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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Helena Matos Não Leu Marx



"O Governo do Estado moderno é apenas um comité para gerir os negócios comuns de toda a burguesia." - Karl Marx (1818 - 1883) in «Manifesto do Partido Comunista», 1848

Helena Matos não leu Marx e se leu, então leu mal e precisa de reler, pois não admissível que alguém com a sua experiência profissional diga que o "modelo socialista" dos países comunistas "foi concebido para redistribuir a riqueza e não para a produzir". Isto é mentira, digo-o sem rodeios, é uma mentira descarada e vou explicar porquê.

O "modelo socialista", ou o "Socialismo Científico" de Karl Marx, tem muitos defeitos e isso ficou patente no falhanço das economias socialistas, mas esse falhanço não se deveu à incapacidade de produzir riqueza por parte desse sistema económico, mas sim, à incapacidade do mesmo calcular adequadamente os preços devido à ausência de um mercado livre.

A direita burguesa gosta de tentar fazer de Karl Marx um estúpido e isso demonstra apenas a estupidez da própria direita burguesa. Karl Marx sabia perfeitamente bem que só pode haver redistribuição de riqueza, mediante a produção dessa mesma riqueza e por isso mesmo é que ele advoga a que o proletariado confisque os meios de produção (fábricas, oficinas, etc...) à burguesia, precisamente para que passe a ser o próprio proletariado a produzir riqueza e a deter a mesma, em lugar de ser a burguesia, que como se sabe, utiliza a força de trabalho do proletariado em benefício próprio, mas nunca remunera este de acordo com o valor real da riqueza produzida pelo mesmo.

O erro de Marx, aliás, ele deu vários erros, mas o maior de todos foi a sua incapacidade em perceber a importância de um mercado livre para calcular os preços dos bens produzidos. Na ausência de um mercado livre, uma economia socialista é obrigada a fixar artificialmente os preços e isso é sempre uma receita para o desastre, pois a fixação artificial de preços nunca consegue acompanhar a realidade e o resultado acaba por ser a total desregulação económica. Precisamente por este motivo é que por vezes nos países socialistas havia trigo nos campos, mas não havia pão nas padarias, ou vice-versa. A desorganização económica era maciça e não seria de esperar outra coisa, pois a economia é algo demasiado complexo para que se possa deixar a mesma totalmente nas mãos do Estado. O teórico do Liberalismo, Ludwig von Mises (1881 - 1973), abordou bem esta questão na sua obra Socialism, publicada pela primeira vez em 1922.

Mas volto a frisar o que disse no início deste texto: é mentira que o modelo socialista tenha sido concebido apenas para redistribuir riqueza. Quem diz uma asneira assim só demonstra um desconhecimento total sobre economia marxista, pois Karl Marx queria, de facto, redistribuir a riqueza produzida, mas também escreveu muito sobre como se produz essa mesma riqueza e foi com esse fim que ele advogou que o proletariado se unisse, de forma a confiscar os meios de produção à burguesia, precisamente para que passasse a ser o próprio proletariado a gerir a produção e posterior redistribuição dessa mesma riqueza.

Helena Matos apenas volta a confirmar o que eu ando a dizer há anos, ou seja, que a direita burguesa recusa-se a aprender seja o que for com Marx, ainda troçam do mesmo e um dia vai acabar por sair-lhes a "sorte grande", em consequência do desespero tresloucado e das neuras que o Capitalismo gera na sociedade. Pois não se esqueçam, o Marxismo é realmente um sistema económico incompetente, mas quando sabemos que hoje no Mundo capitalista, apenas 1% da população, tem mais riqueza que os restantes 99%, vão-me dizer o quê? Que isto é a prova da "competência" do Capitalismo? Não, isto demonstra apenas a total loucura e insustentabilidade de um sistema económico assim e foi o próprio Karl Marx, esse economista tão odiado e temido pela direita burguesa, que disse que esta concentração extrema de riqueza, aliada posteriormente às crises cíclicas do Capitalismo, resultantes da queda da taxa de lucro, - uma tendência gravada no código genético do modo de produção capitalista - irá resultar inevitavelmente em guerra e revolução armada. A direita burguesa que espere que logo vai ver a surpresa que lhe vai sair no próximo "ovo Kinder" revolucionário e olhem que da maneira que isto vai, cheira-me que já não faltam muitos anos. Depois só não se queixem e não digam que não foram avisados...

João José Horta Nobre
2 de Fevereiro de 2016

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Isto Não Vai Acabar Bem



O que se está a passar hoje nas economias do Ocidente, salvo algumas excepções muito excepcionais, é a queda tendencial da taxa de lucro a funcionar no seu pleno...

Marx previu isto com uma precisão de 200% e esta foi realmente a única previsão correcta que o homem fez em toda a sua vida. Com os lucros a cair devido a factores de vária ordem como a substituição do homem pela máquina, a concorrência de potências emergentes e a ausência de novos mercados onde colocar os seus produtos, a burguesia não tem outra opção a não ser cortar cada vez mais nos salários e efectuar despedimentos.

Isto já se sabe que leva obviamente a uma quebra do consumo, o que por sua vez redunda em lucros ainda mais baixos para a burguesia e mais despedimentos e mais cortes nos salários. Trata-se de um ciclo vicioso mortífero que não tem fim à vista, aliás, Marx já tinha previsto exactamente que este tipo de crises cíclicas do Capitalismo têm uma tendência para se irem tornando cada vez mais graves e prolongadas à medida que se vão repetindo e é exactamente a isso que assistimos hoje. Há um abrandamento generalizado das economias em todo Ocidente que se deve precisamente à queda tendencial da taxa de lucro.

Qual a solução?

Não há. O modo de produção capitalista está viciado desde a sua raiz. A burguesia só vai conseguir sair disto através da guerra. Digam o que disserem e os liberais podem inventar todas as mentiras e mais algumas e experimentar fazer todos os malabarismos económicos que quiserem, mas a verdade é que isto não tem, nem vai ter saída a não ser através de uma grande guerra que inflija enormes níveis de destruição e morte, de forma a que o modo de produção capitalista possa renascer, da mesma forma que na mitologia grega a Fénix renasce das cinzas.

