Mostrar mensagens com a etiqueta economia portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta economia portuguesa. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Parece Que Não há Maneira Desta Gente Aprender




"O Socialismo não deu errado. O Socialismo é errado." - Roger Scruton

Parece que não há maneira desta gente aprender. Há apenas algumas horas atrás, uma pessoa que tenho em bastante estima dizia-me que o que fazia falta a Portugal era "uma economia de direcção central".

Quando caridosamente lhe citei então os exemplos de grande "sucesso" que são as economias de direcção central como Cuba, a Coreia do Norte e em larga medida a Venezuela, a resposta dele foi que "essas não funcionam porque não são suficientemente bem geridas"!

Ora, ouvir coisas destas sabendo-se o que se sabe hoje sobre o desastre anunciado que são todas as economias de direcção central, não só arrepia, como me faz ter a certeza absoluta de que na maioria das escolas portuguesas só se propaga a ignorância e o erro desde há pelo menos quatro décadas a esta parte, isto no que diz respeito ao ensino de noções básicas de economia (sobre o que se passa com o ensino da história já nem falo, pois não vale a pena...).

É possível que no futuro esta mentalidade conduza a novas "experiências socialistas" que como já sabemos, estão condenados ao fracasso total, porque o modo de produção socialista nunca funcionou, nem vai funcionar em lado algum. Talvez neste aspecto Marian Tupy tenha razão quando afirma que «
olhando para o futuro, é seguro prever que mais países irão se recusar a aprender com a história e irão adotar novamente políticas socialistas, ainda que talvez sob outra roupagem e sob outro rótulo. Pior ainda: estou igualmente certo de que, quando isso novamente ocorrer, haverá "idiotas úteis" — para utilizar as palavras de Lenin — como David Sirota, que irão cantar as glórias do socialismo até o momento em que tal país se afundar no mais profundo colapso.  E, após o colapso, esses nobres palpiteiros irão simplesmente tirar o time de campo, ignorar tudo o que escreveram, e passarão a parolar eloquentemente sobre outros assuntos.»

João José Horta Nobre
31 de Agosto de 2016

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Portugal Não é um País Livre



«Hotel que não admitia "lésbicas e gays" obrigado a apagar aviso»



Eu ando a avisar há muito sobre como a pouco e pouco nós estamos a caminhar para um novo tipo de Totalitarismo, principalmente promovido e incentivado pela esquerda e que gradualmente se o processo não for travado, acabará por desembocar numa ditadura que fará a do antigo regime caído em desgraça a 25 de Abril de 1974, parecer uma mera brincadeira de crianças em comparação.

O hotel aqui em causa é um negócio privado, logo, o seu dono deve poder ter o direito a escolher quem admite ou não na sua propriedade. Se ele não quer gays e lésbicas no seu hotel, numa sociedade verdadeiramente livre, esse deve ser o seu direito. Da mesma forma que na nossa própria casa, precisamente por ser um espaço privado, por princípio só entra quem nós queremos. Numa sociedade verdadeiramente livre, um negócio privado deve ter sempre todo o direito a poder escolher os seus clientes de acordo com a raça, religião, ou orientação sexual dos mesmos. 

Eu se fosse o dono do hotel faria neste momento uma coisa muito simples: Fechava o negócio, pegava no meu dinheiro todo e deslocava-me para outro País onde pudesse ser livre de escolher como quero gerir o meu estabelecimento. O Estado português que ficasse a chuchar no dedo e fosse depois pedir ao Bloco de Esquerda e à ILGA Portugal que sejam eles a pagar impostos e a criar empregos...

Mais uma vez fica patente o perigo que o Estado representa para os cidadãos e o porquê dos poderes do mesmo deverem ser restringidos ao máximo. O Estadismo, por norma e princípio, serve sempre e antes de mais aqueles que estão instalados no próprio aparelho de Estado e que utilizam os instrumentos ao dispor do mesmo, como uma força de assalto e repressão. 

Neste aspecto, a esquerda é e será sempre o principal inimigo a combater. Isto porque a mesma nunca foi amiga da Liberdade e acredito mesmo que ela odeia a Liberdade, apenas falando da mesma por motivos de mera retórica, nada mais. Eu pessoalmente, se fosse dono de um hotel, não teria problemas em admitir clientes da comunidade LGBT, desde que estes não arranjassem problemas. Porém, o que está aqui em causa não são as preferências em termos de clientela, mas sim, o direito que qualquer patrão deve ter para escolher os seus clientes, algo que só é possível de se fazer numa sociedade verdadeiramente livre e algo que Portugal neste momento não é de certeza absoluta.

Faria bem à esquerda portuguesa ler Ayn Rand, sempre podia ser que aprendessem alguma coisa, começando logo pela própria definição de "Liberdade"...

João José Horta Nobre
16 de Junho de 2016
 

domingo, 12 de junho de 2016

Um Pequeno Prenúncio do Que Está Para Vir...

Quando até os próprios militantes mais destacados do PS já falam assim, é sinal de que a coisa está mesmo negra. Preparem-se para o que aí vem e de preferência, mantenham um bom abastecimento de comida enlatada em casa...


O discurso do "xuxa" Ricardo Gonçalves que podem ver no video acima, proferido há poucos dias atrás no 21º Congresso Nacional do Partido Socialista, é apenas um pequeno prenúncio do que está para vir...

Vem aí a caminho uma nova crise global que será apenas uma consequência natural dos defeitos inerentes ao modo de produção capitalista, mas que a Superclasse Mundialista ira agravar de propósito para levar à radicalização das forças políticas.

O objectivo final desta gente é arranjar guerra, porque sem guerra nem eles conseguem arrancar o Capitalismo da actual crise em que se encontra, nem conseguem fazer avançar o projecto mundialista. Pelo menos nos actuais moldes em que funciona, o modo de produção capitalista parece estar condenado a sofrer de crises cíclicas que se devem principalmente à queda tendencial da taxa de lucro e que se vão sempre repetindo e de cada vez que se repetem, vão sendo cada vez mais graves e de maior duração.

