sexta-feira, 15 de abril de 2016

A Costela Liberal de Karl Marx

 Marx Attack, Johnny Kalong



Não deve existir um pensador mais incompreendido e mal interpretado na história da humanidade, do que Karl Marx. A obra do mesmo tem servido para justificar tudo e mais alguma coisa por parte da esquerda lunática. A direita liberal não o pode ver à frente (talvez porque Marx acerta demasiadas vezes no calcanhar de Aquiles da mesma...) e depois há assim uns "rafeiros" como eu que têm uma relação de amor/ódio com Marx. Isto é, gostamos de ler Marx, mas simultaneamente passamos a vida a mandar pedradas aos marxistas e a combater os mesmos no campo ideológico.

Porém, o que me cansa mais no meio disto tudo, é a velha e estafada conversa da direita liberalóide (os copos de leite do costume...) a dizer que Marx não percebia nada de economia. É preciso ser-se, de facto, muito ignorante para dizer uma barbaridade destas e provavelmente quem o diz, nunca leu uma única obra de Marx. Se tiverem a paciência de o ler, irão perceber que Marx percebia mais de economia do que muitos economistas contemporâneos e acima de tudo, sabia exactamente onde residem os pontos fracos do modo de produção capitalista e o que leva às crises cíclicas do mesmo - a inevitável queda tendencial da taxa de lucro, a qual até hoje continua a ser um grande problema por resolver e para a qual nenhum economista foi capaz de arranjar uma solução. Aliás, a actual crise do Capitalismo no Ocidente, deve-se exactamente a este factor, que foi desde sempre a raiz de praticamente todas as crises cíclicas do Capitalismo. Não adianta a direita liberal tentar "tapar o sol com a peneira", pois o facto é que o actual sistema económico - Capitalismo -  é uma receita para o desastre.

Karl Marx em meados do século XIX já sabia que só é possível garantir o bom funcionamento do Capitalismo mediante uma taxa de lucro satisfatória para a burguesia. O problema é que o crescimento económico é uma autêntica "espada de dois gumes" que leva a um inevitável aumento dos salários e por consequência, dos custos de produção. A somar a isto, a burguesia tem ainda de contar com a concorrência e o aumento dos custos das matérias-primas. Tudo isto leva a uma queda tendencial da taxa de lucro e em consequência da mesma, a burguesia faz aquilo que sempre fez nestas situações, ou seja, despedimentos e cortes nos salários. Ora, isto na prática não resolve nada e ainda agrava mais a situação, pois leva a um aumento da miséria social e ao consequente colapso do consumo, o que num ciclo vicioso mortal, redunda em ainda mais despedimentos, cortes de salários e no limite, encerramento de empresas ou deslocalização das mesmas. Marx previu e com razão que à medida que as crises cíclicas do Capitalismo se vão repetindo, a sua durabilidade e gravidade vão sendo cada vez maiores até se atingir uma crise estrutural do sistema que vai ser tão grave, que só poderá ser resolvida mediante uma guerra. A Segunda Guerra Mundial não foi um acaso, aconteceu porque o sistema estava atolado em crise sem fim à vista desde 1929 e precisava de reduzir o número de desempregados, ao mesmo tempo que dinamizava a indústria civil, transformando a mesma numa indústria bélica. Os 70 milhões de mortos e a brutal destruição de infraestruturas na Segunda Guerra Mundial, foram uma bênção para o modo de produção capitalista. Hoje, a superclasse mundialista que discretamente vai gerindo o Mundo, anda claramente a tentar provocar uma nova guerra, precisamente porque a mesma sabe o que Marx também sabia, ou seja, que a actual crise do Capitalismo é irresolúvel sem uma nova grande guerra. 