O modelo económico socialista é um patente fracasso e as economias de planeamento central que se ensaiaram até hoje, demonstraram isso na perfeição, mas o Capitalismo, não é melhor. O tal "european way of life", com abundantes regalias permitidas por um amplo estado social, só foi possível graças às necessidades de reconstrução da Europa no pós-Segunda Guerra Mundial e à abundância de mercados extra-europeus para onde exportar. Ora, esse Mundo acabou e todos os economistas com meio palmo de testa sabem disso, não vale a pena estes charlatões continuarem a enganar as pessoas ou a enganar-se a si próprios com crenças falsas na tão badalada "recuperação económica", pois isso simplesmente não vai acontecer porque o que estamos a viver é uma crise estrutural do modo de produção capitalista que não tem solução. 

O que os políticos do Ocidente andam hoje a fazer em termos económicos, não passam de cuidados paliativos que até podem temporariamente aliviar os sintomas da doença, mas que não vão resolver o problema de fundo, que é precisamente a queda tendencial da taxa de lucro. Agora resta-nos a miséria crónica sem fim à vista ou a tragédia da guerra, escolham a que preferirem, mas uma coisa vos posso garantir: isto não vai acabar bem...

João José Horta Nobre
18 de Dezembro de 2015

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os Três Erros de Marx


 
Marx cometeu três erros essenciais:

1º - Previu que o Capitalismo vai implodir com uma grande "crise final" que ditará o fim do sistema. Isso nunca vai acontecer porque o modo de produção capitalista tem capacidade de se renovar perpétuamente através da guerra. O Capitalismo é por excelência uma economia de guerra e os Estados Unidos são disso um bom exemplo. Quando a economia começa a estagnar, provoca-se uma nova guerra, a estratégia é a mesma há mais de um século. Pode-se mesmo dizer com uma certeza de 100% que a guerra é o negócio mais próspero da história da humanidade e a burguesia sabe isto melhor que ninguém.

2º - Marx não foi capaz de identificar o problema do cálculo económico de que Ludwig von Mises nos falará pela primeira vez no artigo Economic Calculation in The Socialist Commonwealth, publicado em 1920.[1] O problema do cálculo económico é a pedra angular do fracasso das economias socialistas onde na ausência de um mercado livre, deixa de exisitir um mecanismo minimamente adequado para se conseguir adaptar a produção à realidade social. O mercado livre serve de regulador automático da produção, através da eterna lei da oferta e da procura. Numa economia de planeamento central, o Estado suprime o mercado livre e deixa portanto de existir este mecanismo essencial para se regular a actividade económica. Uma possível hipótese teórica para se poder ultrapassar o problema do cálculo económico nas economias de planeamento central, seria a introdução de supercomputadores que em teoria seriam capazes de regular e ajustar a produção à realidade sócio-económica, mas por enquanto isto não passa mesmo de teoria.

3º - Marx subjugou a natureza humana à qual está inerente o tribalismo e uma determinada identidade. Os seus apelos à união do proletariado mundial, são um apelo directo ao fim das nações e à instauração de uma "coisa" internacionalista que ele próprio nunca explicou muito bem o que seria. O mais do que evidente e absoluto fracasso do multiculturalismo nas sociedades ocidentais é o perfeito exemplo de como o internacionalismo proletário proposto por Marx, está condenado à partida.
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Notas:
[1] MISES, Ludwig von - Economic Calculation in The Socialist Commonwealth, Mises Institute, 1920. Link: https://mises.org/library/economic-calculation-socialist-commonwealth

João José Horta Nobre
10 de Dezembro de 2015
 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Fisiocracia à Luz do Século XXI - Uma Alternativa à Economia de Casino do Nosso Tempo



"O trabalho incessante, enorme, irrita e exagera o desejo das riquezas; aferventa o cérebro, sobreexcita a sensibilidade, a população cresce, a concorrência é áspera, as necessidades descomedidas, infinitas as complicações económicas, e aí está sempre entre riscos a vida social. Entre riscos, porque vem a luta dos interesses, a guerra das classes, o assalto das propriedades e por fim as revoluções políticas." - Eça de Queirós (1845 - 1900) in «Prosas Bárbaras»

É muito frequente nos dias de desespero e crise profunda que atravessamos haver quem julgue que não existem alternativas ao actual modelo de economia de casino que nos impuseram. As "alternativas" em constante debate na praça pública oscilam entre o extremismo neoliberal e o extremismo marxista e sim, ambas as ideologias são muito mais parecidas entre si do que à primeira vista possa parecer.

Para começar, tanto o Neoliberalismo, como o Marxismo acreditam ser possível construir uma utopia social com base em políticas económicas extremas e totalmente desfasadas da realidade social e cultural dos povos. Por outro lado, nem o Marxismo, nem o Neoliberalismo são ou alguma vez foram teorias "científicas". Ambas não passam em larga medida de meros delírios idealistas vomitados por intelectuais que viviam largamente desfasados do mundo real. As concepções económicas do Marxismo e do Neoliberalismo, na sua larga maioria nunca foram sujeitas a qualquer tipo de método científico. A somar-se a esta grave deficiência para ideologias que se afirmam como "científicas", os cânones teóricos de ambas estão pejados de erros, distorções e falsidades.

Nas últimas duas décadas assistimos à morte ideológica do Marxismo como alternativa económica viável. Porém, este fenómeno foi acompanhado de uma cada vez maior desregulação económica que beneficiou acima de tudo o alta capital e os especuladores da banca. No fundo, foi-se progressivamente criando um Mundo em que se produz dinheiro a partir do nada e muitos até julgam esta situação como sendo perfeitamente aceitável e normal. A Casino Economics tomou o Mundo de assalto e no seu rasto apenas tem deixado um mar de miseráveis condenados a viverem de baixos salários e empregos precários, isto se tiverem a sorte de não estar no desemprego crónico que actualmente se transformou num lugar-comum em muitos países da Europa.

Uma das respostas possíveis para a actual desordem económica, passa por uma releitura do conceito essêncial da fisiocracia. Os fisocratas foram quem introduziu pela primeira vez na história o conceito de "trabalho produtivo", ou seja, o trabalho que é capaz de produzir um excedente ou produto líquido. Este "trabalho produtivo" identifica-se com o "trabalho concreto" pelo simples facto de ser o único que realmente produz riqueza.

