Mostrar mensagens com a etiqueta karl marx. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta karl marx. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de julho de 2016

João José Horta Nobre - O Capitalismo Nunca Morre

Este gráfico é bastante exemplificativo das consequências da queda tendencial da taxa de lucro no médio/longo prazo. Como se pode constatar, as classes trabalhadoras dos países desenvolvidos não têm melhorado as suas condições de vida, no período de 1988 a 2008, em contraponto com todas as outras classes sociais em todo o mundo (fonte).


João José Horta Nobre - As classes trabalhadoras dos países desenvolvidos não viram melhorar as suas condições de vida entre 1988 e 2008, devido simplesmente a um fenómeno que a maioria dos economistas contemporâneos ignora, porque os mesmos parecem estar apanhados por uma mistura de dogmatismo  religioso (a fé nos mercados e numa suposta "mão invisível") com pseudo-ciência económica. Eu direi mesmo que as aulas de economia em qualquer universidade actual, assemelham-se mais a aulas de bruxaria aplicada, do que a outra coisa qualquer.

Mas como eu dizia, há um simples fenómeno que explica o porquê das classes trabalhadoras terem visto o seu nível de vida estagnar entre 1988 e 2008 e esse fenómeno nada tem de misterioso, ilógico, ou sobrenatural, chama-se apenas "a queda tendencial da taxa de lucro" e muitos nunca sequer ouviram falar de tal coisa (para a elite também não convém que se fale disto...). A verdade é que não há maneira de o modo de produção capitalista escapar à queda tendencial da taxa de lucro, que é um defeito estrutural inerente ao mesmo e até hoje nenhum economista conseguiu teorizar uma solução adequada para este gravíssimo problema. Karl Marx compreendeu isto já no século XIX e tentou arranjar uma cura, propondo uma maleita ainda pior que dá pelo nome de Socialismo Científico (que na realidade pouco ou nada tem de científico...). Apesar deste facto, eu insisto que não se deve, nem se pode menosprezar Marx no campo da crítica ao Capitalismo, porque o próprio Marx era um capitalista ferrenho que conhecia o "sistema" por dentro como quase ninguém. Foi seguramente o economista que até hoje expôs melhor os principais problemas que afectam o actual modelo económico, que com uma ou outra alteração, continua no essencial a ser o que era em meados do século XIX.

Após o fim dos Trinta Gloriosos (circa 1975), o modo de produção capitalista no Ocidente nunca mais conseguiu regressar às elevadas taxas de lucro, as crises cíclicas repetem-se com cada vez maior frequência (já dizem que vem aí uma nova a caminho e ainda nem saímos da actual...) e têm uma durabilidade cada vez maior, algo que Marx previu correctamente. É exactamente isto que explica o porquê das condições de vida das classes trabalhadoras do Ocidente ter estagnado no período em questão. 

Com a emergência de novos concorrentes no campo económico[1], os países desenvolvidos perderam mercado e competitividade, o que se traduziu logicamente numa redução dos lucros para a burguesia ocidental e por sua vez das classes trabalhadoras correspondentes. Muitos dirão que isto é mentira, porque os salários entretanto aumentaram, mas a verdade é que o aumento salarial não conseguiu acompanhar o aumento do custo de vida.[2]

A partir de 2008 a situação em lugar de ter melhorado, piorou ainda mais e vai piorar e continuar a piorar, porque este problema só pode ser resolvido de duas formas: ou arranjando uma grande guerra (a solução encontrada para se sair da crise de 1929), ou transformando o Capitalismo por dentro, algo que exige mudanças políticas profundas e uma total alteração do paradigma económico-social. Enquanto a actual elite estiver no poder, não esperem que nada mude e a mudar, vai ter de começar pelos Estados Unidos, pois é lá que se encontra a "cabeça da serpente"...

Não é ao acaso que já se diz por aí que as novas gerações vão ter um nível de vida pior do que o dos seus pais e as elevadas taxas de desemprego e precariedade que afectam hoje estas mesmas gerações, são disso a prova viva. O poder de compra das pessoas não pára de baixar, devido ao facto dos lucros da burguesia também não pararem de cair (basta verem quantas empresas faliram em Portugal nos últimos cinco anos...), o que significa que a burguesia vai ter necessidade de reduzir os custos de produção e isto reproduz-se sempre na forma de mais cortes de salários, mais despedimentos, mais desemprego e em consequência directa de tudo isto, num menor poder de compra, o que conduz a uma ainda maior redução dos lucros da burguesia...

