sexta-feira, 1 de abril de 2016

A Ciência e o Catolicismo Andam à Estalada e Depois os Unicórnios é Que Pagam

 "Unicorn", Eva Maria Toker


«Quests may not simply be abandoned; prophecies may not be left to rot like unpicked fruit; unicorns may go unrescued for a very long time, but not forever. The happy ending cannot come in the middle of the story.» - Peter S. Beagle, in "The Last Unicorn", 1968

Por vezes, a Ciência e o Catolicismo decidem envolver-se em guerras bastante estranhas, sobre temas esquisitos e no meio da confusão ambos os lados disparam as "postas de bacalhau" do costume. Desta vez o lado científico atacou com o Prémio Unicórnio Voador, ao qual a frente católica respondeu com o Prémio Unicórnio Natural e pelo meio ainda se falou de um Unicórnio Siberiano Gigante que terá sido recentemente descoberto.

No meio de todo este fogo cruzado, a única vítima, de facto, acabou por ser a nobre criatura lendária que dá pelo nome de Unicórnio e que não senhor, não é Voador, nem Natural, nem Siberiano, mas sim, apenas um Unicórnio e mais nada. Joseph Nigg explica melhor do que eu:

"Solitário e selvagem, o Unicórnio é a mais esquiva criatura da natureza. Cobiçado pelos usos medicinais do seu chifre mágico, este animal é frequentemente perseguido, mas raramente morto e mais raramente ainda capturado vivo.

O primitivo Unicórnio da Índia era um animal feroz, do tamanho de um cavalo. Era um animal de cascos duros, com o corpo branco, cabeça vermelha escura e olhos azuis. O seu chifre afunilado era, na sua maior parte, branco, mas preto no meio e terminava numa ponta aguçada carmesim. O animal era tão forte e veloz que a única maneira que os caçadores tinham de apanhá-lo era cercá-lo quando estava com as suas crias. Recusando-se a abandonar os filhos, o Unicórnio defendia-os dos caçadores com a sua própria vida, de acordo com os relatos de Ctásias, o Cnídio. Este animal foi frequentemente confundido com o rinoceronte.

Uma espécie diferente de Unicórnio é bela e dócil. É mais pequena, tem uma barba semelhante à das cabras, penas esbeltas, cascos fendidos e um comprido e gracioso chifre em espiral na testa. É suposto ter sido um dos animais do Jardim do Éden. Este animal mágico purifica as águas venenosas com o seu chifre. É capturado apenas por uma virgem que o atrai com o seu encanto inocente. O animal subjugado é então morto ou levado para o palácio do rei. O objectivo da caçada foi sempre o precioso chifre, chamado «alicorne». Podem transformar-se chifres de Unicórnio em taças, ou fazer-se poções para neutralizar venenos ou prevenir doenças. Os seus poderes curativos fazem o «alicorne» valer o seu peso em ouro. Comerciantes sem escrúpulos vendem chifres de outros animais como alicornes. Para testar se um chifre reduzido a pó é realmente de um Unicórnio, o comprador dispõe-no num círculo sobre uma superfície plana e coloca uma aranha dentro do círculo. Se a aranha não rastejar para fora do círculo, o chifre é considerado genuíno.

O Unicórnio tem sido representado na arte desde os tempos da Antiguidade em selos cilíndricos da Mesopotâmia, em tapeçarias medievais e em pinturas renascentistas. Monócero, também conhecida por Unicórnio, é uma constelação do céu do hemisfério norte."[1] 

Agora pergunto eu: Que mal fizeram os pobres dos unicórnios, para indignamente, servirem de arma de arremesso entre os defensores da doutrina científica e os que defendem a doutrina de Cristo?!?

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Notas: 
[1] NIGG, JOSEPH - O Livro dos Dragões e Outros Animais Míticos, DINALIVRO, Fevereiro de 2003. pp. 50-51.

João José Horta Nobre
1 de Abril de 2016


1 comentário:

  1. O poder hegemónico de que a Igreja Católica Romana dispôs ao longo de muitos séculos foi suplantado por outros poderes,como sabemos a maçónica Revolução francesa foi o início do fim deste poder espiritual e temporal.Para que se chegasse a este desfecho foram utilizadas organizações vulgarmente designadas de "sociedades secretas" com a maçonaria na linha da frente com o objectivo de preparar o colapso da ordem instituída e abrir o caminho para uma "nova ordem".-----F M.M Alexandre em Maçonaria e Sociedades Secretas(livro de 2007)

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