Os fisiocratas consideravam que "as terras são a única origem da riqueza" devido ao facto de aos seus olhos a agricultura ser a única actividade económica em que era possível multiplicar as subsistências e multiplicar a espécie. Por este motivo, os fisiocratas colocaram os agricultores num patamar superior da sociedade, considerando que os mesmos foram "os primeiros fundadores das sociedades civis".[1]

É óbvio que hoje este conceito económico está muito ultrapassado e a Revolução Indústrial demonstrou que a transformação fabril das matérias primas também constitui um "trabalho produtivo" gerador de riqueza. Não é por isso de bom senso querer recuperar a fisiocracia na sua plenitude, mas é de muito bom senso dar atenção ao seu aspecto teórico essêncial, ou seja, só pode existir criação de riqueza mediante trabalho produtivo e concreto. A especulação financeira está por isso automáticamente excluída como actividade económica produtora de riqueza, pois ela apenas joga com o dinheiro num "trabalho abstracto" exercido pelo especulador que não é produtivo e que constitui por isso a antítese do "trabalho concreto".

Os fisiocratas tinham como preocupação central o "crescimento económico", mas não no sentido actual baseado na especulação bolsista. O "crescimento económico" para a fisiocracia apenas poderia ser atingido mediante a produção de riqueza através do trabalho produtivo ou concreto. Curiosamente, os fisiocratas apesar de se limitarem a uma interpretação da realidade que está adaptada à França rural do século XVIII, também tinham a sua dose de idealismo e ambicionavam "transformar o Mundo" com as suas teorias.[2] Talvez, sem que nunca o tenham esperado, os mesmos ainda venham a ser ressuscitados para nos ajudar a curar dos males económicos do nosso tempo...

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Notas:
[1] NUNES, A. J. Avelãs - Noção e Objecto da Economia Política. Almedina, Coimbra, Janeiro de 2006. pp. 15-18
[2] MYRDAL, Gunnar - Aspectos Políticos da Teoria Económica. Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1985.


João José Horta Nobre
Agosto de 2014



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Banqueiros - O Excremento da Humanidade



"Um banqueiro é um homem que te empresta o chapéu de chuva quando faz sol e que to tira quando começa a chover." - Mark Twain (1835 - 1910)

Chegámos hoje a um momento na história em que se torna não apenas justo, mas absolutamente obrigatório, denunciar a banca e os banqueiros em geral e reconhecer que estes se transformaram naquilo que a natureza humana tem de pior. Aliás, se Satanás possuir um servo fiel na terra, esse servo só poderá ser o banqueiro, pois as suas acções apenas têm (quase) desde sempre demonstrado perfídia e maldade sem limites.

A Pátria do banqueiro são as suas contas bancárias, o seu Deus é o Deus Mammon e a sua fidelidade é apenas para com o regime político que melhor o servir num determinado momento histórico. Não é necessário entrar em casos particulares ou citar nomes, pois o cenário dantesco repete-se de forma cíclica e contínua. Em todas as crises, guerras e revoluções desde 1789, poderão sempre encontrar uma "mão invisível" (e muito pouco limpa...) que pertence a algum banqueiro ou grupo de banqueiros.

Quando ouço os liberalóides fanáticos, os sempre auto-proclamados "defensores da liberdade económica" a defender banqueiros, baseando a sua defesa em argumentos pseudo-científicos que lhes foram martelados na cabeça numa qualquer faculdade de economia, ocorre-me sempre a dúvida: será que defendem a canalha bancária porque fazem parte da mesma ou será que são apenas estúpidos e ignorantes? 

Mas mais grave ainda do que isto é ouvir alguns ditos "patriotas" e "cristãos" da direitinha do copinho de leite a defenderem a banca com unhas e dentes. A essa casta refinada de filhos da mãe (não lhes chamo filhos da puta para não ofender a memória das suas mães...) só desejo que nunca lhes falte a sopinha quente na mesa como neste momento falta a muitos nossos compatriotas.

Os bancos são peças essências ao funcionamento de uma economia, mas não nos actuais moldes desprovidos de ética e respeito pelos princípios mais basilares da dignidade humana. Os banqueiros hoje não são parecidos a uma máfia como alguns afirmam, eles são A Máfia. Reúnem-se secretamente, têm a capacidade de eliminar ou destruir inimigos com um estalo de dedos, estão organizados de forma a contornar ao máximo a legislação pátria e quando não conseguem encontrar os famosos "buracos na lei", contratam poderosas sociedades de advogados e subornam políticos que se encarregam de fazer surgir esses "buracos". Toda a engrenagem política do centro-esquerda ao centro-direita está hoje ao serviço da banca e dos interesses obscuros da mesma. Nada de bom poderá vir desta vil gente...

Dauphin-Meunier afirmou em La Doctrine Économique de l'Église que:

"O capitalismo burguês ignorou deliberadamente a pessoa humana: regime amoral, sacrificou a pessoa dos assalariados, considerados como simples rodas da actividade económica, e também a dos empresários menos aptos a enfrentar uma concorrência implacável. O desemprego de uns, a falência dos outros, parecem a própria condição da vitalidade do sistema."

A peça central de toda esta miséria é a figura do banqueiro em conjunto com a elite que o rodeia e que parece ter vindo directamente das profundezas do inferno. Apenas alguém que padeça de uma grave miopia mental é que não percebe hoje que os banqueiros da nossa economia de casino se transformaram no excremento da humanidade. Um excremento odiado por quase todos, inútil e parasitário. Urge que se purge tamanho inimigo do seio da nossa ordem económica e social, caso contrário, continuaremos a caminhar rumo a uma distopia tecnocrática pior do que o mais tenebroso dos nossos pesadelos...

João José Horta Nobre
Julho de 2014





segunda-feira, 23 de julho de 2012

"Ásianomics": As Lições do Capitalismo Asiático Para o Ocidente

Na imagem pode ver-se o centro financeiro de Tóquio.  Na maior parte da Ásia, o caminho das políticas económicas tem sido na direcção de maior liberdade nos mercados financeiros e um comércio mais aberto. O “capitalismo asiático”, imbuído de valores tradicionais, sempre deu prioridade à criação e manutenção de emprego e é neste âmbito que o Ocidente mais tem a aprender com a Ásia.

   
"Não interessa se o gato é amarelo ou preto, o que interessa é que ele consiga caçar os ratos". - Deng Xiaoping (1904 - 1997) em 1962, num discurso proferido numa reunião do Secretariado; na verdade é um provérbio Sichuan.

A Ásia é hoje a região económica do mundo que está a crescer mais rapidamente e em termos de GDP per capita, os territórios mais prósperos da Ásia estão localizados no extremo oriente.[1] É mais do que óbvio nos dias que correm, que enquanto o Ocidente asfixia debaixo de uma crise económica gravíssima, a Ásia continua a viver um autêntico boom económico. 
 
