segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estamos a Caminho do Precipício, Mas Poucos Parecem Ser Capazes de Perceber Isso

 "Paul Krugman" por HVW8

 

Paul Krugman: "Visitar a Europa faz um americano sentir-se bem com o seu país"


Estamos a caminho do precipício, mas poucos parecem ser capazes de perceber isso. O próprio Krugman confirma como é exactamente a queda tendencial da taxa de lucro, que está a provocar a crise actual: «"As más notícias", continua Krugman no mesmo artigo, "são que oito anos depois do que era supostamente uma crise financeira temporária, a fraqueza económica prossegue, sem fim à vista. E é algo que deveria preocupar toda a gente, na Europa e não só".»

Não se esqueçam destas palavras de Krugman: "a fraqueza económica prossegue, sem fim à vista."

É que isto, caros leitores, não vai mesmo ter fim, ou melhor, não vai ter um bom fim. O "sistema", ou arranja uma nova grande guerra, que permitirá posteriormente - graças à reconstrução - um novo período de prosperidade económica semelhante aos Trinta Gloriosos, ou então, estamos condenados a viver em crise perpétua, com o consequente aumento imparável da frustração social, algo que, indubitavelmente acabará também por terminar mal, pois isto com o tempo dá sempre origem a revoltas e/ou revoluções violentas.

Dê por onde der, isto não vai ter um bom fim, porque simplesmente não pode ter um bom fim.

A única e pequena esperança para se poder resolver isto, seria terminando imediatamente com o Euro e as nações europeias romperem totalmente com o sistema financeiro mundial sediado em Wall Street, criando um sistema financeiro europeu independente, com todos os bancos totalmente nacionalizados e os mercados severamente regulados, aplicando-se penas pesadíssimas a qualquer burguês que saísse "fora da linha". É preciso fazer um restart às economias europeias e tal não é possível de se fazer enquanto continuarmos atrelados a Wall Street. Ora, como eu sei que isto não passa de utopia porque a estupidez dos homens é infinita, resta-nos apenas esperar pela próxima grande guerra e no fim contar os mortos.

Entretanto, as elites nacionais continuam embaladas no seu delírio de poder eterno, convencidas de que a "festa" vai durar para sempre (muitos no anterior regime também pensavam assim...). Ouvir a conversa de gente como António Costa, Ana Gomes (um desenho animado em forma feminina), Passos Coelho, ou Catarina Martins, é ouvir o delírio em estado puro. É provável até que muitos malucos internados no Júlio de Matos, estejam mais a par da realidade do que esta gente. No fundo, estão a cometer o mesmo erro que praticamente todos os ditadores até hoje cometeram - o de julgarem que o seu poder e regime é eterno. Não é, nunca foi e nunca irá ser, pois nada do que existe no Universo é eterno, muito menos um regime político e muitíssimo menos o circo que dá pelo nome de Terceira República.

João José Horta Nobre
2 de Maio de 2016
 

16 comentários:

  1. E VERDADE, CAMINHAMOS ALEGREMENTE PARA O PRECIPÍCIO, 1,7 MIL MILHÕES DE EUROS DESDE JANEIRO 2016.
    233 BILIÕES DE DÍVIDA IMPAGAVEL, E NOS ESCRAVIZAM COM 9 MIL MILHÕES TODOS OS ANOS DE JUROS.
    ATÉ QUANDO ?'????
    ATÉ QUANDO ????????

    RAMIRO LOPE SANDRADE

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  2. Bem, a verdade é que não obstante ter feito um diagnóstico bastante razoável da nossa situação, o Krugman tem telhados de vidro. Ele faz parte daquela "escola" económica que defende o aumento do consumo interno como forma de sair das crises e todos nós sabemos o erro grave que é aplicar essa receita nos países que, como Portugal, desmantelaram o seu sistema produtivo, porque só podem aumentar o seu consumo interno importando mais bens do exterior.

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    1. Sim, ele é um Keynesianista. Mas o Keynsianismo sempre foi um fracasso. É um mito a ideia de que foi o Keynesianismo que salvou os Estados Unidos da crise de 1929.

      Na realidade, o Keynesianismo serviu apenas de cuidados paliativos para a crise e foi a Segunda Guerra Mundial que permitiu ultrapassar, de facto, a crise de 1929, criando as condições para um novo arranque do Capitalismo.

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    2. O Krugman faz parte da ala mundialista(liberal socialista)em contraste com outros que são da ala mundialista(neoliberal).Ambas dão na mesma coisa "Governo Mundial" sobre as cinzas da soberia dos Estados nacionais.

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  3. Na realidade não é preciso um génio para resolver o problema económico nacional. O caso é que ninguém é eleito com um programa de recuperação económica que exija o saneamento do Estado e o combate real à corrupção.
    A população em geral está já cativa das promessas dos abrileiros e acredita no milagre da multiplicação dos pães.
    Depois, a estrutura do eleitorado está já muito influenciada pela entrada de uma torrente de pretos que vêm nos partidos marxistas a garantia de uma vida encostada ao Estado Social. Saúde e ensino gratuito para toda a família ( que cresce a grande ritmo), casa dada pela Câmara Municipal, água e luz de borla, RSI, etc.
    A imigração é um alfobre de votos para os partidos de esquerda.
    O que me parece é que a suposta direita ainda não entendeu que a esquerda rege-se não por quesitos programáticos, mas antes por um frio e implacável realismo, vale tudo para tomar o poder. Mente, difama, destrói reputações, compra a opinião publicada, joga nos bastidores do sistema de justiça, etc.
    Enquanto isso, a chamada direita discute teoria e programa. Uns mangas de alpaca! Imaginam que conseguem convencer um júri comprado.
    Todo o aparelho de Estado está infiltrado. Quando o PSD é governo, o poder continua na esquerda. Veja-se o ME. Nenhum ministro da educação consegue passar as suas políticas. É terreno minado e os trouxas após quatro dezenas de anos continuam sem perceber.