O que eu ainda não consegui perceber, é se este sistema económico tem a própria Superclasse Mundialista como refém do mesmo, ou se existe alguma forma de "puxar os cordelinhos" ao sistema e evitar as crises económicas fazendo um restart das economias. Uma vez que o dinheiro hoje é algo basicamente artificial, teoricamente penso que será possível, mas certamente impossível na actual conjuntura política que domina/sequestra o Mundo...

João José Horta Nobre
12 de Junho de 2016
 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estamos a Caminho do Precipício, Mas Poucos Parecem Ser Capazes de Perceber Isso

 "Paul Krugman" por HVW8

 

Paul Krugman: "Visitar a Europa faz um americano sentir-se bem com o seu país"


Estamos a caminho do precipício, mas poucos parecem ser capazes de perceber isso. O próprio Krugman confirma como é exactamente a queda tendencial da taxa de lucro, que está a provocar a crise actual: «"As más notícias", continua Krugman no mesmo artigo, "são que oito anos depois do que era supostamente uma crise financeira temporária, a fraqueza económica prossegue, sem fim à vista. E é algo que deveria preocupar toda a gente, na Europa e não só".»

Não se esqueçam destas palavras de Krugman: "a fraqueza económica prossegue, sem fim à vista."

É que isto, caros leitores, não vai mesmo ter fim, ou melhor, não vai ter um bom fim. O "sistema", ou arranja uma nova grande guerra, que permitirá posteriormente - graças à reconstrução - um novo período de prosperidade económica semelhante aos Trinta Gloriosos, ou então, estamos condenados a viver em crise perpétua, com o consequente aumento imparável da frustração social, algo que, indubitavelmente acabará também por terminar mal, pois isto com o tempo dá sempre origem a revoltas e/ou revoluções violentas.

Dê por onde der, isto não vai ter um bom fim, porque simplesmente não pode ter um bom fim.

A única e pequena esperança para se poder resolver isto, seria terminando imediatamente com o Euro e as nações europeias romperem totalmente com o sistema financeiro mundial sediado em Wall Street, criando um sistema financeiro europeu independente, com todos os bancos totalmente nacionalizados e os mercados severamente regulados, aplicando-se penas pesadíssimas a qualquer burguês que saísse "fora da linha". É preciso fazer um restart às economias europeias e tal não é possível de se fazer enquanto continuarmos atrelados a Wall Street. Ora, como eu sei que isto não passa de utopia porque a estupidez dos homens é infinita, resta-nos apenas esperar pela próxima grande guerra e no fim contar os mortos.

Entretanto, as elites nacionais continuam embaladas no seu delírio de poder eterno, convencidas de que a "festa" vai durar para sempre (muitos no anterior regime também pensavam assim...). Ouvir a conversa de gente como António Costa, Ana Gomes (um desenho animado em forma feminina), Passos Coelho, ou Catarina Martins, é ouvir o delírio em estado puro. É provável até que muitos malucos internados no Júlio de Matos, estejam mais a par da realidade do que esta gente. No fundo, estão a cometer o mesmo erro que praticamente todos os ditadores até hoje cometeram - o de julgarem que o seu poder e regime é eterno. Não é, nunca foi e nunca irá ser, pois nada do que existe no Universo é eterno, muito menos um regime político e muitíssimo menos o circo que dá pelo nome de Terceira República.

João José Horta Nobre
2 de Maio de 2016
 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pode-se Abolir o Salário Mínimo?



"Desde o colapso do Socialismo, o Capitalismo ficou sem rival. Esta situação anormal desencadeou o seu ganancioso e - acima de tudo - o seu poder suicida. Agora a crença é que tudo - e todos - estão num jogo justo."  - Günter Grass (1927 - 2015)

Nos últimos cinquenta anos, a esquerda e a direita liberal, tomaram literalmente de assalto tudo o que é lugar estratégica na nossa sociedade. Impuseram, como bons "democratas" que são e sempre foram, uma verdadeira lavagem cerebral à sociedade, sustentada por um controlo da informação implacável, que persegue e difama continuamente qualquer um que vá contra a corrente bem-pensante.

A direita conservadora/nacionalista (chamem-lhe o que quiserem!), não soube reagir adequadamente a nada disto e quando tentou fazê-lo, na maior parte das vezes acabou por meter os "pés pelas mãos". Em outras ocasiões e como ainda acontece, esta acobarda-se e tem medo de se assumir e fazer barulho. A agressividade revolucionária da esquerda e da direita liberal, só pode ser eficazmente combatida com uma igual dose de agressividade a todos os níveis, no fundo, o que se pretende é levar estas duas forças ao esgotamento tanto em termos argumentativos, como em termos psico-sociais.

A esquerda e a direita liberal (a segunda é filha da primeira...), têm muito mais em comum do que pode parecer à primeira vista e basta observar a ascensão da burguesia no século XIX e a forma como a mesma subverteu por completo o ancien régime - monárquico e ultra-conservador - para se entender como os liberais são eles próprios tão revolucionários e radicais, como o marxista mais aguerrido. A única coisa que muda são as cores, a linguagem e o estilo. Em tudo o resto tratam-se de revolucionários que são adeptos de mudanças sociais abruptas, radicais, violentas e que apenas no século XX passaram a ser "democráticas" por mera estratégia e conveniência.

Um homem da Idade Média que ouvisse a conversa dos "mercados" e da "liberdade económica", propagada por todos os liberais, neoliberais, ordoliberais, paleoliberais e restantes "ais", decerto concluiria que os mesmos estavam gravemente doentes do ponto de vista mental e/ou possuídos pelo Demónio. O mesmo valeria para o discurso de um marxista.

Ora, quer isto dizer que todas as revoluções e mudanças sociais são más? Com certeza que não! O Capitalismo e a "Nova Ordem" burguesa, suplantaram o ancien régime e trouxeram com eles uma Era de desenvolvimento económico, sem paralelo na História da Humanidade, mas também trouxeram muita porcaria por arrasto: os marxismos, fascismos, anarquismos, liberalismos, socialismos, nazismos e todos os restantes "ismos", são consequências directas da revolução burguesa e da ascensão do Capitalismo.