Não há forma de se escapar a este ciclo vicioso mortífero inerente ao modo de produção capitalista. John Maynard Keynes também percebeu isto muito bem e apresentou uma teoria económica para resolver o problema que na verdade, não resolve problema nenhum. O Keynesianismo quando aplicado à realidade, não passa de um conjunto de cuidados paliativos que aliviam os sintomas da doença, mas que não conseguem efectivamente curar a mesma. O motivo para isto também é igualmente fácil de se entender: é que o Keynseianismo parte da premissa do investimento por parte do Estado, como meio para se regenerar o Capitalismo. Ora, se o problema de fundo é exactamente a diminuição dos lucros da burguesia e por consequência lógica, da receita fiscal, como é que o Estado vai arranjar dinheiro para investir seja no que for?

É verdade que os Estados por norma têm uma reserva financeira e uma determinada capacidade de pedir crédito aos mercados, mas nem a reserva financeira é eterna, nem os mercados emprestam para sempre... Como a queda do lucro é imparável, julgo que é portanto fácil de se perceber a fraude académica a que se reduz o Keynesianismo, que na prática, permite à elite apenas ganhar algum tempo, mas nada mais do que isso. 

Agora vou-vos dizer muito sucintamente o que vai acontecer nos próximos anos, pois isto é lógica pura. A Ásia não vai continuar a crescer como tem crescido e em breve também o nível de vida das classes trabalhadoras dos países asiáticos, irá estagnar, da mesma forma que estagnou por cá a partir do final dos anos 1980[3]. O Ocidente por sua vez, vai continuar a afundar economicamente, isto porque a burguesia ocidental não consegue de forma alguma competir com o baixo custo da mão-de-obra dos asiáticos que é imbatível no mercado mundial e como o poder de compra dos jovens ocidentais é miserável e será cada vez mais miserável (a nova moda é o "trabalho temporário" e part-times a recibos verdes...), a nossa burguesia vai lucrar cada vez menos, o que significa que também vão pagar e empregar cada vez em menor dose... 

Entretanto, a própria burguesia asiática e ocidental, vai começar a expandir para África em busca de mão-de-obra ainda mais barata. Só que depois não irão ter mercados onde vender os seus produtos, pois as classes trabalhadoras do Ocidente e da própria Ásia, vão estar reduzidas à miséria. A queda tendencial da taxa de lucro resulta exactamente nisto e por mais "inovação", "expansão" e "dinamização" que as empresas tentem levar a cabo, o resultado será lucrarem cada vez menos. Ocasionalmente, os lucros das empresas até poderão subir, mas a tendência geral é e será para a sua diminuição no médio/longo prazo.

Devo dizer e digo em defesa da própria burguesia, que a esmagadora maioria dos empresários não têm culpa disto, pois eles próprios limitam-se a "dançar ao som da música". O problema é estrutural e só poderá ser resolvido com medidas radicais que alterem a própria estrutura de funcionamento do Capitalismo. O Capitalismo nunca morre, nem vai morrer. Na pior das hipóteses, a queda tendencial da taxa de lucro redundará nalguma grande guerra. Terminada a guerra, teremos um novo período de grande crescimento e prosperidade económica semelhante ao que se viveu entre 1945 e 1975, até que o Capitalismo comece novamente a padecer de mais e mais crises cíclicas, que terminarão em nova grande guerra e assim por diante. Esta loucura não terá fim enquanto não se levarem a cabo reformas radicais na própria estrutura de funcionamento do modo de produção capitalista.

_____________________________________________

Notas:
[1] -
Especialmente na Ásia, onde a China devido ao baixo custo da sua mão-de-obra, não demorou a transformar-se na "fábrica do Mundo".
[2] - Na década de 1950, o salário de um operário qualificado da classe média americana, bastava para sustentar uma família inteira com bastante conforto e ainda sobrava algum dinheiro. Hoje, é preciso mãe e pai trabalharem para conseguir sobreviver e mesmo assim, o que auferem no fim do mês, muitas vezes não dá para sustentar mais do que um filho, isto quando chega para ter sequer um filho...
[3] - Em Portugal e mais alguns países, este prazo alarga-se para o fim dos anos 1990, apenas devido ao facto de termos tido mão-de-obra um pouco mais barata e por isso mais competitiva em termos de exportações...