Quase 150 depois de Marx ter escrito o Das Kapital, continuamos exactamente no mesmo sítio, isto é, o modo de produção capitalista continua a padecer do mesmo defeito estrutural e todos esses "académicos" que por aí pululam nas universidades e centros de investigação, ainda não foram capazes de apresentar uma única solução minimamente convincente para evitar, travar e/ou inverter a queda tendencial da taxa de lucro. 

João José Horta Nobre
15 de Abril de 2016

9 comentários:

  1. O EIXO JA TINHA RESOLVIDO MUITA COISA NO AMBITO CIVIL SEM A GUERRA NÃO A TOA MUITOS EUROPEUS MIGRAVAM PRA ALEMANHA EM BUSCA DE VAGAS ISSO É FALACIA

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  2. "«O Marx que a esquerda desconhece - contra o protecionismo, anti-keynesiano e pró-livre concorrência»"


    "Como se não bastasse, Marx também disparou um petardo contra keynesianos defensores de aumentos de gastos do governo, de déficits orçamentários e de políticas de endividamento estatal. Marx zombou o keynesianismo antes mesmo de este sistema ter sido criado — algo possível porque não havia absolutamente nada de original nas ideias de Keynes."

    Este título precisa desta explicação.


    "Aliás, a actual crise do Capitalismo no Ocidente, deve-se exactamente a este factor, que foi desde sempre a raiz de praticamente todas as crises cíclicas do Capitalismo. Não adianta a direita liberal tentar "tapar o sol com a peneira", pois o facto é que o actual sistema económico - Capitalismo - é uma receita para o desastre."

    Caro JJHN


    A actual crise é a consequência de os Estados gastarem mais do que recebem todos os anos, ou seja, têm défices que quando são acumulados por vários anos chega a um ponto que ninguém empresta dinheiro e aí fazem-se pequenos ajustamentos que permitem aliviar a pressão financeira e voltam os empréstimos que lhes dá a folga necessária para se ir brincando mais uns tempos. Entretanto, as famílias e as empresas sofrem as consequências das políticas dos governos, que, regra geral, são mais carga fiscal, endividamento, desemprego, falências, deslocalizações, emigração, despovoamento do interior, reestruturações das empresas, falta de capital (que hoje em dia se desloca à velocidade da tecla enter).

    Ao contrário do que JJHN menciona, o Capitalismo não é a receita para o desastre, muito pelo contrário, é a solução, mas deve ser melhorado (pelas reformas estruturais que preconizo), de preferência por vontade política e sem ser preciso pelo aumento da pressão financeira.

    O Capitalismo gera criação de riqueza, bens e serviços, empregos e oportunidades, já o socialismo gera muita pobreza, miséria, fome e morte.


    "O problema é que o crescimento económico é uma autêntica "espada de dois gumes""


    Não, nem de dois gumes nem de dois legumes. O problema do crescimento económico é o de ser sustentável ou insustentável.

    Basicamente existe crescimento económico induzido pelo investimento e pelo consumo. Quando é largamente induzido pelo consumo é insustentável, quando é largamente induzido pelo investimento, depende se o investimento é rentável, ou seja, acima do custo de capital.

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    1. O Arquivista, tal como todos os liberais, foge ao essencial, ou seja, a queda tendencial da taxa de lucro que é inerente ao modo de produção capitalista. Sem reconhecer a existência da mesma, nem adianta ter esta conversa...

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    2. Caro JJHN


      Não fujo. Isso para os empresários/investidores (até mesmo para os trabalhadores) é irrelevante.

      Quando há insatifação em relação à taxa de lucro (rentabilidade), inova-se e/ou melhora-se a produtividade, não há muito mais a fazer e olha que isso pode dar uma enorme trabalheira.

      De qualquer maneira, a prática demonstra que há empresas que têm subidas e descidas de rentabilidade ao longo dos anos, ou seja, a sua rentabilidade não está sempre a descer.

      Também não é verdade que os custos das matérias-primas aumentem sempre, variam, sobem e descem, basta ver os preços do crude, já esteve nos 100 dólares, nos 20 dólares, voltou a subir, etc. Os salários é a mesma coisa.