Ao destruir a velha ordem feudal, o Capitalismo trouxe o progresso para muitos pobres camponeses, mas simultaneamente, produziu uma classe de dependentes a viver nas cidades, que não possuem terra e por isso dependem totalmente de um salário pago por um burguês, de forma a que possam sobreviver. Esta dependência em muitos casos leva a uma situação de abuso por parte do burguês que insiste em pagar o mínimo possível ao trabalhador, aquilo a que se pode chamar o "salário de subsistência". Isto é, o burguês quando não é obrigado a fazer em contrário, paga sempre ao trabalhador o mínimo possível, o mínimo necessário apenas para garantir a sua subsistência e nada mais - não seria errado chamar a isto a Lei Económica da Selva, pois na prática, é disso mesmo que se trata...

Ao contrário do que muitos poderão julgar (há por aí quem pense que eu sou um cripto-comunista...), eu devo dizer que sou daqueles que é a favor da abolição do salário mínimo, mas apenas se houver condições éticas e morais para tal, coisa que não se verifica de forma alguma na actualidade. Por norma, "em uma economia saudável, não deveria haver salário mínimo; mas uma economia saudável depende de uma cultura saudável, e esta depende de determinados princípios metafísicos e éticos que se reflectem na política e na economia (por esta ordem). Ora, Portugal não tem essa cultura saudável."

Simplesmente, não existem condições em Portugal para se poder abolir o salário mínimo, isto deriva do facto de a maioria dos nossos empresários possuírem um comportamento animalesco e primitivo, muito mais próximo do dos animais da selva, do que de gente civilizada. Por exemplo, não existe qualquer justificação para que os presidentes executivos de 18 empresas do PSI 20, ganhem 33,5 vezes mais do que os seus trabalhadores. Estes presidentes executivos ganham em apenas 10 dias, o equivalente ao salário médio anual dos seus trabalhadores. Trata-se de selvajaria, não tem outro nome possível.

Obviamente, que não é difícil de perceber quem capitaliza mais com esta extrema desigualdade salarial - o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. Esta injustiça feita aos trabalhadores por parte de muitos empresários, serve de combustível à esquerda, que é quem mais ganha com o descontentamento e a revolta dos mesmos. E os trabalhadores têm, pois, motivos de sobra para se sentirem revoltados, pois não há qualquer justificação para que um CEO tenha um ordenado 33,5 vezes maior do que o dos seus trabalhadores. Alias, estou até plenamente convencido de que "se fosse possível e legal, a muitos patrões portugueses, não pagar qualquer salário aos trabalhadores, não tenho dúvida que o fariam; há mesmo patrões que exigem que as pessoas paguem para trabalhar." Por este mesmo motivo, não é possível prescindir do salário mínimo e fazer tal, resultaria não só num reforço imediato da extrema-esquerda, mas também num galopante e simultâneo aumento da pobreza, incompatível com o interesse nacional.

João José Horta Nobre
29 de Abril de 2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Isto é o Ponto a Que Chegámos II


José Gomes Ferreira explica que a ASAE serve interesses de grandes empresas, ajudando a eliminar pequenas empresas e assim empurrar os seus clientes para as que a ASAE não fecha, ou seja, as grandes e poderosas. A ideia, em Portugal, é criar-se um paraíso para os ricos e um inferno para os pobres.

"Afinal o assunto era ainda mais grave. 20 homens, incluindo 10 polícias armados, inspectores das finanças, da alfândega, da ASAE, entraram na pastelaria do jardim exigindo «que os bolos tivessem uma etiqueta», que a pequena padaria caseira, com 3 metros por 2, tivesse um plástico em cima de cada cesta de pão, já arrumados num aprumado naperon e tão bonitos que dá vontade de comer todo o pão que ali se vende; que a leitaria, onde os salgados são feitos por uma senhora de mais de 70 anos, com chouriço do Alentejo, não estava autorizada «a vender sopa caseira»."

Quando um regime começa a cair no ridículo acontecem coisas assim. Já não basta toda a carga fiscal que muitas pequenas e médias empresas têm hoje em cima, é preciso também humilhá-las com toda a espécie de imposições estapafúrdias que nem lembram ao Diabo. O que a ASAE anda a fazer a mando da República, constitui um autêntico terrorismo económico que visa quase sempre os mais fracos e desprotegidos. Uma coisa é zelar pelo cumprimento das regras básicas de segurança e higiene alimentar, outra coisa é vinte homens, incluíndo dez polícias armados, tomarem de assalto uma pastelaria, para garantir que os bolos em exposição tenham uma etiqueta. Isto para mim tem um nome, chama-se Loucura.

João José Horta Nobre
12 de Fevereiro de 2016

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Algumas Considerações Sobre a "Ineficiência" Latina e a "Eficiência" Alemã



"[Os alemães] continuam sendo os bárbaros de Tácito e da Reforma, em luta perpétua contra Roma. Não confio neles." - Benito Mussolini (1880 - 1945)

Nos dias Merkulianos que colectivamente estamos a ser forçados a atravessar, já se transformou numa espécie de prato do dia ouvir falar da tal "eficiência" alemã. Para ser sincero e antes de ir mais longe, só comecei a ouvir falar desta famosa "eficiência" quando regressei a Portugal dos Estados Unidos em 1998. 

Para quem, tal como eu, tiver passado a sua infância nos Estados Unidos, sabe que os americanos nunca falam da Alemanha como sendo "eficiente" ou "superior", seja naquilo que for. Durante toda a minha infância luso-americana, a Alemanha era apenas o País das salsichas e cerveja que falava uma língua esquisita e que ficava algures na Europa. Em termos gerais, esta é a imagem que as criancinhas americanas têm dos alemães e da Alemanha.

Regressado a Portugal em 1998 num voo da Swissair, não tardou para que eu me deparasse com o grave complexo de inferioridade que os portugueses e os latinos em geral têm em relação aos alemães. Para a esmagadora maioria da elite tuga, tudo o que seja alemão é sinónimo de "eficiência", "superioridade", "organização" e "qualidade". Verdade seja dita que da actual "elite" portuguesa oriunda das jotinhas e lojinhas maçónicas também não se pode esperar muito mais...

