segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Cristianismo Apodreceu a Alma Europeia



 
"A maioria das pessoas preocupa-se com passagens da Bíblia que não entende, mas as que me preocupam são as que eu entendo." - Mark Twain (1835 - 1910)

A Igreja não tem emenda possível e cada vez mais se torna patente que Bergoglio vai ser o coveiro da mesma. Talvez fosse bom era que se compreendesse porque se chegou ao que se chegou e para se perceber isto, é necessário antes de mais ter noção de que o Cristianismo é  uma religião abraâmica. Trata-se essencialmente de uma obra dos judeus que viviam na região da Galileia e é uma religião cultural e espiritualmente semita, logo extra-europeia e que só por mero acidente histórico é que se conseguiu implantar na Europa, graças em grande medida à conversão do Imperador Constantino à mesma.

O facto é que o Cristianismo apodreceu a alma europeia, retirando-lhe a virilidade pagã e substituindo-a por um humanitarismo conservador amolecido, que se transformou entretanto numa pesada grilheta castradora.[1] O que é que o Cristianismo trouxe à Europa, que a antiga Civilização Greco-Romana não tenha já trazido?

Na arte, arquitectura e filosofia, os clássicos continuam ainda hoje a dar cartas. Até em matéria de jurisprudência ainda nos colamos aos antigos romanos e num paradoxo de suprema ironia, usamos códigos de leis, baseados no antigo direito romano, que foi exactamente a mesma lex que condenou Jesus Cristo a ser crucificado pelo crime de blasfémia e pelo crime de lesa-majestade, ou seja, por ter proferido insultos contra a figura do Imperador de Roma, um crime extremamente grave à época e que segundo a jurisprudência do Império, dava direito a uma sentença de morte. Diga-se de passagem que, segundo uma investigação recente de José María Ribas Alba, professor de Direito Romano na Universidade de Sevilha, Jesus Cristo teve um julgamento que seguiu à risca todas as normas do sistema legal romano e foi condenado como qualquer outro homem ou mulher da época seria condenado, se praticasse o mesmo tipo de actos.[2]

Atenção que isto não ocorreu apenas no Império Romano, aqui mesmo no nosso Portugal cristão e dos ditos "brandos costumes", qualquer um de nós poderia ser igualmente executado na Idade Média, se insultássemos o Rei de Portugal, da mesma forma que Jesus Cristo insultou o Imperador de Roma.

O ponto da situação actual é bastante claro: A Europa está exausta, o Cristianismo exausto está e a Igreja Católica já perdeu praticamente toda a relevância social dentro da Europa. Os ortodoxos a leste ainda se vão aguentando nos mínimos, mas mesmo por aquelas bandas, não tardará a suceder o mesmo que já aconteceu em toda a Europa Ocidental. 

As "engenharias sociais" que temos hoje pela mão de ateus marxistas e agnósticos maçons, são apenas a continuação daquilo que os próprios cristãos fizeram quando ousaram substituir as milenares religiões pagãs da Europa, por uma religião semita e extra-europeia, cuja alma nunca correspondeu verdadeiramente àquela que herdámos dos nossos antepassados. A Europa cristã é uma farsa e uma contradição em termos, pelo simples motivo de que o Cristianismo nunca foi, nem será, uma religião europeia na sua essência.

A destruição da Europa foi iniciada pela mão dos próprios cristãos ainda durante a vigência do Império Romano, quando o Imperador Constantino em pessoa, ordenou que se pilhassem e destruíssem templos pagãos[3], da mesma forma que hoje, por exemplo, o Estado Islâmico pilha e destrói igrejas e relíquias do Mundo Antigo no Médio Oriente. Não terá ocorrido a Constantino, que cada martelada numa Vénus, num Neptuno ou num Júpiter, era uma martelada na sua própria identidade civilizacional milenar? (Identidade esta que é até anterior à fundação de Roma pelo lendário Rómulo, na simbólica data de 21 de Abril de 753 a. C.).

Um astrólogo e fanático cristão chamado Fimicus Maternus, até apelou pessoalmente ao Imperador Constantino II, para que o mesmo "destruísse totalmente" e "erradicasse" a todo o custo, qualquer vestígio de Paganismo no Império. O fanatismo de Fimicus Maternus ía ao ponto de o mesmo considerar como sendo uma "bênção" para o Imperador de Roma, que fosse este a ordenar a destruição dos templos de culto pagão.[4] Por sorte, não se lembraram também de escalar o nível da destruição e ordenar que a própria Acrópole de Atenas, fosse igualmente arrasada à martelada...  

A loucura foi ao ponto de Constantino II ordenar que fosse removido o Altar da Vitória do Senado romano, local onde estava instalada uma estátua em ouro da Deusa Vitória, capturada durante a Guerra Pírrica (280 - 275 a. C.).[5] Valentiniano II, o Imperador do Império Romano do Ocidente, deu mais um passo em frente nesta guerra declarada ao Paganismo e não só proibiu que se frequentassem templos pagãos, como ainda ordenou que os mesmos fossem encerrados, ou seja, na prática Valentiniano II ilegalizou por decreto a religião dos seus antepassados e a mesma que havia estado presente em todas as glórias passadas do Império Romano. É deveras triste quando se chega a este ponto de etno-masoquismo e negação do passado. Não deixa de ser muito curioso notar também como a introdução e disseminação por édito do Cristianismo no Império Romano, corresponde exactamente ao início da decadência do mesmo, que de ora em diante nunca mais se conseguiu reverter e foi-se sempre agravando até ao desaparecimento definitivo do Império e até do latim como língua falada. 

