo e mais umas migalhas que não dão para nada?"


    Caro JJHN


    Eis mais uma medida a implementar, que as suas consequências seriam como se fosse uma verdadeira reforma estrutural: o fim do salário mínimo, melhor ainda, a abolição da definição do salário mínimo a nível governamental ou subsidiariamente a nível da "concertação social", sendo o mercado a definí-la, ou seja, entre entidade patronal e trabalhador.

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    1. "Eis mais uma medida a implementar, que as suas consequências seriam como se fosse uma verdadeira reforma estrutural: o fim do salário mínimo, melhor ainda, a abolição da definição do salário mínimo a nível governamental ou subsidiariamente a nível da "concertação social", sendo o mercado a definí-la, ou seja, entre entidade patronal e trabalhador."

      Isso então seria lindo de se ver. Seria o regresso ao século XIX como já abordei aqui:

      http://historiamaximus.blogspot.pt/2015/06/na-iminencia-do-desastre-o.html

      Se abolissem o salário mínimo, aposto que em menos de um ano teríamos uma revolução comunista nas ruas...

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    2. Salvo erro, os países nórdicos não têm salário mínimo, Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca, Itália e Áustria também não, a própria Alemanha só muito recentemente começou a ter (foi um acordo político entre o partido de Merkel e outro) para ela ser novamente reconduzida a Chanceler.

      Varrer o esquerdismo implica varrer as suas bases de sustentação e a existência do salário mínimo é uma delas, mas de qualquer maneira, se hoje em dia, já depois do colapso dos regimes comunistas do Leste da Europa, da abertura económica chinesa à iniciativa privada e do exemplo do chavismo na Venezuela, onde se pôde constatar, ao vivo e a cores, a degradação económica e social onde já nem havia o papel higiénico, não houver bom senso de varrer com as bases do esquerdismo, significa que de tempos a tempos, haverá governos de esquerda que voltam a enlamear a economia e a sociedade. É a tal história do frango que depois de assado é deitado fora em vez de ser comido.

      Uma abolição do salário mínimo iria contribuir, junto com outras medidas, para um aumento exponencial do investimento privado.



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