Cada um poderá com certeza ter o seu ponto de vista sobre esta questão, mas para mim a Alemanha será sempre e eternamente o País das salsichas e da cerveja. Não sofro do complexo de inferioridade latino em relação aos germânicos e nórdicos porque eu próprio tive uma educação anglo-saxónica desde tenra idade e isso impede-me automaticamente de alguma vez conseguir pensar e agir como um latino. Pode-se dizer que felizmente fiquei "imunizado" dessa maldição. Aliás, aprendi a ler e a escrever inglês ainda antes de aprender a ler e a escrever português, algo que fala por si...

Dos Estados Unidos trouxe comigo uma "pancada" que para quem me conhece sabe que se revela no meu forte Patriotismo, princípio este que sempre me acompanhou, pois aprendi com o povo americano que o nosso País, precisamente por ser o único que temos, é para defender até ao último sopro de vida se necessário e não para escarrar em cima como vejo muitos portugueses a fazer no seu dia a dia.

Os latinos não são inferiores, nem ineficientes ou desorganizados. Simplesmente sofrem é de má governação e deixaram-se cair na armadilha da "tarântula democrática", como bem lhe chamou Auguste Émile Faguet, armadilha esta que já lhes andam a impingir sob diversas formas desde o século XIX e cujo resultado é sempre o mesmo. No caso português, passámos praticamente todo o século XIX a tentar colocar em prática um modelo monárquico-liberal que verdadeiramente nunca funcionou e que reduziu o País a uma colónia dos interesses anglo-franceses. Este desastre acabou num desastre ainda maior que deu pelo nome de Primeira República e que em apenas dezasseis anos teve o mérito de deixar literalmente o País na sarjeta.

O professor Salazar conseguiu restaurar temporariamente o orgulho e o progresso a um País já praticamente ferido de morte. A muito custo, conseguiu libertar-nos do colonialismo económico inglês e do colonialismo cultural francês que já havia infectado a nossa elite desde finais do século XVIII. Infelizmente, Salazar não conseguiu foi criar um regime que sobrevivesse à sua morte. A "coisa" acabou como todos sabemos. 

Numa noite em Abril de 1974 deu-se um golpe que teve certamente mão estrangeira por detrás e não tardou para que Portugal voltasse a ser colonizado por interesses estrangeiros. Somos hoje basicamente um protectorado da União Europeia e uma parte substancial da nossa soberania esvaiu-se sem que os portugueses dessem por tal. Somos hoje aquilo que realmente se pode considerar um País "ineficiente" a todos os níveis. Acompanham-nos nesta maldição a Espanha, a Itália e a França, países também eles latinos e "ineficientes".

Não será a hora de perceberem de uma vez por todas que a causa de toda esta "ineficiência" é o próprio sistema político? 

A dita "democracia" tal como a hoje temos em Portugal é uma charada que serve apenas o grande capital e um número indefinido de xico-espertos e caciques que vivem à custa da mesma. Não se vislumbra no horizonte qualquer hipótese desta "ineficiente" situação mudar enquanto se continuar a insistir na mesma fórmula que com algumas alterações e actualizações, continua a ser a mesma da monarquia liberal.

São necessárias mudanças radicais não só em Portugal, mas em toda a Europa latina. As consequências de não se fazer nada já se fazem sentir sob a forma de "austeridade" sem limites e crise económica sem fim à vista. Até aqui os povos latinos têm sido de uma ineficiência total, pois sofrem dos mesmos males económico-financeiros, mas mesmo assim não conseguem erguer uma estratégia concertada ou uma frente comum para fazer face à "eficiência" alemã.

É bom que ganhem juízo e de preferência rapidamente, caso contrário, serão as gerações futuras a pagar o preço de toda esta irresponsabilidade e verdadeira cobardia...

João José Horta Nobre
Fevereiro de 2015


Uma versão ligeiramente alterada deste artigo foi publicada no "Diário de Notícias" a 16 de Abril de 2015. 

Link: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/jornalismocidadao.aspx?content_id=4503975&page=-1





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Capitais Angolanos em Portugal: Um Benefício ou Uma Ameaça à Soberania Nacional?





Angola tem sido nos últimos anos descrita como o "El Dorado" económico do mundo lusófono. Desde 2007 que temos assistido a uma cada vez maior pujança das relações económicas entre Portugal e Angola. Sem perspectivas dentro da Zona Euro, a classe empresarial portuguesa tem-se refugiado largamente nas oportunidades oferecidas pela economia angolana e a política de "portas abertas" seguida pelo regime.

O mercado angolano já absorve 4,6% das exportações portuguesas, sendo assim o 5º destino a nível mundial (em 2002 era o 9º) e o primeiro fora da União Europeia. No entanto, a maior novidade está no crescimento do investimento angolano em Portugal que passou explosivamente de apenas 1,6 milhões de euros em 2002, para 116 milhões de euros em 2009!

Ora, o típico cidadão português que assiste a todo o barulho que passa diariamente nos media sobre as "oportunidades oferecidas por Angola", pensará com certeza que graças aos capitais angolanos temos conseguido abrir novas fábricas em Portugal, aumentando assim a nossa produtividade e reduzindo o emprego.

Porém, nada poderia estar mais errado, na realidade, nem o sector primário, nem o secundário, nem o terciário se desenvolveram em Portugal graças aos capitais angolanos. Os capitais injectados em Portugal por Angola visam simplesmente a compra de participações em empresas já existentes e a laborar, não existe uma verdadeira criação de emprego.[1]

O coração do modelo económico português nos últimos 20 anos tem estado assente no sector do imobiliário e do crédito bancário a ele associado. Foram precisamente estes sectores que mais sofreram com a crise financeira que se abateu sobre a Europa e os Estados Unidos nos últimos anos e são precisamente estes sectores que tomaram a dianteira do alargamento das relações económicas com Angola, isto num claro acto de desespero para conseguirem sobreviver à crise financeira.

Os capitais atraídos por estes sectores para Portugal têm aumentado considerávelmente as grandes fortunas de alguns portugueses pertencentes à elite económica nacional. Porém, a actividade económica portuguesa própriamente dita, pouco ou nada tem beneficiado com os capitais angolanos.[2]

Só é possível falar de verdadeiro e positivo investimento externo se este criar fábricas, melhorar o sector das pescas e agricultura e criar empregos. Até agora os capitais angolanos que chegaram a Portugal não fizeram nada disto, pois têm-se limitado praticamente apenas à compra de participações em empresas nacionais.[3]

Mais preocupante ainda é saber a origem do capital angolano, algo que ninguém parece conseguir compreender muito bem, diz-se apenas que "vem de Angola"...