Tanto os Estados Unidos como a Europa estão a braços com dívidas tremendas, desemprego galopante e falta de competitividade, porém, se analisarmos as economias da Ásia, em termos gerais estas não demonstram praticamente nenhum abrandamento face à crise actual e as empresas sediadas em nações asiáticas estão cada vez mais poderosas e dominantes no palco mundial. A Ásia vive hoje dias de glória económica e é mais do que claro que a crise económica actual, ao contrário do que muitos afirmam, não é uma crise mundial, mas sim, uma crise do Ocidente.[2]
 
Muitos economistas asiáticos já falam abertamente da “superioridade asiática” em termos económicos e aconselham os ocidentais a acordar de vez e começar a aprender com a Ásia.[3] É mais do que óbvio que algo no Ocidente tem de mudar a médio/longo prazo, pois estamos claramente a “perder o comboio” em relação à Ásia e obviamente que a melhor estratégia para a mudança é começando primeiro por observar as melhores políticas e modelos económicos que actualmente são praticados nessa mesma região.
 
Durante décadas, o Ocidente deu lições à Ásia em termos económicos e podem ter a certeza que os asiáticos aprenderam as suas lições muito bem.[4] Hoje, é hora do Ocidente perder a sua tradicional arrogância típica das potências ex-colonizadoras (o caso da Europa) e começar a recolher aquilo que a Ásia tem de melhor para nos ensinar. 


O Ocidente não pode continuar a dormir se quiser manter a sua independência económica face ao poderio económico-militar asiático.
 
Kishore Mahbubani, professor na Universidade Nacional de Singapura afirmou recentemente que: 
 
“É possível que já tenha chegado o tempo em que os asiáticos agradecerão reciprocamente ao Ocidente o facto de estes terem partilhado o capitalismo com a Ásia. Os políticos e pensadores ocidentais devem de ser convidados a visitarem os complexos industriais e as indústrias de serviços do Japão e da Coreia, Taiwan e China, Hong Kong e Singapura. Poderá haver aqui algumas lições valiosas a serem aprendidas.”[5]
 
Que lições são estas de que Mahbubani nos fala? Será que o segredo da salvação do Ocidente reside mesmo no sempre místico e exótico Oriente?
 
Este argumento de que o Oriente tem muito para nos ensinar em termos económicos já não é novo. Em 1979, Ezra Vogel defendeu no seu livro Japan As Number One: Lessons For America, que os Estados Unidos tinham de aprender com a economia japonesa de forma a não ficarem para trás no jogo mundial de nações em competição económica.
 
A vantagem dos asiáticos começa logo no campo da educação[6], pois está mais do que demonstrado que os alunos asiáticos por norma têm resultados escolares muito superiores aos obtidos no ocidente. As escolas asiáticas destacam-se pelos rígidos hábitos de trabalho que impõem aos seus alunos e pela sua alta exigência. Este sistema de ensino tem produzido alunos altamente disciplinados e híper-bem preparados em comparação com o aluno médio típico da Europa ou dos Estados Unidos.
 
Em contrapartida, no Ocidente as últimas décadas têm visto um alastrar do facilitismo nas escolas, fruto de políticas educativas erradas e o resultado está à vista. Os melhores matemáticos, engenheiros, arquitectos e cientistas estão hoje na Ásia. O cinema asiático tem cada vez mais força no mercado mundial e as empresas asiáticas estão cada vez mais agressivas. Nada consegue já travar o dragão asiático, a Ásia veio verdadeiramente para ficar.
 
O Oriente oferece valiosas lições não apenas a nós ocidentais, mas também aos países mais pobres e miseráveis do mundo. As nações do terceiro mundo só têm a ganhar em observar atentamente as nações do extremo oriente[7] (que também eram extremamente pobres há apenas algumas décadas atrás) e aprender com elas. Não basta ser-se capitalista, é necessário saber ser-se capitalista e o know how para isso por vezes é algo que leva décadas a absorver. 
 
Por sua vez, os políticos ocidentais que actualmente andam à deriva sem saber que direcção tomar, só beneficiariam se lessem Os Diálogos de Confúcio, a antiga sabedoria chinesa contém valiosas lições que os ocidentais não podem de forma alguma menosprezar, ainda para mais no actual contexto de superioridade económica chinesa.
 
Antes de ir mais longe, convém definir aquilo que podemos entender por “capitalismo asiático”. Muitos analistas económicos cometem actualmente o grave erro de por vezes afirmar que todos os países asiáticos têm seguido políticas económicas iguais. Isto é obviamente falso, no entanto, há quatro características comuns às economias asiáticas que lhes conferem uma particularidade única no mundo:
 
1º - Os políticos asiáticos não confiam no “laissez-faire, laissez-passer” e estão muito mais dispostos do que os políticos ocidentais a intervir directamente na economia dos seus países. Alguns exemplos destas intervenções directas na economia são a definição de políticas industriais e o controlo das taxas de juro e das taxas de câmbio.
 
2º - Os governos asiáticos têm recusado até agora implantar os vastos programas de apoio social que dominam em muitos países europeus. Os países europeus para sustentarem os seus imensos estados-providência necessitam de ter economias muito dinâmicas e uma população jovem, algo que a Europa neste momento claramente não tem. Os asiáticos apenas recentemente começaram a criar estruturas de apoio social mais completas, pois só agora as suas economias o começaram a permitir. Sem economia, não há estado-providência.
 
3º - Todas as economias asiáticas são obcecadas com as exportações.
 
4º - As políticas económicas asiáticas têm tendência a favorecer a indústria em lugar dos serviços e o investimento em vez do consumo como formas de promover o crescimento económico.
 
Como é que este “capitalismo asiático” pode salvar o Ocidente? O professor Mahbubani considera que o Ocidente tem de adoptar urgentemente uma atitude de maior intervenção dos governos nas economias como forma de atingir melhores resultados. Os políticos ocidentais têm de perder o seu dogma ideológico de julgar que os mercados só por si resolvem os problemas e apostar mais na intervenção estatal directa na economia quando é necessário.
 
