terça-feira, 4 de outubro de 2016

Uma Relação de Amor e Ódio: O Nacionalismo e a Revolução Francesa



Se é verdade que a Revolução Francesa destruiu o ancien régime e se transformou num alvo permanente a atacar para muitos nacionalistas que ainda a vêem como a origem de todos os males contemporâneos, também é verdade que foi a Revolução Francesa que lançou as sementes do Nacionalismo como movimento político-ideológico devidamente estruturado e organizado.

Não existia Nacionalismo como fenómeno político organizado antes da Revolução Francesa e não existia, porque também não fazia falta a sua existência. A França e basicamente toda a Europa, eram então governadas por monarquias, onde não existia ainda a praga apócrifa dos partidos políticos, que são a causa contínua do falhanço das democracias liberais no Mundo Contemporâneo. Também não existia nos regimes políticos do ancien régime uma concepção de Estado-Nação tal como a conhecemos hoje e o povo em geral encontrava-se completamente afastado do processo político. 

Com a Revolução Francesa introduziu-se a ideia "revolucionária" de que o Estado-Nação pertencia ao povo e de que este por sua vez, tinha um papel primordial no mesmo. Não foram os franceses que desenvolveram esta ideia do nada, pois a mesma já tinha raízes na Revolução Inglesa e se quisermos ir mais longe, podemos seguir a origem da mesma até à Grécia Antiga. 

Anteriormente à Revolução Francesa, a fidelidade de um povo não era para com uma dada Nação ou Pátria, mas para com um determinado monarca. No caso da França e não só, os monarcas eram equiparados ao Estado, podendo-se mesmo dizer que o Rei e o Estado se equivaliam, sendo uma coisa inseparável e indistinguível da outra. Hoje, esta ideia pode parecer à maioria de nós uma coisa bastante bizarra para se dizer o mínimo, mas o facto é que esta estruturação do poder era aceite pela maioria da população como sendo algo perfeitamente normal. 

A Revolução Francesa veio alterar radicalmente a forma como o poder se organizava e foi mais além, alterando a própria relação dos cidadãos para com os órgãos de poder. Foi a Revolução Francesa que introduziu o conceito da "cidadania" e enfatizou o conceito de que o Estado e a Nação pertencem aos cidadãos e é este que deve responder perante os mesmos e não o contrário. Do ponto de vista militar também houve consequências, sendo que se começaram a organizar exércitos nacionais que já não combatiam apenas por um monarca, mas sim, por um dado Estado-Nação. A Revolução Francesa em termos de repercussões por toda a Europa, quando não os eliminou pura e simplesmente, transformou os monarcas num mero acessório sem grande poder.

Em Portugal, constuma-se muitas vezes culpar a Revolução Francesa pelas posteriores invasões napoleónicas que devastaram o nosso País e se é verdade que sem Revolução Francesa, provavelmente nunca teria ocorrido a trágica Guerra Peninsular, julgo que é injusto atirar as culpas de todos os nossos males para cima de uma Revolução cujos objectivos políticos, se forem analisados atentamente, estão ideologicamente muito mais próximos da direita nacionalista, do que da esquerda marxista. Goste-se ou não dos mesmos, o facto é que os revolucionários de 1789, voluntária ou involuntariamente, acabaram por lançar as pedras do Nacionalismo contemporâneo como fenómeno político organizado.

João José Horta Nobre
4 de Outubro de 2016

8 comentários:

  1. Uma análise muito interessante, caro Mestre Nobre! Eu sou da opinião que o erro não foi a Revolução Francesa em si, que até me parece inevitável no seu contexto histórico.

    Como o Caturo do blogue Gladius costuma dizer, o erro de Hitler não foi o Nacionalismo, foi o Imperialismo. Julgo que o mesmo se aplica ao Napoleão. Tenho a convicção de que os ideais da Revolução Francesa não podiam ser impostos à força. E o mesmo se aplica ao ideal Nacionalista. Ou se sente ou não se sente. Quando muito, podemos inspirar e contagiar os outros com a nossa paixão nacionalista. Mas forçá-la, impingi-la aos outros, nem pensar. Isso é a receita para o desastre!