Inicialmente Imperador apenas da parte Oriental do Império, Teodósio acabou por conseguir reunificar a porção ocidental e oriental do Império Romano e transformou o Catolicismo na religião oficial do Estado Romano, através do Édito de Tessalónica em 380. Durante o seu reinado, aos pedidos de tolerância por parte de pagãos, Teodósio respondeu com o assassinato de sacerdotes pagãos e a destruição de inúmeros templos, locais de culto, imagens e objectos considerados sagrados para os pagãos em todo o Império.[6] O fanatismo foi ao ponto de se passar a aplicar a pena de morte contra qualquer um que fosse condenado por culto pagão[7] e de se suprimirem os Jogos Olímpicos da Antiguidade, que por serem originariamente celebrados em honra de Zeus, não podiam deixar de escapar à fúria cristã.[8]

Esta perseguições danadas aos pagãos continuaram até ao fim do Império Romano e a intensificação das perseguições anti-pagãs, a par do endurecimento das leis contra os mesmos, levam a crer que ainda haveria muitos seguidores do Paganismo Greco-Romano na fase tardia do Império. A resistência anti-cristã mais feroz, em certa medida veio até da própria elite do Império, nomeadamente da nobreza, dos senadores, magistrados e oficiais do palácio imperial que em muitos casos protestavam e até chegavam a recusar implantar os éditos do Imperador.

Tal como muitos cristãos novos continuaram a praticar o Judaísmo às escondidas na Europa da Inquisição, também no Império Romano, muitos cristãos novos por édito Imperial, continuaram a praticar o Paganismo em segredo e correndo risco de vida no caso de serem apanhados. Toda a literatura que criticava ou contestava esta postura de autêntico genocídio cultural contra os pagãos, era destruída e um copista que se atrevesse a copiar uma tal obra corria o risco de perder literalmente as mãos.[9] Nesta época, parece que a famosa "piedade cristã", não passava ainda de mera teoria bíblica...

Os cristãos ainda hoje protestam pelo facto de praticamente toda a sua propriedade ter sido confiscada pelos bolcheviques, em consequência da Revolução de 1917. No entanto, foi exactamente isto que a Igreja em tempos fez aos pagãos que eram acusados do "crime" de simplesmente estarem a praticar a religião milenar dos seus antepassados. Santo Agostinho de Hipona até exortou a sua congregação em Cártago a destruir todos os símbolos de Paganismo em que conseguissem meter as mãos em cima. Hoje, 2016 anos após o nascimento de Cristo, temos uma organização que faz exactamente o mesmo sem tirar, nem pôr, chama-se Estado Islâmico. Este fanatismo destruidor não deve surpreender quem saiba o mínimo de história religiosa, pois é algo típico das religiões abraâmicas, que quase sempre se pautaram por uma extrema intolerância para com qualquer outro grupo religioso ou qualquer entidade que questione a sua fé.

A introdução do Cristianismo na Europa resultou ela própria de uma "engenharia social" catapultada contra as massas pelas elites, que sempre gostaram de moldar o Mundo de acordo com a sua preferência do momento. Por ironia do destino, a própria Igreja Católica tem sido vítima de exactamente os mesmos tipos de ataques e perseguições selvagens, que ela própria usou para exterminar o Paganismo à força na Europa, naquilo que só pode ser descrito como tendo sido um genocídio cultural e um dos mais bárbaros e selvagens ataques de sempre contra a milenar identidade europeia.

Olhando para o estado miserável em que se encontra hoje a moral da Europa, não consigo deixar de pensar e dar razão às proféticas palavras do heterónimo de Fernando Pessoa, Ricardo Reis: "Não sabemos mandar nem obedecer; não sabemos querer ou pensar. O verme cristão adoece tudo dentro de nós. Já nada nos modifica nem nos faz erguer."

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Notas:
[1] REIS, Ricardo - O Regresso dos Deuses. Arquivo Pessoa. Link: http://arquivopessoa.net/textos/1618
[2] A.C.M. - Jesus Teve um Julgamento Justo. Diário de Notícias. 14 de Novembro de 2013. Link: http://www.dn.pt/globo/interior/jesus-teve-um-julgamento-justo-3533675.html
[3] HUGHES, Philip - A History of The Church: To The Eve of The Reformation. Sheed & Ward, 1949. Link: http://www.ewtn.com/library/CHISTORY/HUGHHIST.TXT 
[4] KIRSCH, J. - God Against The Gods. Viking Compass, 2004, pp. 200 - 201.
[5] SHERIDAN, J. J. - The Altar of Victor: Paganism's Last Battle. L'Antiquite Classique Nº 35, 1966, pp. 186 - 187.
[6] GRINDLE, Gilbert - The Destruction of Paganism in The Roman Empire. 1892, pp. 29 - 30.
[7] GIBBON, Edward - The Decline and Fall of The Roman Empire
[8] WIKIPEDIA - Persecution of Pagans in The Late Roman Empire. Link: https://en.wikipedia.org/wiki/Persecution_of_pagans_in_the_late_Roman_Empire
[9] MACMULLEN, Ramsay - Christianity & Paganism in The Fourth to Eighth Centuries. Yale University Press, 1997.

João José Horta Nobre
15 de Fevereiro de 2016

1 comentário:

  1. Sugestão de leitura:

    http://livraria.seminariodefilosofia.org/a-verdade-sobre-o-cristianismo

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