quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Reflexões Sobre a Religião - Parte I



"As religiões, assim como as luzes, necessitam de escuridão para brilhar." - Arthur Schopenhauer (1788 - 1860)

Houve um tempo, já muito longínquo, mas houve um tempo em que a religião era uma coisa bastante colorida. Deuses e Deusas de toda a espécie e para todos os gostos, uma mitologia riquíssima e extremamente bem regada de imaginação criativa, tudo encimado por rituais que possuíam uma carga mágica sempre acompanhada de uma dose bem forte de mistério oculto. Eram assim as religiões - essencialmente identitárias - que governavam e mantinham o equilíbrio do Mundo na Antiguidade.

Devo dizer antes de ir mais longe, que é precisamente na Antiguidade que reside a fonte da melhor e mais equilibrada sabedoria que o Mundo alguma vez viu. A esmagadora maioria das neuroses de que padece o Mundo contemporâneo, poderiam ter sido evitadas de raiz, se a Humanidade não tivesse enveredado por caminhos obscuros e contra-natura no campo da fé.

Não se sabe bem quando, mas por volta de há uns 4 mil anos atrás, começou-se a desenvolver na região onde actualmente se encontra o Estado de Israel, uma religião - o Judaísmo - que ao contrário de todas as outras até então concebidas, afirmava que só existia um único Deus e que o povo hebreu era o "povo eleito" desse mesmo Deus. Até aqui tudo bem. Cada um deve ter o direito a seguir a crença que bem entender na sua terra. Se um dado povo quer acreditar que ele é especial e superior a todos os outros povos do planeta, isso a mim não me incomoda minimamente, desde que tal crença fique confinada ao território desse mesmo povo. O problema, portanto, só começou quando a "coisa" monoteísta e judaica começou a derramar para fora...

Como inevitavelmente acontece, mais tarde ou mais cedo, a todos os movimentos políticos e religiosos, também o Judaísmo na sua forma mais original e pura, se acabou por cindir em várias fações, correntes e seitas. Chamemos a estas novas tendências os "neo-judaísmos", pois é exactamente disso que se tratam. Foram muitas as seitas religiosas que derivaram do Judaísmo, sendo que a maioria entretanto se esfumou nas brumas do tempo, perdendo-se assim para sempre. Porém, houve dois neo-judaísmos que se destacaram de todos os outros, como é óbvio, estou a referir-me aqui ao Cristianismo e ao Islão, religiões directamente descendentes do Judaísmo e que são comummente conhecidas como as "religiões abraâmicas", precisamente por terem a sua origem comum reconhecida em Abraão.

Estas religiões abraâmicas, em geral, são uma antítese dos politeísmos que a Europa conheceu anteriormente. Tanto o Cristianismo, como o Islão, por onde quer que tenham passado na Europa, aboliram os Deuses e Deusas étnicos de cada povo indígena e trataram logo de os substituir por um único Deus, judaico de origem e que os abraâmicos garantem todos ser uma "boa" criatura que não hesitará em queimar-vos para toda a eternidade nos fogos mais horripilantes do inferno, se vocês não lhe obedecerem cegamente. 

Os rituais das antigas religiões étnicas a que os abraâmicos depreciativamente chamam de "paganismos", foram substituídos por outros rituais, dedicados acima de tudo a instilar o terror nos corações dos crentes. A tradicional tolerância pagã para com "pecados" relativamente levianos e comuns à natureza humana, foi substituída pela dureza da lei judaica, intolerante, castigadora, vingativa e totalitária. A única religião abraâmica que foge um pouco a esta regra, é o Cristianismo, que apesar de ser uma religião claramente muito mais tolerante do que o Judaísmo ou o Islão, não deixa também de advertir que há pecados que são "mortais" e que o inferno é para onde vão as almas dos pecadores sem salvação possível.

Qualquer pessoa minimamente honesta do ponto de vista intelectual, que já tenha estudado mitologia religiosa, sabe que a mitologia judaica é uma das mais pobres e fracas na face da Terra. Não é só a mitologia greco-romana e a egípcia que é muito superior à mitologia hebraica. Mesmo até a mitologia dos "bárbaros" celtas e das tribos germânicas e eslavas, é muito superior à mitologia dos hebreus. As lendas produzidas pela mitologia dos egípcios, gregos, romanos, celtas, etc... estão repletas de heróis, virtudes e orgulho, sendo só por si um verdadeiro hino ao Nacionalismo Místico. Pelo contrário, a mitologia judaica é muito pobre, direi que a palavra adequada para a descrever mesmo é "seca". A mitologia judaica é uma baixa mitologia e o resultado - as religiões abraâmicas - é igualmente pobre. 

