sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A Morte Ideológica do Salazarismo



"O que é verdadeiramente tradicional é a invenção do futuro." - Agostinho Silva (1906 - 1994)

Apesar de eu saber que o próprio professor Salazar não gostava que chamassem a sua doutrina de "Salazarismo", esta é, na prática, a única designação que se pode dar ao conjunto de ideias que determinaram a acção política de Salazar e que formam no seu conjunto um aglomerado bastante original, porém, quase totalmente ultrapassado nos dias de hoje. 

Para mim, a principal lição a reter de Salazar, é o extremo cuidado que um governante deve sempre ter em tudo o que diz respeito a contas públicas, de forma a não só evitar males económico-financeiros, mas também no sentido de garantir a independência do seu País em relação aos agiotas do alto capital internacional e internacionalista. Uma Nação escrava dos banqueiros internacionais, jamais poderá ser uma Nação livre, nunca se esqueçam disto.

Em tudo o resto, a doutrina de Salazar encontra-se hoje ultrapassada pelo tempo e acima de tudo, pela força motriz dos acontecimentos, que provocou alterações tão radicais no tecido social e mental das populações, que querer combater os problemas de hoje com a doutrina de Salazar, seria o mesmo que um general querer vencer uma guerra no século XXI, com tecnologia militar da década de 1930. Não iria dar certo, pois não?...

Ainda recentemente eu abordei este problema ideológico com que os nacionalistas se depararam durante décadas e que apenas nos últimos anos começou a conseguir ser eficazmente ultrapassado, graças a uma radical renovação no campo das ideias e a uma actualização dos métodos e linguagem política. Como eu então disse, foi necessário preparar «ideologicamente o Nacionalismo que muitos consideravam como sendo "ultrapassado", para conseguir combater eficazmente uma guerra político-ideológica no século XXI.» O "bebé" que nasceu deste difícil e muito controverso processo de modernização ideológica, para o bem e para o mal, ficou conhecido por Alt-Right e apesar de eu saber das críticas que chovem e nalguns casos do desprezo que nos cai em cima, por parte de alguns membros da nossa própria família política, muitos deles pertencentes à "velha guarda", eu a esses pergunto-lhes apenas se na sua infinita e estúpida arrogância têm alguma solução melhor?!? Se a têm, então que façam o favor de a apresentar a todos, se faz favor. 

Estes senhores que hoje troçam da Alt-Right e ridicularizam os nossos esforços, muitos deles ligados ao lobby católico (diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és...), passaram as últimas décadas a serem batidos em toda a linha pela esquerda e pelos liberais. Acumularam derrota em cima de derrota e quase que nos levaram à ruína total, tal foi a sua incompetência em fazer oposição e agora, quando pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial os nacionalistas se conseguiram finalmente reorganizar e passar para a ofensiva, desprezam-se esses mesmos resultados? Veja-se a título de exemplo o caso dos monárquicos que presos a dogmas ideológicos e religiosos, encontram-se hoje à beira da extinção política (pelos meus cálculos, bastam mais 20 a 30 anos para que sejam reduzidos a uma memória do passado...). E a maioria dos monárquicos até são boas pessoas, não dúvido disso, mas carecem de habilidade política e aparentam ser pouco ousados, não sabem apunhalar o inimigo no coração, não sabem tocar-lhe no calcanhar de Aquiles e muitos sofrem daquilo a que eu chamo o "síndrome da língua de pau", algo fatal para quem combate contra os discípulos da neomarixsta Escola de Frankfurt. 

Que isto fique claro: para combater o inimigo com que nos defrontamos hoje, é necessário por vezes descer ao nível da sarjeta em termos morais e estar preparado para lutar numa poça de excremento, se tal for necessário, parece-me que é isto que a "velha guarda" nunca chegou a entender. Não podemos ter princípios para com gente que também não exibe princípios para connosco. 