Segundo Mahbubani:

 
“O primeiro erro do Ocidente foi ter considerado o capitalismo como um bem ideológico e não como um instrumento pragmático para melhorar o bem-estar do ser humano. Alan Greenspan foi provavelmente a maior vítima desta convicção ideológica de que os mercados sabem sempre o que é melhor… O Sr. Greenspan acreditava que os agentes dos mercados são mais inteligentes do que a regulação dos governos e isso levou a que ele não regulasse os mercados de forma severa… 
  
No entanto, nenhuma sociedade asiática, nem sequer o Japão, caiu vítima desta convicção ideológica. Os asiáticos acreditam que nenhuma sociedade pode prosperar sem boa governação… Para que o capitalismo possa funcionar bem, os governos têm de ter um papel essencial de regulação e supervisão da economia.”[8]
 
Portanto coloque-se a pergunta: será a regulação estatal de facto o motivo que está a fazer com que as economias asiáticas ultrapassem as do Ocidente? 


Na China, o Estado tem levado a cabo uma forte regulação do sector financeiro, porém, esta mesma regulação estatal constitui a médio/longo prazo um risco para a saúde do sector bancário chinês e os políticos chineses têm consciência disso. De facto, não há provas nenhumas que sustentem que a intervenção do Estado na economia é a razão de ser do boom económico da Ásia.[9]
 
Na prática, o motivo que levou as economias asiáticas a resistirem tão bem à actual crise do sector financeiro foi o facto de os bancos asiáticos terem desde o início evitado mexer no “lixo tóxico” que arruinou tantos bancos nos Estados Unidos e na Europa. Os banqueiros asiáticos neste aspecto foram e têm sido muito mais responsáveis e éticos do que os seus colegas europeus e americanos e o resultado está à vista.[10]

Vale a pena perguntar se esta "ética" e "responsabilidade" que predomina na banca asiática será um resultado da educação baseada em valores éticos e princípios tradicionais que muitos asiáticos recebem desde a mais tenra infância? 

Será o processo de decadência económico-social em que o Ocidente se encontra actualmente, um resultado directo do abandono dos valores éticos e da moral mais básica? 

As falhadas experiências ideológicas pelas quais o Ocidente em geral passou durante o século XX levaram a uma total ruptura do tradicional tecido social, moral e ético. Na Ásia, as ideologias de origem europeia também deixaram a sua marca profunda e apesar de esgotadas e impraticáveis, as mesmas ainda subsistem de forma meramente simbólica na China, Coreia do Norte e Vietnam. Porém, ao contrário do Ocidente, as ideologias totalitárias não levaram à ruptura com os valores tradicionais asiáticos. Mao Tsé-Tung bem tentou eliminar os valores tradicionais chineses com a sua falhada "Revolução Cultural". Na Coreia do Norte, o regime, apesar de teóricamente ser Marxista, na prática comporta-se como uma autêntica monarquia absolutista e os valores coreanos estão bem presentes e vivos na sociedade Norte-Coreana. O Vietnam não fugiu à regra que foi registada na China e na Coreia do Norte.

Confirma-se portanto que existe uma preservação de valores tradicionais na Ásia que poderá muito bem explicar o sucesso económico-social desta região do mundo. Seria interessante que se investigasse de forma mais aprofundada esta ligação entre o sucesso económico de uma nação e o grau de preservação dos valores tradicionais na mesma. Pois com a excepção da Coreia do Norte, praticamente todas as nações asiáticas são um exemplo de sucesso económico sem paralelo na história da humanidade.
 
Muitos empresários asiáticos queixam-se dos obstáculos inconvenientes que a regulação estatal lhes traz e quando vistos os factos mais a fundo, é difícil sustentar a tese de que a regulação estatal só por si é responsável pela força das economias orientais.[11]
 
De acordo com Michael Schuman, muitos analistas têm exagerado o papel do Estado nas economias asiáticas. Em 2009, no seu livro, The Miracle: The Epic Story of Asia’s Quest For Wealth, Schuman advoga que as verdadeiras causas do crescimento económico asiático têm sido a iniciativa privada, o comércio livre e o empreendedorismo, ao invés da regulação estatal. 
 
É inegável que a intervenção estatal teve um papel importante no arranque das economias asiáticas e algumas políticas industriais ajudaram a desenvolver determinados sectores.[12] Porém, a intervenção do Estado na economia é sempre uma espada de dois gumes que pode criar tanto o sucesso como o desastre absoluto. 
 
As crises económicas que o Japão e a Coreia do Sul enfrentaram no passado, têm as suas raízes na intervenção burocrática do Estado na economia e a manipulação da economia levada a cabo actualmente pelo governo chinês está a criar o terreno fértil para um crise económica chinesa dentro de alguns anos, isto caso nada seja feito para inverter o rumo da actual situação.[13]
 
De facto, na maior parte da Ásia, o caminho das políticas económicas tem sido na direcção de maior liberdade nos mercados financeiros e um comércio mais aberto. A Ásia está actualmente a usar as forças dos mercados para corrigir as distorções provocadas pelas intervenções do Estado na economia e não o contrário.[14]
 
O professor Mahbubani argumenta que o “capitalismo asiático” tem feito um melhor trabalho a proteger trabalhadores e promovendo a igualdade do que o capitalismo do Ocidente:
 
“Os governos asiáticos lutaram contra o desemprego criando esquemas de incentivo para promover o investimento e o emprego. Os governos ocidentais desprezaram sempre esta política por considerarem-na uma “política industrial”. Enquanto os trabalhadores do Ocidente sofrem, os capitalistas [do Ocidente] respondem que “os mercados é que sabem o que é melhor.” É possível que já tenha chegado o tempo para o Ocidente aprender com a Ásia a gerir os desafios existenciais do sistema capitalista.”[15]
 
O “capitalismo asiático” sempre deu prioridade à criação e manutenção de empregos e é neste âmbito que o Ocidente mais tem a aprender com a Ásia. 

Quando as coisas correm mal numa típica empresa asiática, a primeira reacção não é despedir centenas ou milhares de trabalhadores deixando-os à mercê da sociedade. A razão para isto prende-se principalmente com a cultura e os valores tradicionais asiáticos. Nas culturas asiáticas não é socialmente aceitável que se façam despedimentos em massa e isto tem contrapartidas muito positivas para a economia dos respectivos países.[16]
 
Em épocas de crise económica na Ásia, as empresas e os governos unem-se para encontrar toda a espécie de esquemas para manter os seus trabalhadores activos e não ter de haver despedimentos. Mais pessoas a trabalhar, significa mais pessoas a gastar dinheiro e isto é um contrabalanço muito positivo e extraordinário em qualquer crise económica. 
 