Segundo Abel Epalanga Chivukuvuku, um oposicionista do regime angolano, Portugal é neste momento um "refúgio" dos capitais ilícitos angolanos: 

"Nós encorajamos o investimento recíproco. O que apenas consideramos negativo é quando Portugal quase se torna uma espécie de refúgio de capitais ilícitos. Ilícitos de Angola para Portugal"[4]

Não é segredo nenhum que existe lavagem de dinheiro obtido ilicitamente em alguns (para não dizer a maioria...) dos montantes de capitais transferidos por cidadãos angolanos para Portugal.

Estas transferências de dinheiro, se fossem lícitas, ganhas "normalmente com trabalho, honestidade e seriedade"[5], seriam bastante benéficas e positivas, mas quando se transformam num espaço de branqueamento de capitais ilícitos já é negativo.

Licita ou ilícita, o facto é que esta "disponibilidade de capitais" angolanos e a vontade apressada que a "elite" angolana tem de os colocar fora de Angola, não deixam de ser mais do que suspeitos...

Antes de mais, impõe-se que se analise quem é esta tal "elite" que tem feito jorrar tantos milhões de euros para Portugal. 

Esta "elite" angolana de que falo é, segundo várias fontes, constituída por cerca de uma centena de figuras destacadas do regime angolano. Estas figuras são pessoas que estão em torno do Presidente José Eduardo dos Santos e são por isso mesmo muito próximas do mesmo. Contam-se também nesta centena as altas patentes militares das Forças Armadas Angolanas (todo o ditador minimamente inteligente sabe que é preferível manter os militares próximos de si e bem "alimentados", de forma a evitar futuras "primaveras"...).

Para se proteger a si mesma, esta "elite" preserva a sua riqueza acumulada de forma lícita e ilícita em bancos e aplicações no estrangeiro. Portugal tem aqui um papel destacado, pois constitui claramente um alvo preferencial da "elite" angolana. Desta forma, a "elite" angolana pretende garantir a sua propriedade no futuro e ter um refúgio económico que a salve da falência no caso da mesma eventualmente vir a cair do poder em Angola como consequência de alguma "primavera". Os cofres da banca portuguesa são assim um meio através do qual a "elite" angolana encontrou um refúgio seguro e amigável para os seus capitais de origens obscuras.

Pessoalmente, a faceta deste negócio que mais me preocupa é a crescente influência dos capitais angolanos em Portugal no domínio dos media.

Como os estimados leitores deverão de saber, "imprensa livre e independente" é uma coisa que hoje práticamente já não existe. Os media são hoje detidos por grandes grupos económico-financeiros que os utilizam e colocam ao seu serviço para a defesa dos seus interesses. Ora, precisamente por saber que os media não passam hoje de um gigantesco "megafone" ao serviço dos grandes grupos económico-financeiros é que eu não vejo com bons olhos a influência dos capitais angolanos nos media portugueses.

Teoria da conspiração dirão alguns! Então leiam apenas esta reportagem publicada no Público a 05/06/2013:

"O perfil do investimento angolano nos media tradicionais portugueses tem em si mesmo uma contradição: são participações essencialmente minoritárias, mas em órgãos de comunicação social com grande expressão no mercado.

A Newshold, participada da empresa offshore Pineview Overseas registada no Panamá e que pertence à família de Álvaro Sobrinho, tem uma quota de 15,08% na Cofina, dona do diário líder de vendas, o Correio da Manhã, que agora tem também o canal CMTV, assim como o Jornal de Negócios e a revista Sábado, entre outros títulos. Tem cerca de 97% do semanário Sol — onde entrou comprando a participação do Millennium bcp, e gere a publicidade do diário i.

A Newshold tem ainda 1,7% da Impresa de Francisco Pinto Balsemão, proprietária, entre outros meios, da SIC (que tende a bater-se pela liderança de audiências com a TVI), do semanário líder Expresso e da Visão, além de diversas revistas.

Em Dezembro, a Newshold assumiu ser candidata à compra ou concessão da RTP, se fosse esse o plano do Governo, mas a opção do executivo foi, por enquanto, de reestruturar o serviço público de rádio e televisão.

Foi nessa altura, e por se ter levantado alguma polémica devido ao desconhecimento dos verdadeiros donos da Pineview, que o empresário angolano Álvaro Madaleno Sobrinho sentiu necessidade de anunciar, em comunicado publicado no Sol, que a companhia pertence à sua família.

No início do ano passado, a histórica produtora cinematográfica Tóbis foi vendida pelo Estado português, por quatro milhões de euros, à empresa alemã mas de capitais angolanos Filmdrehtsich Unipessoal Lda.

Há duas semanas, a Prisa, dona da TVI, anunciou que vendeu ao grupo luso-angolano Masemba três revistas — Lux, Lux Woman e Revista de Vinhos. A Masemba é uma parceria constituída pelas produtoras angolana Semba — que assim se estreia na imprensa — e portuguesa Até ao Fim do Mundo.

Ainda na área dos media, mas na distribuição, a filha do Presidente angolano, Isabel dos Santos, que controla 28,8% da ZON, vai, com a Sonaecom (dona do PÚBLICO), fundir a ZON e a Optimus."[6]

Esta "ofensiva" em relação aos media portugueses por parte da "elite" angolana serve essencialmente dois propósitos:

1º - Visa refazer a imagem interna e externa do regime angolano, através do controlo dos meios de comunicação social em Portugal.

2º - O regime angolano visa obter através de Portugal uma maior legitimidade junto da União Europeia e um acesso facilitado aos meios de comunicação social da Zona Euro.

