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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pode-se Abolir o Salário Mínimo?



"Desde o colapso do Socialismo, o Capitalismo ficou sem rival. Esta situação anormal desencadeou o seu ganancioso e - acima de tudo - o seu poder suicida. Agora a crença é que tudo - e todos - estão num jogo justo."  - Günter Grass (1927 - 2015)

Nos últimos cinquenta anos, a esquerda e a direita liberal, tomaram literalmente de assalto tudo o que é lugar estratégica na nossa sociedade. Impuseram, como bons "democratas" que são e sempre foram, uma verdadeira lavagem cerebral à sociedade, sustentada por um controlo da informação implacável, que persegue e difama continuamente qualquer um que vá contra a corrente bem-pensante.

A direita conservadora/nacionalista (chamem-lhe o que quiserem!), não soube reagir adequadamente a nada disto e quando tentou fazê-lo, na maior parte das vezes acabou por meter os "pés pelas mãos". Em outras ocasiões e como ainda acontece, esta acobarda-se e tem medo de se assumir e fazer barulho. A agressividade revolucionária da esquerda e da direita liberal, só pode ser eficazmente combatida com uma igual dose de agressividade a todos os níveis, no fundo, o que se pretende é levar estas duas forças ao esgotamento tanto em termos argumentativos, como em termos psico-sociais.

A esquerda e a direita liberal (a segunda é filha da primeira...), têm muito mais em comum do que pode parecer à primeira vista e basta observar a ascensão da burguesia no século XIX e a forma como a mesma subverteu por completo o ancien régime - monárquico e ultra-conservador - para se entender como os liberais são eles próprios tão revolucionários e radicais, como o marxista mais aguerrido. A única coisa que muda são as cores, a linguagem e o estilo. Em tudo o resto tratam-se de revolucionários que são adeptos de mudanças sociais abruptas, radicais, violentas e que apenas no século XX passaram a ser "democráticas" por mera estratégia e conveniência.

Um homem da Idade Média que ouvisse a conversa dos "mercados" e da "liberdade económica", propagada por todos os liberais, neoliberais, ordoliberais, paleoliberais e restantes "ais", decerto concluiria que os mesmos estavam gravemente doentes do ponto de vista mental e/ou possuídos pelo Demónio. O mesmo valeria para o discurso de um marxista.

Ora, quer isto dizer que todas as revoluções e mudanças sociais são más? Com certeza que não! O Capitalismo e a "Nova Ordem" burguesa, suplantaram o ancien régime e trouxeram com eles uma Era de desenvolvimento económico, sem paralelo na História da Humanidade, mas também trouxeram muita porcaria por arrasto: os marxismos, fascismos, anarquismos, liberalismos, socialismos, nazismos e todos os restantes "ismos", são consequências directas da revolução burguesa e da ascensão do Capitalismo.

Ao destruir a velha ordem feudal, o Capitalismo trouxe o progresso para muitos pobres camponeses, mas simultaneamente, produziu uma classe de dependentes a viver nas cidades, que não possuem terra e por isso dependem totalmente de um salário pago por um burguês, de forma a que possam sobreviver. Esta dependência em muitos casos leva a uma situação de abuso por parte do burguês que insiste em pagar o mínimo possível ao trabalhador, aquilo a que se pode chamar o "salário de subsistência". Isto é, o burguês quando não é obrigado a fazer em contrário, paga sempre ao trabalhador o mínimo possível, o mínimo necessário apenas para garantir a sua subsistência e nada mais - não seria errado chamar a isto a Lei Económica da Selva, pois na prática, é disso mesmo que se trata...

Ao contrário do que muitos poderão julgar (há por aí quem pense que eu sou um cripto-comunista...), eu devo dizer que sou daqueles que é a favor da abolição do salário mínimo, mas apenas se houver condições éticas e morais para tal, coisa que não se verifica de forma alguma na actualidade. Por norma, "em uma economia saudável, não deveria haver salário mínimo; mas uma economia saudável depende de uma cultura saudável, e esta depende de determinados princípios metafísicos e éticos que se reflectem na política e na economia (por esta ordem). Ora, Portugal não tem essa cultura saudável."

Simplesmente, não existem condições em Portugal para se poder abolir o salário mínimo, isto deriva do facto de a maioria dos nossos empresários possuírem um comportamento animalesco e primitivo, muito mais próximo do dos animais da selva, do que de gente civilizada. Por exemplo, não existe qualquer justificação para que os presidentes executivos de 18 empresas do PSI 20, ganhem 33,5 vezes mais do que os seus trabalhadores. Estes presidentes executivos ganham em apenas 10 dias, o equivalente ao salário médio anual dos seus trabalhadores. Trata-se de selvajaria, não tem outro nome possível.

Obviamente, que não é difícil de perceber quem capitaliza mais com esta extrema desigualdade salarial - o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista. Esta injustiça feita aos trabalhadores por parte de muitos empresários, serve de combustível à esquerda, que é quem mais ganha com o descontentamento e a revolta dos mesmos. E os trabalhadores têm, pois, motivos de sobra para se sentirem revoltados, pois não há qualquer justificação para que um CEO tenha um ordenado 33,5 vezes maior do que o dos seus trabalhadores. Alias, estou até plenamente convencido de que "se fosse possível e legal, a muitos patrões portugueses, não pagar qualquer salário aos trabalhadores, não tenho dúvida que o fariam; há mesmo patrões que exigem que as pessoas paguem para trabalhar." Por este mesmo motivo, não é possível prescindir do salário mínimo e fazer tal, resultaria não só num reforço imediato da extrema-esquerda, mas também num galopante e simultâneo aumento da pobreza, incompatível com o interesse nacional.

João José Horta Nobre
29 de Abril de 2016

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