Há alguns dias atrás estava a ler uma pequena intodução à Jefferson Bible e a mesma afirmava que Thomas Jefferson considerava o sistema ético de Jesus, como sendo o mais avançado que o Mundo alguma vez conheceu. Pessoalmente, eu não nego que a ética de Jesus tenha as suas virtudes, porém, tudo aquilo, repito, TUDO o que Jesus "desenvolveu" a nível ético e moral, já tinha sido anteriormente desenvolvido por filósofos da muitíssimo antiga Civilização Chinesa, do Antigo Egipto e da Antiga Grécia. Jesus não introduziu absolutamente nada de novo em termos éticos ou morais, antes pelo contrário, limitou-se a repetir o que já havia sido dito por outros grandes pensadores do Mundo Antigo. Aliás, quando Jesus começou a pregar "a paz e o amor entre os homens" na Galileia, já Gautama Buddha tinha feito relativamente o mesmo cerca de quinhentos anos antes na Antiga Índia. Confúcio, mais ou menos pela mesma altura, repetiu a proeza na Antiga China e diga-se de passagem que o sistema ético confuciano, em termos de complexidade encosta o de Jesus a um canto. Cristo, basicamente, foi a versão judaica de Buda e Confúcio e tal como a mitologia hebraica é mais pobre do que a mitologia indiana ou chinesa, também o sistema ético de Jesus é mais simples do que o de Buddha ou Confúcio. A inferioridade da cultura judaica, anda de mãos dadas com a inferioridade da doutrina de Jesus, que não consegue competir minimamente com a dos dois gigantes da Ásia espiritual. Mesmo até Sócrates que morreu envenenado com cicuta, era provavelmente superior a Jesus em termos de filosofia. Aristóteles, idem. 

Hitler escreveu no Mein Kampf que os judeus eram um povo destruidor de culturas. Hitler estava errado. Na verdade, os judeus, ou melhor, o Judaísmo e seus derivados, são acima de tudo destruidores de religiões politeístas e a prova disso é como onde quer que as religiões abraâmicas tenham tocado, não tardou a que estas se impusessem de forma totalitária à sociedade, exterminando por completo, ou quase por completo as religiões politeístas que antes eram ali triunfantes. Não houve um único recanto da Europa ou do Médio Oriente que tivesse ficado livre desta praga espiritual. Da Europa, a doença abraâmica espalhou-se para o "novo Mundo", onde sem dó, nem piedade, humilhou e destruiu largamente as tradições religiosas dos povos americanos e africanos. O mesmo que as religiões abraâmicas já haviam feito na Europa, fizeram-no fora de Europa. Por isso, se alguém quiser encontrar um antecessor ideológico para o Totalitarismo Comunista e Nacional-Socialista, pode encontrá-lo nas religiões abraâmicas, começando logo pelo próprio Judaísmo. Actualmente temos o Estado Islâmico como exemplo perfeito de como seria uma sociedade governada por abraâmicos que detivessem o poder absoluto na mão. Que sirva de aviso...

Recordo-me de em criança ter visitado muitas igrejas. Não sei porquê, mas houve uma altura da minha vida em que eu parecia que andava a fazer turismo religioso. Apercebi-me ao fim de certo tempo que, na sua maioria, as igrejas eram locais aberrantes e bastante doentios. Ali, pregado a uma cruz - um instrumento de morte e tortura do Estado Romano - estava a imagem de um homem ferido de morte. O ambiente escuro e a cheirar a mofo da Igreja, em conjunto com a imagem de Jesus crucificado, era e é uma coisa profundamente mórbida, diria até assustadora para uma criança. Imaginem só se Jesus tivesse sido executado numa cadeira eléctrica? Iriam nesse caso as igrejas exibir imagens de Jesus a ser electrocutado na cadeira?... Francamente, a insanidade também tem de ter limites...

Depois, a somar-se a isto, há as "relíquias" com restos de cadáveres naturalmente mumificados de supostos "santos". Se vocês alguma vez tivessem tido contacto com o mundo funerário como eu tive por motivos familiares, iriam perceber que os tais "santos incorruptíveis" da Igreja, não mais são do que cadáveres ou restos de cadáveres que foram naturalmente mumificados pelo clima e o meio envolvente onde a carne foi colocada após a morte. A saponificação é apenas um entre muitos outros desses processos de mumificação natural que tanto podem ocorrer em climas quentes, como em climas frios.