Até agora, apenas o sector do retalho é que tem conseguido escapar a esta "ofensiva" dos capitais angolanos.[7]  

O que não deixa de ser contraditório é que Portugal, um Estado-Membro da União Europeia, que na teoria se diz "defensora dos direitos humanos", tenha todo este compadrio com um regime profundamente despótico e corrupto como é o do MPLA... Aliás, segundo uma reportagem do Deutsche Welle, o Angola Economic Update, uma ONG Norte-Americana, concluiu que entre 1980 e 2009 o movimento ilegal de capital em Angola "terá representado 9,5% do PIB angolano"![8]




Isabel dos Santos, a primeira bilionária africana. Esta é a face mais visível e "simpática" do regime angolano e aquela que provávelmente está mais próxima do líder do regime, precisamente por ser sua filha.




Portanto, fica evidente que a "elite" angolana encontrou em Portugal uma plataforma ideal para lavar os seus capitais. 

A banca portuguesa descapitalizada, os grupos económicos esfomeados por investimento directo, o elevado desemprego de jovens licenciados que oferece uma enorme disponibilidade para a emigração, o mercado de comunicação social retraído e em recomposição, tudo isto são condições que transformam Portugal num alvo extremamente apetecível para a "elite" angolana.

Ora, urge então que se responda à pergunta colocada no título deste artigo. Afinal os capitais angolanos constituem um benefício ou uma ameaça à nossa soberania nacional?

Eu direi que nem uma coisa, nem outra.

Angola não tem capacidade de colocar em risco a soberania económico-política portuguesa por uma diversidade de factores que seria demasiado exaustivo explicar aqui.

A nossa única e grande ameaça neste momento em termos de soberania são os banqueiros de Wall Street e a União Europeia e é com estes internacionalistas sem escrúpulos que nos temos de preocupar, algo dificíl de se fazer se tivermos em conta a presente apatia do povo português associada à profunda irresponsabilidade criminal da classe política portuguesa...

Apesar de não colocarem sériamente em risco a nossa soberania económico-política, os capitais angolanos comportam uma série de riscos para Portugal que a nossa mentecapta e incapaz classe política tem menosprezado e ignorado ao longo dos últimos anos.

Por um lado, a banca portuguesa está neste momento a ficar demasiado dependente do capital angolano, algo preocupante se tivermos em conta a quantidade de "dinheiro sujo" que anda sempre e inevitávelmente ligado aos negócios dos regimes despóticos e corruptos.

Por outro lado, estamos a assistir neste momento a uma "angolanização da construção portuguesa", algo negativo, pois coloca as empresas de construção portuguesas dependentes de forma quase total do mercado de construção angolano. A curto/médio prazo isto poderá trazer benefícios na forma de lucros fáceis e rápidos, porém, no longo prazo transforma-se num vicio destrutivo para qualquer empresa, pois quando o mercado angolano falhar, a empresa falhará também...

Resumindo, Angola, como qualquer outro país do mundo, pode e deve representar uma fabulosa oportunidade de investimento para os nossos empresários. Porém, as origens obscuras do dinheiro angolano, assim como as claras tentativas por parte da sua "elite" para manipular os media portugueses, colocam em causa o bom nome de Portugal e são uma ameaça real para a nossa credibilidade financeira junto de outros investidores internacionais.

Qualquer investimento proveniente de dinheiro limpo que produza riqueza e crie emprego, deve ser sempre acolhido e bem-vindo, direi que até mesmo protegido. No entanto, investimentos provenientes de dinheiro sujo nunca foram, nem são um bom investimento em qualquer parte do mundo. Se Portugal quiser preservar o seu bom nome e a sua já muito enfraquecida credibilidade junto dos investidores internacionais, então é neste campo que o governo deve ter um comportamento exemplar, algo dificíl de se vir a concretizar, como já o disse, devido precisamente à lobotomia de que padece a actual classe política portuguesa, uma lobotomia incapacitante que permanece sem fim à vista, por enquanto...




Notas:
[1] - NOTÍCIAS AO MINUTO - "Capital angolano em Portugal Só Enriquece Alguns", 18 de Junho de 2013. Link: http://www.noticiasaominuto.com/economia/83161/capital-angolano-em-portugal-s%C3%B3-enriquece-alguns#.Uhq2tH_BHDc
[2] - NOTÍCIAS AO MINUTO - "Capital angolano em Portugal Só Enriquece Alguns", 18 de Junho de 2013. Link: http://www.noticiasaominuto.com/economia/83161/capital-angolano-em-portugal-s%C3%B3-enriquece-alguns#.Uhq2tH_BHDc
[3] - NOTÍCIAS AO MINUTO - "Capital angolano em Portugal Só Enriquece Alguns", 18 de Junho de 2013. Link: http://www.noticiasaominuto.com/economia/83161/capital-angolano-em-portugal-s%C3%B3-enriquece-alguns#.Uhq2tH_BHDc
[4] - EXPRESSO - Portugal é "Refúgio" de Capitais Ilícitos Angolanos, 29 de Maio de 2013. Link: http://expresso.sapo.pt/portugal-e-refugio-de-capitais-ilicitos-angolanos=f810356
[5] - EXPRESSO - Portugal é "Refúgio" de Capitais Ilícitos Angolanos, 29 de Maio de 2013. Link: http://expresso.sapo.pt/portugal-e-refugio-de-capitais-ilicitos-angolanos=f810356
[6] - LOPES, Maria - Angolanos nos Grandes Media Portugueses Embora Com Quotas Minoritárias, Público, 05 de Junho de 2013. Link: http://www.publico.pt/economia/noticia/angola-quotas-minoritarias-nos-media-mas-nos-grandes-1596447
[7] - BARROSO, Rui; SILVA, Marta Marques - Só o Retalho Nacional Escapa ao Capital Angolano, Económico, 20 de Agosto de 2013. Link: http://economico.sapo.pt/noticias/so-o-retalho-nacional-escapa-ao-capital-angolano_175624.html
[8] - BICHO, Francisca - Saída Ilegal de Capital chegou a 9,5% do PIB Angolano, Deutsche Welle, 24 de Junho de 2013. Link: http://www.dw.de/sa%C3%ADda-ilegal-de-capital-chegou-a-95-do-pib-angolano/a-16902510

 

João José Horta Nobre,
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
Agosto de 2013











sábado, 16 de março de 2013

Portugal e a União Europeia: Oportunismo, Mentiras e Decepções




O tratado através do qual Portugal e Espanha aderiram à Comunidade Económica Europeia (CEE) teve um longo período de negociações com inúmeras dificuldades e obstáculos que não poucas vezes se revelaram difíceis de ultrapassar.