A longo prazo, as empresas asiáticas ao demonstrarem mais lealdade para com os seus trabalhadores, recebem esta lealdade em troca e o empenho e a dedicação dos trabalhadores asiáticos é por isso mesmo incomparável.[17] Acaba muitas vezes por existir uma verdadeira relação de respeito entre o trabalhador e a empresa e isto é uma vantagem inigualável num mundo em convulsão económica.
 
No Ocidente a busca selvagem por lucro criou um clima nefasto na maior parte das empresas em que o trabalhador se vê a si próprio muitas vezes como uma mera peça ao serviço de um burguês e isto é fruto da falta de respeito das empresas ocidentais para com os seus trabalhadores. Se o Ocidente quiser ultrapassar a sua doença económica, então terá de repensar a forma como trata aqueles que trabalham. 


Se um típico empresário ou banqueiro ocidental não possuir um mínimo de ética e moral, como se poderá esperar que a sua empresa ou banco dê um contributo minimamente positivo para a sociedade? A crise de valores pela qual passa o Ocidente parece cada vez mais ser um dos principais motivos que explicam a actual crise económico-social em que estamos mergulhados...
 
Muitos trabalhadores no ocidente estão desejosos de acabar o seu turno e ir para casa, ao invés, na Ásia, muitos trabalhadores dedicam-se ao máximo às suas empresas e fazem muitas vezes horas extraordinárias porque eles sabem que em momentos de maior dificuldade a sua empresa não os abandonará. Há uma relação de interesse mútuo muito forte na Ásia entre o trabalhador e a empresa, algo que não existe no Ocidente.
 
Outras lições importantes que o Ocidente pode aprender com o “capitalismo asiático” são as formas como os governos podem sustentar o crescimento económico. É necessário que, tal como na Ásia, os governos ocidentais invistam mais em infra-estruturas adequadas e na educação. Nos últimos anos os governos asiáticos têm-se concentrado muito em melhorar os seus sistemas educativos, as estradas e os aeroportos.[18]


Na Europa, as décadas de 1980 e 1990 viram os países membros da União Europeia melhorar de forma radical as suas infra-estrutras. Porém, subsiste o problema da educação.

Muitos advogam que a qualidade medíocre e o facilitismo do sistema educativo em muitos países europeus são um resultado da pobreza que durante décadas distinguiu a Europa do Norte da Europa do Sul. É um facto que o nível médio educativo dos cidadãos do norte da Europa é muito superior ao dos cidadãos do sul. Porém, a pobreza não poderá explicar o problema educativo, pois, muitos países asiáticos também eram extremamente pobres há apenas meio-século atrás, muito mais pobres do que a maioria dos países da Europa e hoje esses mesmos países asiáticos têm sistemas educativos que fazem a inveja do Ocidente. Basta ter em conta o número crescente de publicações científicas de origem asiática para se perceber este facto. Muitas das melhores Universidades do mundo estão hoje na Ásia e estas lideram em inúmeros campos a investigação científica de ponta. 

Então podemos assim constatar que a pobreza e o atraso económico que históricamente afectou os países do sul da Europa não servem para explicar a qulidade medíocre dos sistemas educativos desses mesmos países. Resta-nos assim concluir que a única explicação possível para este fenómeno é mais uma vez a preservação dos valores tradicionais que ocorreu na Ásia e não ocorreu no Ocidente. Repare-se que apesar dos países do norte da Europa terem sistemas educativos superiores aos do sul, na realidade os sistemas educativos asiáticos em termos gerais ultrapassam qualquer sistema educativo que tenhamos na Europa, Estados Unidos ou América Latina. 

Na Ásia deu-se uma preservação dos valores tradicionais e isso reflecte-se na educação. Ao invés, o Ocidente perdeu por completo os seus valores tradicionais e isso também se reflecte na educação. Como resultado inevitável, temos agora uma Ásia bem preparada para os desafios do século XXI e em contrapartida, o Ocidente caminha moribundo e sem rumo. 
 
Acima de tudo e tal como o professor Mahbubani destaca, é necessário que os governos ocidentais saibam colocar em primeiro lugar o pragmatismo e a resolução de problemas, depois é que poderá vir a ideologia. Esta sim é a maior lição que o “capitalismo asiático” tem para nos oferecer.
 
É bem possível que o segredo da salvação das economias ocidentais esteja na Ásia e nós ocidentais só temos a ganhar em olhar para Oriente e aprender com o melhor que se faz por lá.[19] A prosperidade economico-social que muitos países asiáticos começaram recentemente a descobrir é o fruto de décadas de um trabalho e esforço verdadeiramente titânicos para poder "apanhar" e ultrapassar o Ocidente. 


Não restam dúvidas de que a preservação dos valores tradicionais nos países asiáticos tem muito a ver com o sucesso económico desses mesmos países e o Ocidente não poderá recuperar económicamente enquanto não perceber que a recuperação da sua ética e moral perdidas são uma peça essencial para garantir o seu bem-estar económico futuro.

Já é tarde para que o Ocidente possa recuperar e os danos provocados no tecido social, moral e ético do Ocidente pelas ideologias materialistas do século XX são demasiados para serem corrigidos em pouco tempo. Caso o Ocidente queira fazer uma recuperação económico-social, essa mesma recuperação exigirá uma total reconversão das sociedades ocidentais, em todos os domínios e levará no mínimo três décadas para atingir resultados significativos.
 
Notas:

[1]INTERNATIONAL MONETARY FUND, Country and Regional Perspectives, Chapter 2, http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2010/02/pdf/c2.pdf, data da última consulta: 30/05/2012.
[2] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[3] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[4] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[5] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[6] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[7] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[8] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[9] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[10] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[11] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[12] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[13] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[14] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[15] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[16] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[17] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[18] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.
[19] SCHUMAN, Michael, Can Asian-Style Capitalism Save The West?, Time Magazine, http://business.time.com/2012/03/25/can-asian-style-capitalism-save-the-west/2/, data da última consulta: 29/05/2012.

João José Horta Nobre
Junho de 2012

sábado, 28 de abril de 2012

Como Hugo Chávez Está a Destruir a Economia Venezuelana: O Socialismo Ataca Mais Uma Vez…


Na Venezuela de Hugo Chávez há falta de tudo: leite, carne e até papel higiénico são bens constantemente em falta e quando estão disponíveis é necessário muitas vezes esperar horas em filas para os conseguir comprar.