Porém, no fundo, a falência ideológica do Salazarismo, algo que se começou a notar logo no final da década de 1950, deveu-se em larga medida à sua inadaptação e incapacidade crónica para combater o Neomarxismo. O Salazarismo, muito à semelhança do Conservadorismo Católico, não consegue combater a ideologia largamente criada e disseminada pelos judeus da Escola de Frankfurt, porque a Escola de Frankfurt foi toda ela criada e desenvolvida de raiz para neutralizar e destruir o Conservadorismo Católico e doutrinas ultra-conservadoras como a de Salazar. Este é o principal motivo pelo qual o Salazarismo já não tem aplicação prática para os nacionalistas nos dias de hoje e quem teimosamente ainda insistir em utilizar o Salazarismo como meio de combate político, irá direito a uma derrota certa, não duvidem disso. 

O segundo motivo pelo qual o Salazarismo já não faz sentido hoje, é devido à profunda mudança geográfica que Portugal sofreu em consequência do 25 de Abril de 1974, que como todos sabemos, desembocou directamente no infame e criminoso processo de descolonização. A doutrina de Salazar havia sido toda ela pensada e erguida com base numa premissa que era a de preservar e defender a integridade do Império. Ora, o Império já não existe e muitos dos mais jovens nacionalistas portugueses não querem saber do mesmo para nada, porque por um lado simplesmente nunca o conheceram e porque por outro, estão fartos do tal "multiculturalismo" que mais não fez do que criar guetos terceiro-mundistas no nosso próprio País, que constituem autênticos ninhos de crime, vício e ódio contra a população autóctone. Os africanos podem ficar descansados que nós não iremos voltar a África, antes pelo contrário, queremos ver esse Continente pelas costas de uma vez por todas e longe, bem longe de nós.

O terceiro motivo que leva a uma inadaptação do Salazarismo ao nosso tempo, deve-se ao cada vez maior distanciamento que muitos nacionalistas contemporâneos têm em relação à Igreja e à religião cristã, componentes fundamentais da doutrina salazarista. Esta é, de longe, a temática mais controversa de todas e a que move as maiores paixões e divisões no seio dos movimentos nacionalistas contemporâneos. O Nacionalismo que outrora andava quase sempre de mãos dadas com o Cristianismo, passou a ser no século XXI um movimento onde se sentam à mesma mesa agnósticos, ateus, católicos, protestantes e neopagãos. É muito difícil de prever para onde se encaminha esta alteração religiosa no seio dos movimentos nacionalistas contemporâneos e onde irá a mesma desembocar, mas eu pessoalmente não antevejo que o Cristianismo consiga resistir, pelo menos na Europa Ocidental, porque o mesmo parece ter sido ferido de morte. O próprio académico conservador, Roger Scruton, já fala numa "cultura ocidental pós-cristã" e quando até o próprio Roger Scruton já admite nestes termos que o Cristianismo se encontra no seu leito de morte, é porque deve ser mesmo verdade.

A morte do Cristianismo na Europa, pode no entanto e ao contrário do que muitos pensam, vir a revelar-se um autêntico "tiro pela culatra" para a esquerda. Praticamente desde os seus primórdios que remontam à Revolução Francesa, a esquerda sempre odiou o Cristianismo com todas as suas forças e tentou destruí-lo, mas esqueceu-se de que os cristãos são por natureza bastante piedosos para com os seus inimigos, em comparação com os seguidores de outras crenças religiosas. Uma Europa pós-cristã pode por isso mesmo vir a revelar-se como sendo um pesadelo para a esquerda em geral, que pode muito bem vir a ser alvo de toda a espécie de sevícias, especialmente da parte islâmica se o tsunami maometano não for entretanto contido. Alias, eu próprio aquando do ataque ao jornal anarco-comunista Charlie Hebdo, já tinha referido como a esquerda será a primeira vítima de uma Europa islâmica e não é mera coincidência o facto de os islamitas nunca terem atacado nenhum alvo ligado à dita "extrema-direita", mas já terem atacado uma discoteca LGBT em Orlando e o jornal acima referido, tudo alvos conotados com a agenda política esquerdista.