No fundo, muitas das dificuldades que atrasaram a entrada de Portugal na Comunidade Europeia não foram propriamente originadas pela parte portuguesa, mas sim por outros Estados membros, especialmente a Itália e a França para quem a adesão portuguesa traria alguns inconvenientes. Logo aqui se viu que a assim-chamada "fraternidade europeia" não passava de fumo, porém, os políticos da III República Portuguesa insistiram em prosseguir com o processo para a adesão de Portugal à CEE inindependentemente das consequências sócio-económicas que isso poderia acarretar para a nação.


Muitas das dificuldades foram levantas por organizações agrícolas da comunidade que não desejavam ver entrar um novo membro como Portugal que na época produzia produtos agrícolas a preços muito competitivos devido ao baixo custa da mão de obra nacional. Nomeadamente a França, não queria ver de forma alguma, um novo membro que conseguisse inundar o mercado agrícola Europeu com produtos a baixo preço, fazendo assim os produtos agrícolas Franceses perderem competitividade.


Assim, para agradar aos senhores de Bruxelas, a agricultura portuguesa foi sistemática e metódicamente destruída como sector económico. Seguiram-se as pescas com as consequências que são bem conhecidas por todos nós...


Logo aqui Portugal perdeu dois sectores estratégicos da sua soberania económica: a agricultura e as pescas. Em troca, a CEE presenteava Portugal com chorudos subsídios e fundos comunitários que para pouco ou nada serviram. Pagaram-se a agricultores para não cultivar e a pescadores para abater os seus navios de pesca.


Haverá ainda alguma dúvida de que estamos perante um plano sistemático para minar a soberania económica de Portugal à qual se seguiria a destruição da sua soberania política?  


Hoje é bem sabido que na realidade as razões para a adesão de Portugal à Comunidade Europeia foram mais por motivos políticos e de geo-estratégia do que por qualquer outra razão. Para a Comunidade Europeia, a entrada de Portugal, Espanha e Grécia era um passo essencial para alargar a sua zona de influência ao Sul mediterrânico.


Um outro argumento que pesou e muito na decisão de admitir Portugal e Espanha foi a esperança de essa adesão poder vir a permitir uma melhoria do acesso comunitário aos mercados da América Latina e PALOP’s. No entanto este argumento foi ao mesmo tempo um argumento negativo, pois alguns estados membros Europeus na realidade receavam um acréscimo de concorrência , devido ao facto de não terem influência suficiente naqueles mercados.


Quando se dá a Revolução dos Cravos em 1974, a unidade Europeia não estava nos horizontes dos autores do golpe de Abril. O programa do MFA apontou desde o início para diferentes metas e destinos que não condiziam propriamente com uma adesão às Comunidades Europeias.


A mudança deu-se quando em 1976, após a tomada de posse do I Governo Constitucional, em 1976, veio a verificar-se um conjunto de alterações em torno do relacionamento externo português que vieram a cumular num pedido de adesão às Comunidades Europeias.


Não se pode falar do programa do MFA sem se referir uma das suas fontes, o livro Portugal e o Futuro do General Spínola. O General defendeu neste livro a criação de uma «Comunidade Lusíada» que seria uma Federação composta por Portugal e as suas Províncias Ultramarinas. Nesta suposta Federação não havia lugar para a Europa, pois um dos próprios objectivos da Federação seria a de servir de contrapeso à Comunidade Europeia e vir a constituir uma possível futura potência económica mundial que devido ao tamanho territorial de Portugal e das Províncias Ultramarinas quando combinadas, não era uma ideia desprovida de razão.


Hoje, Portugal poderia viver em paz, em federação com as sua antigas províncias ultramarinas. Os povos das mesmas nunca teriam conhecido décadas de guerra civil e ter-se-iam poupado centenas de milhares de vidas. Poderíamos ter uma zona económica exclusiva riquíssima e que servisse a todos. Em lugar disso não temos nada.


Os políticos da III República, de forma irresponsável e criminosa, entregaram as províncias ultramarinas aos assim-chamados "movimentos de libertação". Que rica "liberdade" sem dúvida...


Tudo isto foi feito sem levar a cabo consultas populares, sem ter em conta a vontade das populações locais. Assim, Portugal abandonou milhões de portugueses espalhados pela África e Ásia que não só tinham combatido debaixo da bandeira das quinas, como também nunca pediram para deixarem de ser portugueses.


Os políticos da III República Portuguesa têm noção da dimensão do seu crime e sem dúvida que um dos seus maiores receios é o de que uma mudança de regime (mais uma...) possa acarretar ajustas de contas e os deixe ficar muito mal na História...


O MFA nunca pretendeu arrastar Portugal para a CEE, mesmo o General Spínola apenas defendia a celebração de acordos comerciais com a CEE, mas não uma integração efectiva de Portugal na mesma.


O programa do MFA não era de forma alguma, como muitos poderão pensar, um programa político, mas antes um manifesto em que era justificada a acção empreendida pelas forças armadas para resolver a «grande crise nacional que Portugal atravessava». 


É a 28 de Março de 1977, que o 1º Governo Constitucional, presidido pelo Dr. Mário Soares, apresenta o pedido de abertura de negociações para a adesão de Portugal à Comunidade Europeia.


O pedido teve imediatamente o apoio do PS, PPD, CDS  e a oposição do PCP. O PCP, aliás revelou-se desde o início o partido político mais oposto à adesão de Portugal à Comunidade Europeia por motivos nitidamente ideológicos. Sendo o PCP, um partido com claras ligações à União Soviética e tendo Álvaro Cunhal, na altura secretário geral do PCP, vivido na União Soviética durante vários anos, era natural que este não desejasse que Portugal entrasse para a “capitalista” Comunidade Económica Europeia. 


Para o PCP, a sua recusa em ver Portugal entrar para a CEE não tinha nada a ver com um desejo de proteger o interesse nacional, mas sim com a necessidade de agradar aos seus patronos em Moscovo.