      E a concorrência, idem idem aspas aspas, embora tenha subido vertiginosamente devido ao colapso dos regimes de Leste e a abertura à iniciativa privada, diminiu nos países latino-americanos devido à implantação de regimes "bolivarianos".

      Verifico que continua agarrado à "ignorância" de Marx, e a relevar o que deve ser analisado numa perspectiva histórica e absolutamente teórica.

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    3. «Verifico que continua agarrado à "ignorância" de Marx, e a relevar o que deve ser analisado numa perspectiva histórica e absolutamente teórica.»

      Consigo não adianta, ainda não percebeu que existe uma queda tendencial da taxa de lucro que é inerente ao modo de produção capitalista???

      Ainda não percebeu que essa mesma tendência é a raíz de todas as grandes crises???

      Ainda não percebeu que a única solução para isto até agora tem sido a de ir arranjando guerras atrás de guerras???

      Se o Arquivista não percebe isto, então não percebe nada de nada de economia meu caro!

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    4. Caro JJHN


      Insisto, a prática das empresas demonstra que as rentabilidades sobem e descem ao longo dos anos, não está sempre a descer.

      As crises são consequências das escolhas das pessoas. Se as pessoas escolhem gastar mais do que recebem, mais cedo ou mais tarde, isso irá reflectir-se.

      Se as pessoas eventualmente deixassem simplesmente de consumir carne de frango e passassem a consumir mais carne de peru, isso simplesmente causaria uma violenta crise nos produtores de frango.

      Se os Estados escolhem ter défices anuais há muitos anos, mais cedo ou mais tarde haverão reformas estruturais, ou, pelo menos, enquanto estes não chegam alguns ajustamentos.

      Não tenho pretensões de saber muito de economia, apenas continuo a gastar menos do que recebo.

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  3. Os da "direita" liberal-capitalista(entre outros mais)continua sem perceber o que aconteceu e (mais grave)continua sem perceber o que está a acontecer. Vejamos bem o seguinte trecho num post do marxismo cultural.blogspot "Nós nunca chegamos a confrontar a ideologia Marxista, e nem demonstramos que o sofrimento causado a centenas de milhões de pessoas era consequência directa das ideias Marxistas. Nós apenas assumimos que o Marxismo estava morto, o que permitiu que muitos dos seus ideiais sofressem mutações e surgissem com nova roupagem, permitindo que os seus advogados prosseguissem ininterruptamente com o seu trabalho, às vezes com um sentimento de vingança e um renovado zelo no seu ataque ao Ocidente capitalista.

    Hoje em dia estamos a pagar o preço disso. Não só o Marxismo sobreviveu, como está a prosperar e tornou-se mais forte. As ideias esquerdistas em torno do Multiculturalismo e das fronteiras abertas practicamente adquiriram a hegemonia no discurso público, ao mesmo tempo que os seus críticos são atacados e demonizados.

    Ao esconderem as suas intenções por trás de nomes como "anti-racismo" e "tolerância, os Esquerdistas adquiriram um grau de censura no discurso público que nunca poderiam ter imaginado adquirir se tivessem decarado abertamente as suas intenções de transformar radicalmente a civilização Ocidental e destruir os seus fundamentos.

    A Esquerda tornou-se orfã ideológica após o fim da Guerra Fria; se calhar o termo mais apropriado é mercenários ideólogos. Apesar da alternativa económica viável ao capitalismo não ter funcionado, o seu ódio pelo sistema nunca acalmou; apenas se transformou em outras coisas. O Multiculturalismo é apenas outra palavra para "dividir e conquistar", colocando os vários grupos étnicos e culturais uns contra os outros, destruindo a coerência da sociedade Ocidental a partir do seu interior."
    - do post http://omarxismocultural.blogspot.pt/2012/10/politicamente-correcto-vinganca-do.html

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