sexta-feira, 25 de março de 2016

A "Justiça" dos Vencedores II


Vinte e dois anos de prisão por ter defendido o seu País numa situação de guerra. É assim que a Rússia de Putin interpreta e goza literalmente com o direito internacional. Aparentemente, o Kremlin parece estar determinado em transformar a Primeiro Tenente, Nadiya Savchenko, na Joana d'Arc ucraniana.


A Rússia, ou melhor, Vladimir Putin, decidiu condenar esta semana a piloto do Exército Ucraniano, Nadiya Savchenko, a uma pesada sentença de vinte e dois anos de prisão. Qual o crime? Alegadamente e segundo a acusação russa, a Primeiro Tenente Nadiya Savchenko terá atraído dois jornalistas russos para uma emboscada fatal e entrado ilegalmente em território russo (como se não tivessem sido os russos a entrar primeiro e ilegalmente no território ucraniano, indo ao ponto de anexar partes do mesmo e provocando inúmeras baixas civis no processo...). Um sistema judicial como o russo, em que ainda recentemente um cidadão foi levado a tribunal, apenas por negar a existência de Deus num fórum da internet, não possui credibilidade absolutamente nenhuma. Quando um País processa judicialmente cidadãos apenas por dizerem que "Deus não existe", acabou-se, esse País não é livre. No entanto, este é o mesmo circo/sistema judicial que julga ter credibilidade para condenar Nadiya Savchenko e que entretanto pretende que o Mundo acredite na farsa.

O que a Rússia tem feito na Ucrânia é tão ridículo (e desnecessário...), que só revela pura estupidez da parte de Putin. A Rússia e os russos não precisavam disto, a Europa não precisa disto. Fosse a Rússia um País pequeno e humilhado, eu até compreendia este chauvinismo agressivo, mas não é esse o caso. A Rússia é o maior País do Mundo e possui um arsenal nuclear devastador com capacidade para exterminar a vida no planeta Terra, se fosse todo disparado em simultâneo. A Ucrânia, pelo contrário, é um dos países mais pobres da Europa e não possui um único engenho nuclear, para além do facto de ter umas Forças Armadas largamente obsoletas e que num espírito de "desenrascanço", vão fazendo o que podem para conter a agressão militar russa. Alguém pode mesmo acreditar seriamente que os russos, precisam de fazer este espectáculo humilhante contra a pobre Ucrânia para se afirmarem? Eu de certeza que não acredito.

João José Horta Nobre
25 de Março de 2016



Ao despautério do tribunal-fantoche de Putin, Nadiya Savchenko respondeu no passado dia 9 de Março com o gesto adequado:

8 comentários:

  1. o gajo de certo é de uma daquelas numerosas minorias de origem mista a viver no extremo leste Europeu. tem fronha mongolizada o tipo.

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  2. Neste caso da Ucrania devemos ter cuidado pois é uma questão complexa(não se trata apenas de saber quem começou ou quem invadiu quem)já que do outro lado estão os interesses da grande plutocracia global e dos cínicos políticos da UE e dos states(alguns foram ao extremo ridículo de chamar de "novo Hitler" ao Putin quando andam a apoiar um governo ucraniano com neonazis)

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  3. Caro JJHN


    Assim como a URSS implodiu, o regime de Putin está a fazer o caminho para a implosão da Rússia. Para lá dos Urais não é bem Rússia, é terra por reconquistar. Para já a pressão financeira tem vindo a aumentar por lá.

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    1. Putin governa a economia russa de forma muito semelhante à soviética:

      http://www.dn.pt/mundo/interior/metiam-um-foguetao-no-espaco-e-depois-nao-conseguiam-fazer-um-ferro-de-passar-5027483.html

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  4. Este é um daqueles casos paradigmáticos que deveria abrir os olhos aos adoradores da Rússia. Infelizmente, há muitos que nem assim...

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    1. Não adianta caro Afonso. Da mesma forma que existem os fanáticos pró-Estados Unidos. Existem também os fanáticos pró-Rússia.

      O meu problema nem é com Rússia propriamente dita, pois sou a favor da aproximação das relações entre a Rússia e a Europa. O meu problema é com Putin, um homem que é claramente retrógrado e que faz política como se ainda estivéssemos em 1970...

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  5. "Um sistema judicial como o russo, em que ainda recentemente um cidadão foi levado a tribunal, apenas por negar a existência de Deus num fórum da internet."

    É bom não esquecermos que há países onde se pode ser levado a tribunal por manifestar dúvidas quanto ao “holocausto judeu”.
    E que, por exemplo, em Portugal se pode ser levado a tribunal por conduzir, num dada rua, a uma velocidade superior aquela que o palerma que exerce o cargo de vereador de transito entende que deve a ser a máxima naquela rua.

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    1. «É bom não esquecermos que há países onde se pode ser levado a tribunal por manifestar dúvidas quanto ao “holocausto judeu”.»

      É precisamente por isso que eu muitas vezes uso a palavra "pseudo-democracias" para me referir aos países da UE. É que só mesmo numa pseudo-democracia é que uma pessoa pode ser levada a tribunal, por ter uma opinião diferente da vulgarmente aceite em relação a acontecimentos passados.

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