João José Horta Nobre
3 de Julho de 2016

sexta-feira, 15 de abril de 2016

João José Horta Nobre - A Costela Liberal de Karl Marx

 Marx Attack, Johnny Kalong



João José Horta Nobre - Não deve existir um pensador mais incompreendido e mal interpretado na história da humanidade, do que Karl Marx. A obra do mesmo tem servido para justificar tudo e mais alguma coisa por parte da esquerda lunática. A direita liberal não o pode ver à frente (talvez porque Marx acerta demasiadas vezes no calcanhar de Aquiles da mesma...) e depois há assim uns "rafeiros" como eu que têm uma relação de amor/ódio com Marx. Isto é, gostamos de ler Marx, mas simultaneamente passamos a vida a mandar pedradas aos marxistas e a combater os mesmos no campo ideológico.

Porém, o que me cansa mais no meio disto tudo, é a velha e estafada conversa da direita liberalóide (os copos de leite do costume...) a dizer que Marx não percebia nada de economia. É preciso ser-se, de facto, muito ignorante para dizer uma barbaridade destas e provavelmente quem o diz, nunca leu uma única obra de Marx. Se tiverem a paciência de o ler, irão perceber que Marx percebia mais de economia do que muitos economistas contemporâneos e acima de tudo, sabia exactamente onde residem os pontos fracos do modo de produção capitalista e o que leva às crises cíclicas do mesmo - a inevitável queda tendencial da taxa de lucro, a qual até hoje continua a ser um grande problema por resolver e para a qual nenhum economista foi capaz de arranjar uma solução. Aliás, a actual crise do Capitalismo no Ocidente, deve-se exactamente a este factor, que foi desde sempre a raiz de praticamente todas as crises cíclicas do Capitalismo. Não adianta a direita liberal tentar "tapar o sol com a peneira", pois o facto é que o actual sistema económico - Capitalismo -  é uma receita para o desastre.

Karl Marx em meados do século XIX já sabia que só é possível garantir o bom funcionamento do Capitalismo mediante uma taxa de lucro satisfatória para a burguesia. O problema é que o crescimento económico é uma autêntica "espada de dois gumes" que leva a um inevitável aumento dos salários e por consequência, dos custos de produção. A somar a isto, a burguesia tem ainda de contar com a concorrência e o aumento dos custos das matérias-primas. Tudo isto leva a uma queda tendencial da taxa de lucro e em consequência da mesma, a burguesia faz aquilo que sempre fez nestas situações, ou seja, despedimentos e cortes nos salários. Ora, isto na prática não resolve nada e ainda agrava mais a situação, pois leva a um aumento da miséria social e ao consequente colapso do consumo, o que num ciclo vicioso mortal, redunda em ainda mais despedimentos, cortes de salários e no limite, encerramento de empresas ou deslocalização das mesmas. Marx previu e com razão que à medida que as crises cíclicas do Capitalismo se vão repetindo, a sua durabilidade e gravidade vão sendo cada vez maiores até se atingir uma crise estrutural do sistema que vai ser tão grave, que só poderá ser resolvida mediante uma guerra. A Segunda Guerra Mundial não foi um acaso, aconteceu porque o sistema estava atolado em crise sem fim à vista desde 1929 e precisava de reduzir o número de desempregados, ao mesmo tempo que dinamizava a indústria civil, transformando a mesma numa indústria bélica. Os 70 milhões de mortos e a brutal destruição de infraestruturas na Segunda Guerra Mundial, foram uma bênção para o modo de produção capitalista. Hoje, a superclasse mundialista que discretamente vai gerindo o Mundo, anda claramente a tentar provocar uma nova guerra, precisamente porque a mesma sabe o que Marx também sabia, ou seja, que a actual crise do Capitalismo é irresolúvel sem uma nova grande guerra. 

Quase 150 depois de Marx ter escrito o Das Kapital, continuamos exactamente no mesmo sítio, isto é, o modo de produção capitalista continua a padecer do mesmo defeito estrutural e todos esses "académicos" que por aí pululam nas universidades e centros de investigação, ainda não foram capazes de apresentar uma única solução minimamente convincente para evitar, travar e/ou inverter a queda tendencial da taxa de lucro. 

João José Horta Nobre
15 de Abril de 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Aldrabices Cristãs


Há por aí quem julgue que foi este tipo de gente que ergueu a "superior civilização ocidental". Eu prefiro nem comentar, pois o video acima fala por si...