Mário Soares explicou as razões do pedido feito por si durante uma visita à Comissão Europeia:


“Desafio para Portugal, primeiramente, porque não ignoramos as nossas fraquezas nem as nossas dificuldades presentes. Desafio também para a Europa, pois ao batermos à sua porta temos o sentimento de exprimir o sentido e a dimensão europeia das alterações políticas e sociais decorridas ou a decorrer na Europa do Sul. Ignorar esta nova realidade aumentaria necessariamente o fosso que ainda separa, em termos económicos , esta Europa do Sul da Europa do Norte, com todos os perigos de desintegração e ruptura para toda a Europa que inevitavelmente se verificariam a longo prazo.”


Finalmente a 17 de Outubro de 1978 iniciaram-se as negociações para a adesão de Portugal à Comunidade Europeia, era o inicio do princípio de uma nova página na história de Portugal.


A recepção da notícia de conclusão das negociações em Bruxelas em 1985 não foi de forma alguma unânime em Portugal, contrariamente ao que se veio a passar em Espanha. Publicamente apenas o partido no poder, ou seja, o PS, manifestou a sua satisfação e o Presidente da República, o General Ramalho Eanes, expressou expressou a sua satisfação através de um comunicado. Em relação aos outros partidos e forças sociais, incluindo os meios empresariais e sindicais, estes mostraram-se por norma desconfiados ou mesmo adversos. No fundo o que contribuiu mais para esta divergência de opiniões foram essencialmente o secretismo das negociações e a ignorância do público sobre as matérias acordadas nas negociações. Tudo muito "democrático" sem dúvida...


O povo em geral sabia que havia aspectos positivos e negativos à adesão de Portugal à Comunidade Europeia, mas não estava informado sobre exactamente quais eram esses aspectos. Os "democratas" da III República Portuguesa nem sequer se preocuparam em perguntar ao povo português se este desejava entrar para a CEE.



Na área da esquerda política, os sectores sindicais manifestaram o receio de quebra de produção e emprego face à maior competitividade das empresas europeias e espanholas, ao agravamento do papel subalterno de Portugal na divisão internacional do trabalho, à invasão do país pelas actividades industriais poluentes, ao reforço do papel das multinacionais na economia portuguesa, ao agravamento da dependência tecnológica, à entrega dos principais recursos e dos sectores mais rentáveis, públicos e privados, ao capital internacional e ao estrangulamento dos projectos de desenvolvimento então em curso. 


O PCP manifestou uma oposição de principio, pois seria inaceitável um partido apoiante do Pacto de Varsóvia e do regime Soviético, apoiar também uma Comunidade Económica Europeia de cariz capitalista e em que a esmagadora maioria dos membros pertenciam à NATO. Em relação ao PS, este apoiou desde o início e de forma incondicional a adesão de Portugal à Comunidade Europeia sem realizar qualquer consulta popular à semelhança do que já tinha feito em relação à descolonização...


Por sua vez a área da direita Portuguesa mostrou um sectorial empresarial preocupado devido à falta de preparação das estruturas económicas para aproveitar as vantagens da adesão e evitar os seus inconvenientes. Os empresários também temiam o período de transição que consideravam não ser suficiente para a adaptação da economia Portuguesa às regras comunitárias. Neste campo, tanto o PSD como o CDS assumiram posições de apoio prudente.


A economia Portuguesa atravessava em 1985 uma das suas maiores crises, com elevadas taxas de inflação e de desemprego. Viviam-se as consequências do segundo choque petrolífero e do segundo programa de estabilização imposto pelo FMI. Além da crise conjuntural, a estrutura económica portuguesa era bastante débil e as privatizações e abertura da actividade económica à iniciativa privada não deram os resultados previstos. Para além disto tudo, matinha-se em Portugal um elevado atraso industrial e agrícola associados a uma baixa produtividade empresarial.


Apesar de todos os obstáculos sociais, económicos e políticos as negociações foram dadas por encerradas em Bruxelas a 29 de Março de 1985.


A adesão simultânea de Portugal e Espanha através de um único Tratado não teve precedentes e a justificação para a celebração de um Tratado comum a Portugal e Espanha, em vez de dois tratados distintos não foi suficientemente explicada à opinião pública, pois tal não interessava aos donos do poder...


Por fim, a 10 de Julho de 1985 a Assembleia da República Portuguesa ratificou o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia de Energia Atómica e Comunidade e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. A votação contou com os votos a favor do PS, PSD, CDS, ASDI e UEDS, tendo votado contra o PCP e o Partido Os Verdes. O MDP/CDE não esteve presente na sessão.


Vinte e oito anos após a entrada de Portugal para a Comunidade Europeia, agora União Europeia, é inegável que esta adesão modificou a vida dos Portugueses de forma profunda e marcante.


É hoje reconhecido por todos os partidos políticos portugueses que Portugal viveu durante a década de 90 um período de "vacas gordas" alimentado por fundos europeus que foram, regra geral, mal distribuídos e utilizados. Os donos do poder da III República e o povo em geral, alucinados por tanto dinheiro que jorrava imparável para dentro dos cofres do Estado, prosseguiram suicidáriamente com todas a imposições de Bruxelas. Como consequência inevitável, a economia portuguesa acabou arrasada e os grandes beneficiários de toda esta situação foram a Alemanha, França e Grã-Bretanha que assim eliminaram um concorrente económico e criaram um Portugal dependente dos seus capitais e forçado a importar os seus produtos.


A História registará no futuro de forma clara e irreprensível, que o legado da III República Portuguesa (possivelmente a última...) é o de uma nação arruinada em que as filas de desempregados aumentam de dia para dia, os jovens desertam do país, os idosos morrem sozinhos e abandonados, a taxa de suicídio dispara e a classe política vive numa decadência ética e moral verdadeiramente deploráveis.




Bibliografia:


   - Portugal e a Europa: Distanciamento e Reencontro; António Martins da Silva.


   - Portugal e a Europa: Ideias, Factos, Desafios; Rui Lourenço Amaral de Almeida.


   - História IX; Vários Autores; Porto Editora; 2004.



João José Horta Nobre 
Março de 2013





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...