Do ponto de vista natural, acredito que as religiões abraâmicas são muito mais desligadas da natureza, do que as antigas religiões pagãs, por um motivo que eu julgo muito simples de entender e que passo a explicar: Observe-se o Universo e a natureza à nossa volta. Quando fazemos tal, constatamos que existem no Universo e na natureza várias forças em jogo. Não existe uma única força, mas sim, um conjunto de forças, por vezes antagónicas entre si e que se relacionam entre si, umas vezes harmoniosamente, outras de forma violenta. Basta que se conjuguem as forças naturais adequadas para que tenhamos uma noite de trovoada, a título de exemplo. Ora, quando os antigos falavam em "Deuses" e "Deusas", eles estavam-se a referir metafóricamente a estas mesmas forças da natureza. É por isso muito mais fácil de se compreender o Universo de uma perspectiva politeísta, do que de uma perspectiva monoteísta. O monoteísmo pressupõe que existe apenas um único Deus que, à semelhança de um tirano, tudo comanda e tudo dirige, ou seja, que há uma única força da natureza em jogo. Esta ideia, este conceito monoteísta e eminentemente judaico, para além de ser totalitário, atenta contra a própria realidade empírica do Universo, pois para mim é mais do que óbvio que existem várias forças ocultas no Universo - estamos aqui a entrar no campo da metafísica - que concorrem constantemente entre si. A luta entre o bem e o mal, no fundo, é exactamente isto e por vezes, demasiadas vezes, custa muito a perceber de que lado está o bem e de que lado está o mal...

João José Horta Nobre
28 de Dezembro de 2016

11 comentários:

  1. Penso que a possibilidade(conforme veiculada por vários autores/investigadores)de seres de outros mundos(dentro no universo material)terem vindo ao nosso Planeta no passado e deixado certos vestigios(em escritos e monumentos)é uma boa explicação para o que aconteceu no médio oriente(nos tempos pré abramicos)e para o aparecimento do monoteísmo(que segundo os próprios relatos do velho testamento hebreu saiu do Egipto com Moisés).

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    1. É possível, lá está, não existem provas concretas sobre nada disso, mas não deixa de ser um assunto que dá que pensar.

      O monoteísmo surgiu basicamente do nada e foi contra toda a tradição religiosa até então conhecida. Claro que qualquer mente sã, logicamente percebe que há qualquer coisa de muito estranho nisto. Quando temos um sistema religioso que literalmente vai contra as tradições religiosas de todos os povos da Terra, tal como é o caso do monoteísmo judaico e do seu resultado - religiões abraâmicas - isso deveria de ser motivo para se pensar muito seriamente sobre quem está afinal errado.

      Quanto aos relatos sobre Moisés, tanto quanto se sabe, tudo não passa de mitologia. Não existe um único papiro ou qualquer outra fonte material do Antigo Egipto que nos fale de Moisés ou do Êxodo. Não há absolutamente qualquer prova documental sobre a existência de Moisés, o que obviamente nos leva a ter de concluir que Moisés não passa de uma figura mitológica.

      Um dos meus filmes preferidos é o clássico "Os Dez Mandamentos" (1956) de Cecil B. DeMille. A primeira vez que vi esse grande clássico do cinema, eu teria os meus 9 ou 10 anos de Idade. Na altura, acreditei que tudo o que estava no filme era mesmo verdade e durante anos julguei que Moisés tivesse existido mesmo e que ele tivesse, de facto, guiado o povo judeu no Êxodo. Claro que fiquei muito decepcionado quando descobri que afinal os antigos egípcios nunca escreveram uma única linha sobre Moisés ou Êxodo. Isto para mim é a prova definitiva da não existência de Moisés como figura histórica de carne e osso, pois os antigos egípcios faziam crónica de tudo e registavam em papiros todos os acontecimentos de relevo. É impensável que se Moisés tivesse realmente existido e feito o que a Bíblia diz que ele fez, que os antigos egípcios não tivessem feito alguma crónica ou registo em pedra sobre esses mesmos acontecimentos. Uma coisa como o Êxodo bíblico, se realmente tivesse acontecido, seria de tal magnitude que jamais os antigos egípcios deixariam isso cair no esquecimento.

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    2. Eu não quero causar mais "confusão"(ou melhor dizendo provocar trabalhos de pesquisa que levam tempo/energia mental pois o "buraco" temporal é grande e as provas complicadas de obter)mas o coment do Rick pede que deixe este link https://thoth3126.com.br/o-livro-perdido-de-enki-13a-tabuleta/

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  2. Muito bem explicado. Só não entende quem não quer ver.
    Mas, hélas, já não será do nosso tempo que as coisas irão mudar.
    Mudar mentalidades e desafiar a Fé dos outros é uma tarefa impossível de se conseguir nos próximos séculos. Só quando sairmos da Terra poderá haver alguma esperança de voltarmos a ser os Homens da Natureza como fomos há muitos milhares de anos atrás. Isto não quer dizer voltar à Idade da Pedra mas sim entender a Natureza e viver de acordo e não artificialmente como agora.

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    1. «Muito bem explicado. Só não entende quem não quer ver.»

      Obrigado.