Ideologicamente incapaz de reagir adequadamente aos seus inimigos, desprovido de Império para defender e com o Cristianismo já no seu leito de morte, é perfeitamente compreensível que o Salazarismo não seja capaz de responder aos problemas com que se debatem os nacionalistas no século XXI. E digo-vos mais, a situação em que o nosso País e a Europa em geral hoje se encontram, é muito pior do que aquela em que estávamos em 1926. A sociedade está completamente atomizada e como que hipnotizada pelas forças do mal e se nada for feito, iremos sofrer um colapso civilizacional que fará a queda de Roma parecer uma brincadeira de crianças em comparação. 

João José Horta Nobre
16 de Setembro de 2016

9 comentários:

  1. E a derrota nacionalista(salazarista ou não)cá foi de tal monta que a propaganda neomarxista(a par talvez com o liberal-libertanismo) na rádio/tv pública portuguesa é avassaladora,um exemplo http://www.rtp.pt/play/p304/e250324/um-certo-olhar

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  3. Ouçam pelo menos a parte sobre as declarações do Clint Eastwood,a certo ponto o locutor marxista do programa cita o sr Clint que diz que mais vale o Trump que a sra Clinton e que esta geração actual é um "bando" de maricas(podem ouvir o risinho das neomarxistas do programa).

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  4. Quero deixar claro que não sou saudosista do antigo regime, muito pelo contrário, mas sei ver o que foi feito ou não pela ditadura ou pela democracia.
    Foi um assassino do povo, é verdade, mas também deixou legado, as muitas barragens que mandou construir, escolas que agora destroiem, uma ponte a que retiraram o nome, que eu sábado o 25 de Abril não foi visto nem achado nessa construção.
    Nos 40 anos subsequentes ao 25 de Abril o que foi feito? Há compraram -se uns submarinos, essenciais para a economia do país, compraram-se uns aviões de guerra essenciais para nos defendermos dos nossos inimigos imaginários.
    Construíram a barragem do Alqueva, Kilometros de estradas e autoestradas com dinheiros da União europeia, de dívida 0 contraíram esta pequena dívida criando alguns muito ricos amigos dos governantes, e por aí fora.

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  5. "...a situação em que o nosso País e a Europa em geral hoje se encontram, é muito pior do que aquela em que estávamos em 1926."

    Caro JJHN

    Isso é a todos os níveis ridículo.

    Em 1926, a Europa ainda tentava reerguer-se da Grande Guerra; na Rússia, após a morte de Lenine, Estaline ascendeu ao poder e iniciou a colectivização forçada da economia.

    Hoje, (tirando a desintegração na Jugoslávia) estamos com mais de 70 anos de paz na Europa, Os regimes comunistas implodiram, a democracia e o capitalismo consolidaram-se.

    Naquela altura como hoje, o mais importante é pôr as contas públicas em ordem, Salazar fez isso, hoje (apesar dos políticos estarem sujeitos a eleições, apenas falta quem tenha coragem de as pôr em ordem), senão lá teremos de esperar pelo aumento da pressão financeira para ir ajustando ou, se houver coragem política, para implementar rapidamente as reformas estruturais que tenho defendido que irão contribuir para desmantelar as bases de sustentação da esquerda com as consequentes melhorias.

    Aproveito para relembrar a lista actualizada:

    Abolição do salário mínimo
    Liberalização dos despedimentos
    Abolição dos descontos
    Pagamento do verdadeiro custo da água e energia pelo utilizador
    Pagamento do verdadeiro custo de educação e saúde pelo utilizador
    Liberalização (facilitação, desregulamentação) do acesso às profissões liberais
    Liberalização das rendas
    Sujeição a IRC a todas as pessoas colectivas
    Simplificação do IRS com sujeição individual, taxa única, sem deduções e abatimentos
    Taxa única no Iva
    Desmantelar o sistema escolar com o e-learning
    Varrer a função pública
    Extinção das juntas de freguesia
    Redução do número de deputados
    ...
    ...
    ...

    ...



    Relembro que se não houver coragem política para isso e continuarmos com simples ajustamentos, volta e meia, os eleitores irão continuar a votar à esquerda e a espalhar a merda.

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    1. «Hoje, (tirando a desintegração na Jugoslávia) estamos com mais de 70 anos de paz na Europa, Os regimes comunistas implodiram, a democracia e o capitalismo consolidaram-se.»

