quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Deviam de Agradecer à PIDE/DGS

 Crachá da Direcção Geral de Segurança (DGS).

Por vezes pergunto-me o que seria do actual regime sem a PIDE/DGS? Onde é que iriam buscar os "heróis" para ilustrar a mitologia oficial do regime com que as Pimentelas, os Rosas, os Pachecos, os Loffs, entre outros contadores oficiais de estórias nos brindam regularmente?

Vamos ser sinceros, ninguém pode ser herói sem sofrer um bocadinho, faz parte do processo, todo o "herói" tem de ser bem "amassado" e esse "amassamento" por vezes pode levar dias, meses, anos ou até décadas até ficar completo. Ora, ninguém pode negar que a PIDE/DGS foi inegavelmente a melhor "amassadora" de "heróis" que Portugal teve nos últimos 100 anos, uma autêntica fábrica de "heroísmo" que produziu "heróis" como quem produz papo-secos.

O que levou a que estes "heróis" fossem abençoados pelo destino do "amassamento" às mãos da PIDE/DGS? Bem, para começar a larga maioria era súbdita fiel de grandes "humanistas" reconhecidos internacionalmente como Mao Tsé-Tung, Estaline e Trotsky. Outros andavam a distribuir bombas como quem distribui flores, em nome da "resistência ao regime", pois claro (se tentarem fazer isso hoje, vão presos, pois os ditos "democratas" só toleram ataques à bomba quando não estão no poder...).  Depois havia outros que eram informadores da CIA e do KGB, mas claro, já se sabe que para os "democratas" da nossa republiqueta falida, fazer espionagem a favor de uma potência estrangeira não constitui um acto de traição, mas sim, um acto de "heroísmo" que merece ser louvado e condecorado, aliás, foi com vista a este fim "heróico" que alguns camaradas do PCP até se dignaram a enviar para a União Soviética uma parte dos arquivos da PIDE/DGS, no rescaldo da Abrilada de 1974. 

Se estes actos "democráticos" de extrema bravura e "heroísmo" tivessem sido praticados no tempo do Marquês de Pombal, o mais certo era o seus autores terem tido um fim semelhante ao dos Távoras. Se fosse nos Estados Unidos, garantidamente íam presos e era até possível que a CIA os sujeitasse previamente a umas sessões de waterboarding e lhes servisse o jantar pelo recto acima, ou poderiam in extremis acabar executados na cadeira eléctrica como aconteceu ao casal Rosenberg. Se fosse na "Gloriosa Pátria do Socialismo", provavelmente acabariam primeiro torturados até ao limite e de seguida fuzilados ou deportados para um qualquer GULAG, de onde dificilmente alguma vez voltariam a sair, mas, como foi no "Portugal dos brandos costumes", a "condecoração" máxima que os nossos "heróis" receberam foi apenas um "amassamento" às mãos da PIDE/DGS e o direito automático a passarem a configurar como "heróis da resistência" nos livros de estórias mitológicas do actual regime.

Todos os regimes têm a sua mitologia, no entanto, a do actual parece ter sido "amassada" pela "salazarista" PIDE/DGS e é por isso mesmo que todos os "democratas" lhe deviam de agradecer do fundo do coração e darem graças por não terem nascido nos EUA, nem na URSS, caso contrário, o mais provável era já terem sido executados ou estarem ainda numa cela de prisão, a reflectir sobre os seus actos de "heroísmo"...

João José Horta Nobre
28 de Janeiro de 2016

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