Há alguns meses atrás, um velho amigo meu venezuelano contava-me como ele e a sua família foram obrigados literalmente a “fugir” da Venezuela de Hugo Chávez devido à instabilidade económica e social que hoje se vive naquele país. A Venezuela graças à “magnífica” governação de Hugo Chávez é hoje uma nação a enfrentar uma lenta morte económica.

As consequências da revolução socialista de Hugo Chávez estão bem à vista, a Venezuela é hoje um dos países com a mais alta taxa de crime no mundo tendo uma taxa de homicídio de 57 por cada 100.000 habitantes[1] e em termos económicos o país tem um dos piores desempenhos da América Latina. 

Quem hoje viajar até Caracas na Venezuela depara-se com longas filas de pessoas à porta de lojas para comprar bens básicos que nós aqui na Europa damos como garantidos. Logo de madrugada, dezenas de venezuelanos colocam-se durante horas em filas na esperança de comprar um simples frango ou uma garrafa de óleo alimentar antes que os stocks se esgotem.

Não há desculpas para o estado a que a economia venezuelana chegou, a Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo a nível mundial e com os preços do petróleo a subir, este dá cada vez maior lucro a quem o vende. Porém, na Venezuela de Hugo Chávez falta de tudo: leite, carne e até papel higiénico são bens constantemente em falta e quando estão disponíveis é necessário muitas vezes esperar horas em filas para os conseguir comprar.[2]

O inferno socialista em que hoje vive o povo venezuelano deu origem a uma situação humilhante em que os cidadãos de um dos países mais ricos do mundo em termos de recursos naturais, têm de se levantar antes do nascer do sol e esperar em filas durante horas a fio para comprar um simples frango congelado, uns sacos de farinha ou uma garrafa de óleo vegetal e muitas vezes nem assim conseguem obter o que pretendem.[3]

Quem julgue que são apenas os pobres que passam por este tipo de privações está redondamente enganado. Na Venezuela as rupturas de stocks em termos de bens essenciais afectam tanto os mais ricos como os mais pobres. De acordo com William Neuman, um supermercado localizado no bairro elitista La Castellana em Caracas era capaz de ter num dia frango, ovos e queijo em abundância, mas nem um único rolo de papel higiénico e pouquíssimo café. A falta de café é aliás ridícula para um país que em tempos foi um dos maiores exportadores de café a nível mundial.[4]

Num dia em que não havia leite neste supermercado, William Neuman perguntou a um dos empregados onde podia arranjar leite e a resposta não se fez demorar: “na casa de Chávez”.[5]

A Venezuela chegou ao ponto a que chegou devido às políticas económicas socialistas de Hugo Chávez. Como forma de tentar fazer com que os mais pobres pudessem ter o acesso facilitado a bens alimentares e de consumo, o governo de Hugo Chávez impôs controlos de preços muito duros na economia e não é por coincidência que os produtos com o preço tabelado são precisamente aqueles que hoje são mais difíceis de encontrar disponíveis no mercado.

Nery Reyes de 55 anos, descreve bem o sentimento generalizado que muitos venezuelanos hoje sentem quando diz que “a Venezuela é um país demasiado rico para estar nesta situação”.[6]

A revolta que muitos venezuelanos hoje sentem em relação à situação a que o seu país chegou é mais do que compreensível. A Venezuela já foi um dos países mais prósperos e economicamente vibrantes da América Latina. Tinha uma indústria manufactureira sofisticada, um sector agrícola forte e empresas dinâmicas. Porém, a forte economia que a Venezuela em tempos possuiu deu origem a um fosso entre ricos e pobres muito grande e deveras escandaloso. 

A razão para isto prende-se com o facto de durante demasiados anos os políticos venezuelanos terem optado por políticas económicas erradas e terem deixado o seu país transformar-se num paraíso para a corrupção. Foi esta situação social que conduziu Hugo Chávez ao poder com a sua retórica barata e teorias socialistas de feira. O povo venezuelano tinha mais do que razões suficientes para estar chateado, porém, ao votar em Hugo Chávez abriu o caminho a um regime económico socialista que com o tempo só vai gerar mais pobreza e miséria.

O governo de Hugo Chávez argumenta que as suas medidas económicas têm como objectivo proteger os mais pobres e culpa o sistema capitalista pelos males do povo venezuelano. O governo argumenta ainda que o tabelamento de preços é necessário para controlar a inflacção dos preços que o ano passado atingiu na Venezuela 27.6%, sendo assim uma das mais altas taxas de inflacção do mundo. O governo acusa também as empresas de provocarem as carências de bens de propósito para provocar a subida dos preços e assim justifica o controlo de preços que está a levar a cabo. Só quem não percebe absolutamente nada de economia pode acreditar numa conversa destas.[7]

Na realidade, as políticas económicas socialistas de Hugo Chávez não estão a resolver problema nenhum, mas sim a provocar um problema ainda maior. Ao tabelar os preços a níveis demasiado baixos, o governo impede as empresas e os produtores de obterem lucro com a venda dos seus produtos, isto leva obviamente a que muitos produtores deixem de produzir, pois nenhum capitalista vai produzir se não obter lucro em troca.[8] Por outras palavras, quanto mais o governo de Hugo Chávez tabelar e controlar os preços, menos os produtores vão produzir e menos vai haver disponível no mercado, consequentemente a Venezuela vai ver-se obrigada a importar cada vez mais para substituir aquilo que já não consegue produzir e assim a economia venezuelana vai decaindo de dia para dia. Isto é o Socialismo no seu melhor.

A incompetência do governo socialista de Hugo Chávez fica bem patente se constatarmos que alguns dos bens que hoje faltam no mercado venezuelano são produzidos por industrias que Hugo Chávez nacionalizou em nome do “interesse nacional”.[9] O facto é que desde que estas indústrias foram nacionalizadas, a produção caiu drasticamente e quem sofre com isto é o povo venezuelano que se vê obrigado a importar o que já não consegue produzir por culpa das políticas socialistas de Hugo Chávez.