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  3. Todo Cristão Verdadeiro nunca irá desmerecer a filosofia do Buda, pois existe grande semelhança entre ambas, pois são sustentadas por
    02 pilares, a saber:

    1-O reconhecimento de uma Mente e de um Espirito Universal;
    2-O Amor ao próximo como a si mesmo.

    A diferença entre tais filosofias é que Jesus fala para o povo simples através de parábolas fáceis de se entender já Buda falava para uma certa elite intelectual.

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    1. Há uma "teoria da conspiração" que diz que Jesus foi, na realidade, um discípulo de Buda e que antes de começar a pregar na Galileia, Jesus terá estudado o Budismo, filosofia que ele posteriormente adaptou de forma a ser compreendida pela sociedade judaica.

      Se isto é verdade ou não, eu não faço ideia, tanto quanto sei não existem provas que sustentem a teoria.

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    2. meu último post https://oquedeusquer.blogspot.pt/2016/12/a-grande-meretriz.html

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  4. Posta muito interessante, caro JJHN! Eu partilho inteiramente a sua opinião quanto à evolução das religiões abraâmicas, mas julgo que o Islão é um caso à parte, porque foi buscar o melhor do Judaísmo e do Cristianismo, rejeitando o pior. Senão repare-se:

    Judaísmo: um só Deus, um só povo. Todos os outros povos são inferiores e não merecem as honras e os privilégios reservados aos judeus. Os judeus devem amar o próximo… desde que também seja judeu. O conceito de pecado original não tem o carácter hereditário e patológico que adquire com a emergência do Cristianismo. O judaísmo tem assim um forte carácter identitário, com a religião a constituir uma espécie de nação sem fronteiras terrenas, mas ainda assim etnicamente homogénea (a excepção são as mulheres não-judaicas, que podem ser tomadas pelos judeus).

    Cristianismo: um só Deus, um Messias, a culpa irremissível pelo pecado original, o imperativo do perdão e do amor universal. A grande diferença para o Judaísmo é que agora todos os povos do mundo são irmãos, desde que reconheçam Cristo como Messias filho Deus, que é o próprio Deus. Quebra-se assim a ligação milenar que havia entre aetnos e a religião. O contexto da génese do Cristianismo é o do jugo do Império Romano sobre a província da Judeia, o que explica essa grande diferença: na impossibilidade de combater Roma pela via das armas, os seguidores de Cristo combateram-na por via da culpa. Gandhi repetiu a estratégia contra os ingleses quase 2000 anos mais tarde, com o mesmo sucesso. E os neomarxistas estão a repeti-la agora com os “refugiados”! O que não quer dizer, evidentemente, que pelo meio não tenha havido cristãos muito mais belicosos, que impuseram o seu credo pela via da espada quando se apanharam na mó de cima. Esta é a chave: apanhar-se na mó de cima! Porque a doutrina original era tão simples quanto isto: envergonhar o inimigo com a culpa e obrigá-lo a dar a outra face.

    Islamismo: um só Deus, um profeta messiânico, o desígnio do califado mundial. O Islão é um caso fascinante porque, por um lado, foi buscar ao Judaísmo a ideia de que a religião é uma “grande nação” e até lhe dá um nome, a Ummah. Aos muçulmanos, pertencentes à Ummah, estão reservados inúmeros privilégios que são negados aos “infiéis”, desde direitos de propriedade e tributação até à exclusividade da utilização de certos espaços. Mas enquanto o Judaísmo tem uma componente étnica muito forte, reservando a possibilidade de conversão para aqueles que cumprem uma série de requisitos estritos, o Islão foi buscar ao Cristianismo a universalidade da Ummah, i.e. qualquer badameco pode ser muçulmanos com relativa facilidade, basta querer converter-se! Esta diferença pode parecer um pormenor mas não é: como o Islão é uma religião que impõe aos seus seguidores um ideal de expansão e de conquista, é fundamental ter um exército cujos membros possam ser recrutados e renovados rapidamente.

    Por outro lado, o Islamismo também não tem o pecado original dos cristãos, i.e. tal como no Judaísmo, o pecado original não é herdado. Contrariamente aos cristãos, os muçulmanos apenas são culpados pelos pecados que cometem ao longo da sua vida. Se a isto juntarmos um “profeta” que passou a maior parte da sua vida a guerrear e a pilhar, ficamos com uma religião universalista cuja grande determinação é a expansão pela força, pela dissimulação e pela demografia. No Islão vale tudo! E ainda há quem não perceba o porquê do seu sucesso…

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    1. Obrigado pelo elogio, caro Afonso.

      O Islão é claramente a mais expansionista e agressiva de todas as religiões abraâmicas. Penso que estamos totalmente de acordo quanto ao essencial.

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  5. Grande e interessante texto

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