      Sim e pelo meio criou-se uma crise demográfica de difícil reversão, destruíram-se as famílias e criou-se uma sociedade que em termos de valores parece ter saído de algum filme pós-apocalíptico.

      Quanto aos "70 anos de paz", isso é um mito, pois já tivemos guerras nos Balcãs na década de 1990 e neste preciso momento ainda temos uma guerra a decorrer no Leste entre a Rússia e a Ucrânia.

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    2. Muito bem respondido, caro JJHN! O que realmente tivémos na Europa, se excluirmos os conflitos que mencionou, foram 70 anos de paz podre, em que uma classe de agiotas não-eleitos se apoderou dos recursos e dos governos da união.

      A guerra, contrariamente ao que o Arquivista julga, nunca acabou, simplesmente passou a ser travada pelos governos contra os seus cidadãos. Basta olhar para as 1400 meninas sistematicamente abusadas por muçulmanos em Rotherham, para as dezenas de milhares de mulheres violadas por muçulmanos em toda a Europa, para as vítimas dos vários atentados terroristas em solo europeu (Madrid, Londres, Paris, Bruxelas,...), para as pessoas que estão a ser processadas por publicarem uma ou duas frases contra o Islão no Facebook ou que são presas durante anos por questionarem a versão oficial do holocausto, para a quantidade de jovens europeus desempregados, ao mesmo tempo que a Mer(d)kel pede mais empregos para os refugiadistas, para os guetos e "no-go zones" que florescem em redor de todas as grandes capitais europeias e onde até as autoridades têm receio de entrar... porra, isto não é guerra?

      Pois o Arquivista fique sabendo que eu participaria de bom grado numa guerra militar "a sério" durante anos se, quando voltasse, tivesse a garantia de reaver a Europa!

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    3. Caros JJHN e AdP

      É claro que foi uma "paz podre", afinal sempre existiu uma forte possibilidade de conflito das democracias ocidentais com os regimes para lá da Cortina de Ferro, mas depois do colapso desses regimes e da dissolução do Pacto de Varsóvia, só restou o regresso à normalidade democrática na grande maioria deles e à consolidação do capitalismo em substituição das "economias planificadas".


      Ao contrário do que JJHN menciona, não existe uma crise demográfica na Europa, isso só resulta quando existem milhões de mortes num curto espaço de tempo, quer seja pela guerra, por doenças ou ainda uma eventual catástrofe natural de proporções quase inimagináveis.

      O que existe são as consequências normais da implementação do Welfare State, os filhos foram substituídos pelas reformas, se dantes era normal haver famílias com vários filhos hoje em dia ter dois já começa a ser um encargo considerável para as famílias.

      Quando hoje em dia se fala duma crise demográfica relacionam-lhe logo com o Estado Social, com os descontos que não haverá para financiar as reformas actuais e as futuras, ora, como todos devemos saber só há Estado Social porque há financiadores externos, por isso, o endividamento aumenta muito rapidamente.

      Em relação à destruição da família e à perca de valores morais, reflectem as consequências do Estado Social e da opções económicas dos governos eleitos pelos eleitores. A esquerda sempre atacou a família como base da sociedade, logo é natural que os valores se percam quando a família é "dissolvida".

      Com a criação dos salários mínimos, das leis laborais e dos descontos, a actividade económica sofre com isso e reflecte-se nas pessoas e famílias (há um menor número de casamentos, há uma migração dos campos para as cidades, muitos emigram, as "grandes" famílias afastam-se, hoje só se vêem nas férias.
      Depois existem as "novas formas de família" "instituídas e protegidas" por legislação aberrante.
      Há de facto um menor número de nascimentos mas está muito longe de ser uma crise demográfica.



      "A guerra, contrariamente ao que o Arquivista julga, nunca acabou, simplesmente passou a ser travada pelos governos contra os seus cidadãos."

      Não se esqueça, que esses governos são eleitos pelos tais cidadãos, ou seja, reflectem a própria escolha dos eleitores.

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  6. A revolução subversiva mundial continua http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/14804-marxismo-cultural.html

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