Em Janeiro de 2012, de acordo com o Banco Central da Venezuela, a dificuldade em conseguir obter bens alimentares básicos estava ao seu pior nível desde 2008. O leite em pó, que constitui um dos pilares da alimentação venezuelana, estava esgotado em cerca de 42% dos supermercados e o leite em estado líquido ainda é mais difícil de encontrar de acordo com a Datanálisis.[10]

Ainda de acordo com a Datanálisis, outros bens básicos como carne de vaca, frango, óleo vegetal e açúcar estão em falta no mercado venezuelano. Nas lojas subsidiadas pelo Estado, que foram criadas para oferecer bens alimentares a preços mais baixos aos pobres, o problema ainda é mais grave e as rupturas de stocks são constantes.[11]

É óbvio que muitos venezuelanos necessitam de apoio do Estado para sair da pobreza em que se encontram, no entanto, o caminho escolhido pelo governo de Hugo Chávez é desastroso e vai levar inevitavelmente à implosão da economia venezuelana se estas políticas económicas socialistas continuarem por muito mais tempo. 

Não é destruindo a economia da Venezuela através de nacionalizações desastrosas e tabelamento de preços que Hugo Chávez vai ajudar o seu povo. Muito pelo contrário, Hugo Chávez está a destruir a capacidade exportadora da Venezuela criando um país petro-dependente e se não fosse o “ouro negro” para sustentar as suas fantasias socialistas, já o seu governo teria caído há muito.

Para agravar a situação, Hugo Chávez ameaça aberta e publicamente que nacionalizará qualquer empresa que não consiga manter os seus produtos no mercado, afastando assim inúmeros capitais estrangeiros da Venezuela que têm medo de investir neste país devido ao facto de o mesmo ser governado por um governo socialista liderado por um político claramente instável – Hugo Chávez.

Francisco Rodríguez, um economista da Merrill Lynch que se dedica ao estudo da economia venezuelana afirma aquilo que muitos no mundo já sabem em relação à mesma: “a médio/longo prazo isto vai ser um desastre.”[12]

O tabelamento de preços por parte do Estado levou à criação de um mercado negro na Venezuela em que os produtos que não podem ser obtidos de forma normal em supermercados, podem por sua vez ser comprados a preços elevados no mercado negro.

Para se ter noção do problema, Emílio Ortiz de 52 anos e dono de uma mercearia, afirma que só conseguiu comprar açúcar e leite em pó uma única vez ao seu fornecedor em 2011. Consegue obter óleo alimentar uma vez por mês, mas apenas cerca de metade do que ele pede. Por sua vez, devido ao tabelamento de preços, a taxa de lucro é tão pequena que ele se vê obrigado a subir o preço dos produtos não tabelados para conseguir obter uma taxa de lucro decente no fim do mês.[13]
 
Isto é o perverso ciclo vicioso gerado por políticas socialistas, tabelam-se os preços de um lado e eles disparam do outro. Chega-se a uma situação em que toda a economia de um país está estagnada e moribunda. Só quem tenha pouca inteligência ou seja pura e simplesmente ignorante em termos económicos é que não percebe o fracasso que o Socialismo constitui quando aplicado a um país.

Um exemplo que ilustra bem este problema, é a carência grave da farinha Harina Pan na Venezuela. A Harina Pan é uma das marcas de farinha mais utilizadas pelo povo Venezuelano para fazer as suas tradicionais Arepas. O facto de um supermercado ou mercearia venezuelana não ter Harina Pan é o equivalente a um supermercado nos Estados Unidos ou na Europa Ocidental não ter Coca-Cola.

Um dos produtos agrícolas que a Venezuela tem obrigação de produzir em largas quantidades é o café. Até 2009 a Venezuela foi um dos maiores exportadores de café a nível mundial, porém, desde há 3 anos que o país se vê obrigado a importar café porque já não consegue produzir o suficiente para satisfazer o seu próprio mercado interno. A culpa desta situação é inteiramente da reforma agrária socialista que Hugo Chávez tem estado a levar a cabo e cujos resultados hoje estão bem à vista de todos. A agricultura venezuelana tem estado a ser gradualmente destruída pelas políticas socialistas do governo.

Os agricultores de café venezuelanos colocam eles próprios a responsabilidade pela situação inteiramente em cima do governo. O problema mais uma vez tem a ver com o tabelamento de preços, pois os preços são mantidos tão baixos que um agricultor não consegue obter lucro da sua colheita de café, assim sendo, muitos deixaram de produzir ou então deixaram de comprar adubos como forma de cortar nas despesas consequentemente levando à diminuição da qualidade e quantidade da produção de café.

O sector do café não é o único afectado, pois tem-se passado o mesmo com os agricultores que produzem milho, leite e carne de bovino.[14] O Socialismo está a desmantelar por completo a outrora poderosa agricultura venezuelana.

A Venezuela de Hugo Chávez é mais um clássico exemplo do que sucede a um país quando este opta por políticas económicas socialistas. O resultado está claramente à vista e o povo venezuelano já o começa a sentir na pele. Se a Venezuela continuar por este caminho mais alguns anos, acabará por se transformar num Estado economicamente falhado e falido. 

Mais uma vez as lições de Ludwig von Mises são actuais e aplicam-se ao caso venezuelano. Mises tinha previsto que qualquer economia socialista acabaria inevitavelmente por sofrer do “problema do cálculo económico” que consiste na incapacidade de um Estado socialista levar a cabo os cálculos económicos necessários para organizar uma economia complexa. Mises argumentou e com razão que um país sem uma economia de mercado livre nunca pode ter um sistema de preços funcional.[15]

O povo venezuelano vive hoje um pesadelo socialista auto-imposto e só quando acordar é que se vai aperceber do terrível erro que cometeu ao apoiar Hugo Chávez. Espero apenas que nessa altura já não seja demasiado tarde…


Notas:

[1] THE ECONOMIST, Shooting the Messenger, http://www.economist.com/node/21009630, data da última consulta: 30/03/2012.
[2] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[3] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[4] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[5] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[6] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[7] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[8] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[9] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[10] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[11] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[12] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[13] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[14] NEUMAN, WILLIAM, With Venezuelan Food Shortages, Some Blame Price Controls, The New York Times, http://www.nytimes.com/2012/04/21/world/americas/venezuela-faces-shortages-in-grocery-staples.html?pagewanted=1&_r=3&ref=world, data da última consulta: 22/04/2012.
[15] MISES, Ludwig von, Socialism: An Economic and Sociological Analysis, Library of Economics and Liberty, 1922,  http://www.econlib.org/library/Mises/msSApp.html, data da última consulta: 22/04/2012.

João José Horta Nobre
Abril de 2012

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