Mentira, Marx não odiava Deus, pelo simples motivo de que ele nem sequer acreditava em Deus. Não se pode odiar algo em que pura e simplesmente não se acredita.


Se houve quem historicamente tivesse desrespeitado o direito à propriedade privada, foram os cristãos. Por todo o lado por onde passaram, apoderaram-se à força do que não era seu e saquearem sem rei, nem roque. Em África foi o que se viu, com o tráfico negreiro e a pilhagem de recursos do Continente que prossegue até hoje. Na América Central e do Sul, idem. Na Europa, não só chegou a ser ordenada a confiscação da propriedade privada de pagãos por édito Imperial, como até chegaram ao ponto de roubar as pedras dos templos pagãos para construir igrejas. Um pagão que protestasse contra tal política, corria o risco de ser executado, tal como hoje no Estado Islâmico, quem discordar da política oficial do Califa, corre o risco de literalmente perder a cabeça. Seria, aliás, interessante saber como é que os cristãos hoje iriam reagir, se um grupo de pagãos fosse roubar pedras de uma igreja, para erguer um templo de culto pagão. Isto a concretizar-se nem seria roubar, mas sim, recuperar o que é seu por direito. Como diz o velho ditado: "ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão."

A história do Cristianismo - a par das outras religiões abraâmicas - está tão pejada de violência, ódio, intolerância e injustiça, que os cristãos por mais que tentem, não têm argumentos que os possam minimamente sustentar. Nem do ponto de vista teológico, moral, ético ou histórico.

João José Horta Nobre
26 de Fevereiro de 2016


Uma mini-série documental sobre a Inquisição (só falta o último episódio sobre as caças às "bruxas"). Durante mais de 500 anos esta gente lançou uma autêntica onda de terror sobre a Europa e fez uso de torturas que nem a Gestapo, a Stasi, ou o KGB alguma vez se atreveram a aplicar. Isto é um bom exemplo do tal "contributo" do Cristianismo para a "superior civilização ocidental" de que certa gente anda por aí a falar. Trata-se de mais uma demonstração do sadismo típico das religiões abraâmicas e da selvajaria semita oriunda do Médio Oriente:


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os Três Erros de Marx


 
Marx cometeu três erros essenciais:

1º - Previu que o Capitalismo vai implodir com uma grande "crise final" que ditará o fim do sistema. Isso nunca vai acontecer porque o modo de produção capitalista tem capacidade de se renovar perpétuamente através da guerra. O Capitalismo é por excelência uma economia de guerra e os Estados Unidos são disso um bom exemplo. Quando a economia começa a estagnar, provoca-se uma nova guerra, a estratégia é a mesma há mais de um século. Pode-se mesmo dizer com uma certeza de 100% que a guerra é o negócio mais próspero da história da humanidade e a burguesia sabe isto melhor que ninguém.

2º - Marx não foi capaz de identificar o problema do cálculo económico de que Ludwig von Mises nos falará pela primeira vez no artigo Economic Calculation in The Socialist Commonwealth, publicado em 1920.[1] O problema do cálculo económico é a pedra angular do fracasso das economias socialistas onde na ausência de um mercado livre, deixa de exisitir um mecanismo minimamente adequado para se conseguir adaptar a produção à realidade social. O mercado livre serve de regulador automático da produção, através da eterna lei da oferta e da procura. Numa economia de planeamento central, o Estado suprime o mercado livre e deixa portanto de existir este mecanismo essencial para se regular a actividade económica. Uma possível hipótese teórica para se poder ultrapassar o problema do cálculo económico nas economias de planeamento central, seria a introdução de supercomputadores que em teoria seriam capazes de regular e ajustar a produção à realidade sócio-económica, mas por enquanto isto não passa mesmo de teoria.

3º - Marx subjugou a natureza humana à qual está inerente o tribalismo e uma determinada identidade. Os seus apelos à união do proletariado mundial, são um apelo directo ao fim das nações e à instauração de uma "coisa" internacionalista que ele próprio nunca explicou muito bem o que seria. O mais do que evidente e absoluto fracasso do multiculturalismo nas sociedades ocidentais é o perfeito exemplo de como o internacionalismo proletário proposto por Marx, está condenado à partida.
___________________________________________________

Notas:
[1] MISES, Ludwig von - Economic Calculation in The Socialist Commonwealth, Mises Institute, 1920. Link: https://mises.org/library/economic-calculation-socialist-commonwealth

João José Horta Nobre
10 de Dezembro de 2015
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...