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    1. «Uma análise muito interessante, caro Mestre Nobre!»

      Obrigado ;)

      «Como o Caturo do blogue Gladius costuma dizer, o erro de Hitler não foi o Nacionalismo, foi o Imperialismo.»

      Hitler era um homem do século XIX e pensava como um homem do século XIX.

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    2. Mas não tente explicar isso a alguns elementos da nossa blogosfera, caro JJHN! Para eles, o homem era um santo!

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  2. "Revolução cujos objectivos políticos, se forem analisados atentamente, estão ideologicamente muito mais próximos da direita nacionalista, do que da esquerda marxista."

    Caro JJHN

    O contexto em que a Revolução Francesa surge é o da fome, precedida de fracas colheitas em plena Pequena Idade do Gelo, além disso, existia um enorme défice e uma enorme dívida externa com os habituais altos impostos.

    O objectivo político inicial da Revolução Francesa era limitar o poder absoluto do Rei. Luís XVI não teve "jogo de cintura" e em 1792 foi Proclamada a República.

    Entretanto a radicalização veio logo a seguir pelos sans-culotte, os jacobinos defendiam o ideal duma sociedade igualitária; ora "igualar uma sociedade" só é possível pela força, Nobreza, Clero e os sans culottes girondinos perdiam privilégios senão mesmo a vida nas guilhotinas até à queda dos jacobinos.

    Já depois do Directório, Napoleão emergiu como militar vitorioso nas guerras revolucionárias, o nacionalismo surge neste contexto, o de assegurar jovens soldados a baixo custo que iriam substituir os militares aristocratas e mercenários. Ainda não tinha nada a ver com esquerda ou direita.

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  3. A "revoluçao" ANTI-francesa foi um GOLPE da burguesia judaica contra os gauleses.O sistema monarquico Europeu sempre foi um impecilio para os manequeismos dessa corja despida de caracter e dignidade.Esse regime pseudo democratico chamado de "democracia" (((representativa))) espalhou o poder maos de varios com o intuito unico de faciliar a corrupçao do mesmo.

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    1. «A "revoluçao" ANTI-francesa foi um GOLPE da burguesia judaica contra os gauleses.»

      Tem provas disso?

      Essa teoria nem é credível, nem minimamente sustentável factualmente. Eu próprio sei que os supremacistas judeus estão por detrás de muita coisa e até acredito que os mesmos se possam ter querido aproveitar da Revolução Francesa depois da mesma começar, mas não foram os supremacistas judeus que a iniciaram.

      «Esse regime pseudo democratico chamado de "democracia" (((representativa))) espalhou o poder maos de varios com o intuito unico de faciliar a corrupçao do mesmo.»

      E quem é que alguma vez disse que os revolucionários de 1789 eram todos "democratas"?

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  4. Segundo dados do governo indonesio há 1 milhao e 800 mil pessoas de origem indonesia vivendo na Holanda ,cujo a populaçao é de 17 milhoes de habitantes.

    https://en.wikipedia.org/wiki/Indonesians

    http://swa.co.id/swa/business-strategy/ada-18-juta-diaspora-indonesia-di-belanda-ini-komposisinya

    .....................................................................


    Porem ,o governo mentiroso da holanda diz que o total de indonesios na holanda nao passa de 350 mil.

    https://en.m.wikipedia.org/wiki/Netherlands

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  5. Suécia: mulher em cadeira de rodas estuprada por grupo de estrangeiros.


    os estupradores foram pegos mas ja estao livres novamente e com proteçao 24 horas por dia garantida por policiais em trajes civis.Sim,isso mesmo ,os ESTUPRADORES ,não a vitima,estao recebenndo protençao da policia.

    https://www.nordfront.se/leave-this-country-you-filthy-animals-skaggbarnen-bakom-gruppvaldtakten-pa-gotland-konfronteras.smr

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