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    1. Eu acho que os "trouxas" percebem,acontece que eles só pensam nos seus interesses de curto prazo(tachos,carreiras,dinheiro muito dinheiro)e perderam qualquer sentido de pertença ao país(o que se chama por norma de "patriotismo").

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    2. Vocês estão a ignorar os efeitos da queda tendencial da taxa de lucro. O nosso "problema económico nacional" deriva do "problema económico europeu", que por sua vez, deriva da inevitável queda tendencial da taxa de lucro. Isto não tem volta a dar.

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  4. http://rr.sapo.pt/noticia/53229/a_europa_nao_esta_facil_temos_pela_frente_questoes_que_nao_controlamos?utm_source=rss O sr Marcelo afinal vive no mundo real(seja bem vindo)também,além do facto de que ainda ninguém tinha dado conta de tal situação(permito-me ser irónico).E a cereja no "topo do bolo" vai ser a consequência da "invasão" muçulmana(como diz o povo o inferno está cheio de boas intenções)que alguns "iluminados" andam a promover em nome das "igualdades" e "amplas liberdades".

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  5. Caro JJHN


    Insisto, a solução para a recuperação económica passa por, gastar menos do que se recebe e para isso é preciso reformas estruturais que irão contribuir para o desmantelamento das bases de sustentação da esquerda e isso apenas depende da vontade política.

    Aí vai a lista actualizada:


    Abolição do salário mínimo
    Liberalização dos despedimentos
    Abolição dos descontos
    Pagamento do verdadeiro custo da água e energia pelo utilizador
    Pagamento do verdadeiro custo de educação e saúde pelo utilizador
    Liberalização (facilitação, desregulamentação) do acesso às profissões liberais
    Liberalização das rendas
    Sujeição a IRC a todas as pessoas colectivas
    Simplificação do IRS com sujeição individual, taxa única, sem deduções e abatimentos
    Taxa única no Iva
    Desmantelar o sistema escolar com o e-learning
    Varrer a função pública
    Extinção das juntas de freguesia
    Redução do número de deputados
    ...
    ...
    ...

    ...

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    1. Mesmo que sejam aplicadas todas essas medidas, isso não vai conseguir travar a queda tendencial da taxa de lucro, inerente ao modo de produção capitalista.

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    2. Isso para os empresários é irrelevante, aliás, um dos métodos de modo a continuar a ter lucros por mais tempo é começar a baixar os preços de modo a desmotivar a eventual concorrência.

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    3. Mas não devia de ser, porque é exactamente isso que com o tempo conduz a revoluções violentas e "ajustes de contas" com os empresários. É tudo apenas uma questão de tempo até a "coisa" rebentar. A China já está também a experimentar em primeira mão os efeitos da queda tendencial da taxa de lucro e desconfio que vai ser a partir daí que vem a próxima onda de crise, que irá agravar ainda mais a crise de 2008, de onde nós ainda nem conseguimos sair.

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    4. "Mas não devia de ser, porque é exactamente isso que com o tempo conduz a revoluções violentas e "ajustes de contas" com os empresários."

      Caro JJHN

      Discordo dessa sua conclusão.

      De qualquer maneira, a prática das empresas mostra-nos que os seus resultados não estão sempre a descer, variam ao longo do tempo, sobem e descem.

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    5. As crises do Capitalismo são cíclicas, vão e vêm, portanto e como é óbvio, os resultados das empresas também são cíclicos e variam ao longo do tempo num sobe e desce.

      O problema é que existe uma tendência para os lucros gradualmente irem perdendo fulgor no longo prazo. Agora lá está, como se resolve este problema estrutural do modo de produção capitalista, deveria ser uma prioridade de todos os economistas.

      Quanto à violência, olhe, baste olhar para a Venezuela actual e ver o ponto a que a miséria faz as pessoas chegar...

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    6. "como se resolve este problema estrutural do modo de produção capitalista, deveria ser uma prioridade de todos os economistas."

      Caro JJHN


      Esse é o trabalho do dia a dia dos gestores, é prático e não teórico, inovar e melhorar a produtividade através de novos produtos e serviços, novos métodos de produção, de comercialização, etc., baixar custos fixos, optimizar resultados e conciliar o curto prazo com o longo prazo.


      "os resultados das empresas também são cíclicos"

      Nem sempre, há empresas que obtêm melhores resultados em contra-ciclo; depende do negócio que faz, das intenções e das estratégias dos gestores, das oportunidades que surgem, etc.

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    7. «Nem sempre, há empresas que obtêm melhores resultados em contra-ciclo; depende do negócio que faz, das intenções e das estratégias dos gestores, das oportunidades que surgem, etc.»

      Percebeu-me mal, o que eu quero dizer é que os resultados das empresas também sobem e descem, são portanto cíclicos nesse sentido.

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